terça-feira, 14 de agosto de 2012

Brasil alfabetizado?

As mais recentes informações dão conta de alguns percentuais sobre a alfabetização no Brasil que podem espantar os leitores. Temos, na realidade, 36% de alfabetizados de alto nível. Estes além de saber ler e escrever interpretam textos complexos e usam vocabulário adequado e sofisticado conforme a circunstância exige.
 
São, aproximadamente, sessenta milhões de brasileiros acima de quinze anos de idade. Um pouco menos de 10% da população acima dos quinze anos é analfabeta. Não sabe ler nem escrever. Quando muito assina ou desenha o nome. São treze milhões e meio de brasileiros. Para alimentar essa parcela da população os dados afirmam que três milhões e oitocentas mil crianças em idade escolar estão fora da escola.

As análises ainda precisam estar voltadas para dois outros grupos nesse rol: os analfabetos funcionais e os alfabetizados em nível satisfatório. Os funcionais atingem a cifra de trinta e sete milhões de adultos, restando em torno de quarenta milhões que se classificam no nível dos satisfatoriamente alfabetizados.

Quando retiramos desses percentuais os que se encontram acima de sessenta anos de idade, a quantidade de alfabetizados plenos e satisfatórios diminui muito, o que afeta diretamente a população economicamente ativa.

Para enfrentar o dinamismo de nossa economia, atender ao aumento da sofisticação da indústria e dos serviços o Brasil conta com uma força de trabalho ainda bastante precária. Isso afeta um salto maior para atender às duas grandes demandas: a da população abaixo dos 15 anos e acima dos sessenta.

O momento demográfico brasileiro, se considerarmos que estamos numa outra representação gráfica de nossa população, dado que deixamos a figura da pirâmide e nos aproximamos do desenho de uma gota de água é dos mais invejáveis e a sua duração é calculada para um tempo de vinte e cinco anos.

Este é o ponto crucial de nossa análise: se não atacarmos as questões educacionais com muita determinação podemos perder este estágio de nossa população, onde os ativos somam um número maior que os inativos. E, por que perder? Muito simples: neste momento a quantidade de trabalhadores é excelente para incrementar o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, esta grande massa trabalhadora não apresenta uma força de trabalho compatível com o salto que o país requer. A força de trabalho representa a capacidade que o ser humano tem de produzir mais em menor espaço de tempo; em fazer mais, com menos. Tal fato só se consegue com uma educação desenvolvida e adequada às necessidades do tempo de cada nação.

Para que alcancemos percentuais melhores e que favoreçam um salto de desenvolvimento não podemos simplesmente querer todas as crianças na escola. Este direito das crianças é reforçado por outro que deixa muito a desejar: toda criança tem o direito de aprender. Elas estão na escola, porém, não estão aprendendo. Além disso, precisamos refletir sobre as que aprendem porque, com currículos e programas defasados no tempo, mesmo as que aprendem estão aquém das exigências do momento histórico.

Portanto, incrementar a educação requer melhoria da qualidade do ensino no que toca à metodologia usada nas salas de aula, à adequação dos currículos às necessidades de nossa sociedade, um ajuste imediato do nível de dificuldade dos conteúdos ao desenvolvimento psicológico das crianças, melhorias das condições de trabalho, inclusive salariais, formação continuada de professores e melhor gestão em todos os níveis do ensino.

Se isso não for feito de nada adiantará aumentar o percentual do PIB destinado à educação ao lado da implantação de uma educação em tempo integral. Também pouca diferença fará o aumento das tecnologias destinadas à sala de aula. 

A questão é mais profunda e não será solucionada com um corpo docente desmotivado pela desconsideração generalizada por parte dos gestores e da sociedade.

Prof. Hamilton Werneck
Pedagogo, escritor e palestrante (
www.hamiltonwerneck.com.br)

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