segunda-feira, 4 de junho de 2012

Projeto do IFSC ajuda a identificar futuros cientistas

"Cientistas do amanhã" surgiu de uma iniciativa
 realizada no IFSC entre 2003 e 2011
 
Valéria Dias
Agência USP

Encontrar estudantes do ensino médio com aptidão para exatas e que queiram se tornar cientistas não é uma tarefa fácil. Mas se depender de uma iniciativa do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP teremos, nos próximos anos, um maior número de alunos interessados nesta carreira. O projeto Cientistas do Amanhã foi implantando recentemente no Instituto com o objetivo de identificar estudantes que tenham o perfil para se tornarem cientistas.
“Queremos encontrar estudantes que tenham aptidão para se tornarem cientistas e líderes”, explica o professor Antonio Carlos Hernandes, diretor do IFSC e idealizador do Cientistas do Amanhã.
Participam do projeto 18 alunos do ensino médio de escolas de São Carlos e região. Para participar, os estudantes com aptidão para exatas são previamente indicados por professores de escolas do ensino médio, públicas ou privadas, de São Carlos e região. Cada uma das nove escolas participantes indicaram dois alunos.
O projeto foi iniciado há dois meses. Os alunos têm aulas quinzenais de matemática e física. Até o final do próximo mês de junho, os participantes passarão por uma nova etapa seletiva. Os dez selecionados irão desenvolver, no segundo semestre, um projeto de iniciação científica júnior, com tema a ser definido pelos professores participantes.

HISTÓRICO
O Cientistas do Amanhã nasceu de uma iniciativa anterior desenvolvida pelo professor Hernandes e implantada no IFSC entre 2003 e 2011. A cada ano, um aluno de ensino médio de escola pública foi selecionado para participar do projeto, totalizando 8 alunos atendidos até 2011.
Esses estudantes tiveram aulas de matemática e física no IFSC em três dias da semana. Cada um contava com o acompanhamento de um tutor (professor). No final de cada ano, era preciso que eles apresentassem um projeto de iniciação científica a partir de um tema proposto pelo professor.
“Uma das alunas desenvolveu um trabalho sobre supercondutividade que foi apresentado na escola de ensino médio em que ela estudava, e também no Instituto de Física de São Carlos e em um congresso de iniciação científica”, conta o professor. Segundo ele, essa aluna cursa, atualmente, bacharelado em física no IFSC.
Todos os outros sete alunos também desenvolveram projetos semelhantes e seguiram o mesmo rumo: ou estão estudando no IFSC ou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em cursos como matemática, física ou engenharia da computação.
Um dos alunos decidiu seguir a área de humanas e está cursando letras da UFSCar. “Durante o projeto, procuramos fornecer todas as ferramentas para o aluno decidir se quer ou não seguir a carreira de cientista. Ele teve oportunidade de conhecer como funciona a metodologia científica e caso perceba que não quer seguir este caminho, devemos respeitar a decisão dele. É o aluno quem decide o que deve fazer”, pondera o docente.
CAMA DE FAQUIR
Os benefícios podem ser observados nos depoimento de pais e de alunos do projeto realizado entre 2003 e 2011. O estudante Guilherme Recio, em depoimento ao IFSC, disse que, “antes de começar a desenvolver uma pesquisa, pensava que elas eram mais simples, mais fácil de serem feitas, traziam resultados instantâneos. A partir do momento que desenvolvemos nossa pesquisa, passei a observar que ela não é tão simples assim e nem que apresenta resultados instantâneos. Uma pesquisa é um desafio muito maior e emocionante, pois a cada dia descobrimos novas coisas”. Atualmente Recio cursa engenharia de computação na Universidade Federal de São Carlos.
As famílias também participam do projeto. O professor explica que os pais são convidados a visitarem o IFSC para conhecerem as salas de aula, bem como o conteúdo aplicado. O professor conta que uma das mães cujo filho participou do projeto, disse, em depoimento ao IFSC, que “apesar de o filho tirar boas notas, antes de integrar o projeto, ele não se interessava em estudar”. Quando a mãe cobrava o desinteresse, ele respondia que as aulas eram suficientes para entender as matérias. Segundo a mãe, ele dizia também que era sempre as mesmas coisas e que a classe era muito lenta para aprender. “Quando começou a participar do projeto, comecei a vê-lo, lendo mais, pesquisando e interessado, não só ao que diz respeito ao projeto, mas também à escola”, disse a mãe.
Um dos projetos desenvolvidos na etapa 2003-2011 foi o “Cama de Faquir”. O aluno precisou desenvolver uma pesquisa em que pudesse explicar o funcionamento de uma cama de pregos e o porque as pessoas que se deitam nelas não ficam feridas. A ideia era aplicar, na prática, o conceito de pressão (pressão é igual a força dividida pela área). O aluno precisou explicar o conceito, a quantidade de pregos necessária para o experimento dar certo e o porquê, a área total e a relação entre eles. Ou seja, aplicar a teoria em um experimento prático. Na opinião do professor Hernandes, “muitas vezes o aluno aprende a teoria, mas como não consegue ver nenhuma aplicação prática para aquilo, ele perde o interesse pelo assunto. E é exatamente isso que a gente não quer”, finaliza.
Imagem cedida pelo professor Antonio Carlos Hernandes

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