quinta-feira, 6 de setembro de 2012

7 de setembro

Por Célio Pezza

   No dia 07 de setembro de 1822, o príncipe regente D. Pedro I declarou a
   separação política entre Portugal e o Brasil-Colônia. Desde então,
   comemoramos essa data como nossa independência. É costume haver
   desfiles e paradas militares, onde diversos órgãos de segurança
   ostentam com orgulho suas conquistas. Também as escolas participam, com
   seus alunos marchando ao som de fanfarras. É uma festa cívica e com o
   objetivo de lembrar a data em que o povo brasileiro conquistou a
   liberdade.

   Os anos passaram, o Brasil experimentou várias formas de governo,
   passou por períodos duros sem nenhuma liberdade de expressão e chegou a
   uma democracia onde o povo escolhe seus representantes. Os desfiles
   cresceram e outros segmentos da sociedade começaram a participar desta
   festa. Volto a pensar no objetivo. Povo liberto, povo sem amarras
   políticas, independente e soberano. Pena que existam algumas nódoas que
   tiram o brilho desta data. Uma delas é a corrupção em todos os cantos,
   em especial no poder público.

   Vemos diariamente na mídia notícias sobre Ministérios envoltos até o
   pescoço em escândalos de todos os tipos, empresas prestadoras de
   serviços faturando quantias escandalosas em todos os segmentos, desde
   obras de infraestrutura, como estradas e pontes, passando por escolas e
   estádios de futebol. Enfim são desvios de dinheiro público em todos os
   cantos deste Brasil. As irregularidades, quando descobertas pelo
   Tribunal de Contas da União, entram na fila das averiguações e no
   emaranhado jurídico de um sistema feito para não dar em nada. Em
   seguida, aparece outro escândalo maior e o anterior cai no
   esquecimento. São escândalos que não acabam mais, mas, mesmo assim, o
   Brasil cresce, aos olhos do mundo. É um crescimento maquiado, como um
   grande desfile de 07 de setembro.

   Muitos morrem nas portas dos hospitais, nas mãos de bandidos que
   tomaram conta de todo o país, mas o desfile não pode parar. Fico
   imaginando um desfile diferente, onde mostrassem os problemas que
   afligem a nossa cidadania, não só as belezas dos aviões fazendo
   malabarismos, soldados e estudantes com novos uniformes, marchando ao
   som de bandas afinadas. Gostaria de ver um pelotão representando a
   corrupção, outro a falta de segurança, mais um mostrando a situação
   calamitosa das escolas e hospitais e, por fim, um grande batalhão de
   verdadeiros brasileiros, como eu, gritando por justiça e mudanças que
   nos deem motivos para sentir orgulho de nosso país.

   Talvez, assistindo a este desfile, lá do alto dos palanques, possa
   estar entre os políticos e autoridades, um grande brasileiro ou
   brasileira que se lembre do real sentido desta comemoração, se
   sensibilize pela demonstração de amor à pátria destes homens do povo e
   tome a decisão de dar um basta nesta situação. Como diz o final do
   poema “Só de sacanagem”, de Elisa Lucinda, declamado por Ana Carolina:
   “É inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio
   de Portugal. E, eu direi: Não admito! Minha esperança é imortal. E eu
   repito: Ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo, mas se a
   gente quiser, vai dar para mudar o final.”

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