terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mudanças


O artigo de Elaine Lombardi, publicado hoje (02/10/2012) na página A2 da Folha da Região trata sobre "mudanças".
Gostaríamos de dedicá-lo a todos os educadores. Que ele possa servir de inspiração para aqueles que ainda não adotaram o uso de jornais em sala de aula (sempre que possível) para despertar cidadãos mais conscientes e críticos diante da realidade.
Boa leitura!


Escrever sobre mudança é desafiador e, ao mesmo tempo, delicioso. Considero-me uma pessoa aberta a mudanças e pronta para desafios, o que venho comprovando ao longo da minha trajetória. Mas meu perfil empreendedor não me livra de sentir receio e de me questionar diante das possibilidades de mudanças que surgem à minha frente a cada dia.
Crescemos ouvindo que as mudanças fazem parte da nossa vida e que aprendemos com elas. Será que essa máxima se aplica a todos? Será mesmo fácil aprender com as mudanças e se habituar a elas com naturalidade? O que sabemos de fato é que a assimilação de uma mudança decorre de um processo interno e que depende da maneira com que cada pessoa lida com isso.



Mas como ocorre a mudança? Primeiro, ela ocorre em ambiente externo, ou seja, existe uma mudança provocada por outros ou pela própria pessoa que pode ser considerada positiva ou negativa, dependendo da ótica de cada um.
A necessidade da mudança vem de uma decisão que foi tomada num momento anterior. O grande segredo é perceber como lidar com as mudanças internas que o evento externo vai provocar em cada indivíduo.
Estudos mostram que o ser humano só se predispõe a uma mudança quando se vê diante de uma necessidade e que são raros os casos de transformação sem que exista um fator desencadeador, que vai provocar uma mudança de status. Ou seja, a saída da famosa zona de conforto, que nada mais é do que a nossa acomodação diante de uma situação ou até mesmo perante nossas crenças.
Ao ser convidado a mudar, a pessoa passa por um processo de transição que começa com a negação do fato, passando pela resistência, aceitação e, finalmente, chegando ao compromisso. Parece simples, mas não tanto, visto que, para cada uma das fases, manifestamos sentimentos e emoções que mostram claramente as dificuldades individuais em superar o novo status.
Interessante pensar que a mudança começa a partir do fim de uma era, de um processo, de algo que tínhamos como seguro ou certo. E mesmo nos casos em que a mudança vem para melhorar o status, ou seja, quando estamos nos livrando de um problema ou migrando para algo que significa alguma melhoria, é possível encontrar resistência.
Você se pergunta: “Como a mudança é positiva?”. Isso se explica por meio do entendimento de cada fase da transição, visto que, para aceitar a mudança, é necessário se desapegar do que já tínhamos como certo. Por isso, torna-se um grande desafio entender que nossas resistências estão ligadas ao mecanismo de defesa que todo ser humano recorre quando se vê diante de uma ameaça. Ao resistir, nos posicionamos em posição defensiva, o que poderá nos levar a um bloqueio no entendimento e aceitação do novo momento.
Pense numa situação corriqueira, como acordar todos os dias. Qual a sensação ao ser acordado pelo despertador ou celular? Num primeiro momento, e ainda sonolentos, olhamos para o marcador e pensamos: já? Não dormi quase nada, parece que acabei de me deitar. Quando isso ocorre, estamos na negação. Depois, vem a soneca, ajuda tecnológica fundamental para nos manter no status atual, ou seja, se continuarmos na cama estamos na resistência.
No momento em que nos damos conta de tudo que temos que fazer e começamos a planejar as atividades, passamos para a fase de aceitação e assimilação, e quando finalmente levantamos da cama, estamos no compromisso e prontos para prosseguir e cumprir a jornada daquele dia.
Esse é apenas um exemplo corriqueiro do nosso cotidiano. Sabemos que passamos por esse processo várias vezes ao longo do nosso dia, mas nem sempre nos damos conta, pois em função da correria e dos diversos estímulos à nossa volta, vamos superando as fases quase sem notar.
Mas quando o assunto é importante e nos gera maior desconforto, com certeza será sentido com maior intensidade e seremos exigidos na tomada de decisão. Determinar o tempo necessário e o nível de dificuldade para superar a transição da mudança é um processo totalmente individual e estará ligado a predisposição e entendimento da necessidade da mudança. Portanto, mente aberta e coração aquecido, pois cada mudança será um processo único e desafiador. Sucesso a todos!

Elaine Lombardi é consultora especializada em desenvolvimento humano.

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