segunda-feira, 21 de maio de 2012

Feira de livros leva escritores às escolas e impulsiona leitura

Agência Brasil

Debaixo de chuva, um grande público foi às ruas para prestigiar o desfile de 2 mil crianças, jovens e adultos, de 40 escolas e instituições que festejaram os 154 anos do município de Passos, sudoeste de Minas Gerais. No desfile, que teve como tema Cultivando Leitores, Protagonistas da sua História, a cidade aplaudiu a participação até então inédita de vários escritores, da cidade e de fora, homenageados pelas escolas. O evento encerrou a I Feira Literária de Passos, Flipassos, que desde o dia 8 alterou a rotina das instituições de ensino locais, promovendo uma grande mobilização de incentivo à leitura.

Ao realizar pela primeira vez o evento literário, a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secel) optou por priorizar as atividades nas escolas do município. Os cerca de 30 escritores convidados compareceram, fizeram palestras e responderam as perguntas dos estudantes, que foram previamente preparados com leituras e estudos sobre seus livros.
Quando não estavam nas escolas, os escritores dirigiam-se à grande tenda, com palco aberto, montada na Praça Geraldo da Silva Maia, na região central, onde davam entrevistas e conversavam com um público interessado e atento. Ao redor da tenda ficaram os estandes das livrarias, onde a afluência do público também era grande. Nas dependências da Casa da Cultura, sede da Secel, os auditórios onde ocorriam palestras ficaram tão lotados que houve casos de muita gente não conseguir entrar.

“Fui a uma escola da zona rural, a 23 quilômetros da cidade, e encontrei meus livros na biblioteca”, relatou o escritor e ilustrador Nelson Cruz, de Belo Horizonte, vencedor dos prêmios Biblioteca Nacional e Jabuti, entre outros, de literatura infantil. “As crianças haviam lido meus livros, estavam interessadas, fiquei espantado com a qualidade das perguntas.”
A rede municipal tem 19 escolas, sendo quatro na zona rural. Na área urbana existem uma pré-escola, nove de ensino fundamental e cinco centros municipais de educação infantil (Cemei). Mas os escritores também atenderam e foram homenageados por escolas estaduais.
“Os escritores foram os protagonistas de uma história que estamos escrevendo, nos livros e na vida. Foi um dos grandes momentos deste jogo que me colocou em campo há mais de 30 anos”, escreveu Sérgio Fantini, de Belo Horizonte, em seu blog, depois de desfilar com a escola municipal Prof. Ananias Emerenciano. Assim como ele, foram homenageados autores como Luís Giffoni, Leo Cunha, Neusa Sorrenti, de Belo Horizonte, ou nascidos na cidade, como Antonio Barreto, Marco Túlio Costa, Alexandre Marino, Alexandre Brandão, Deucélia Maciel e Marcelo Xavier.

Carnaval
A mesma secretaria responsável pela realização da Flipassos havia cancelado, em fevereiro, o tradicional carnaval da cidade. Motivo: a violência. Com o uso de drogas e casos de assassinatos preenchendo os noticiários, a prefeitura tomou uma decisão polêmica. Os R$ 80 mil investidos na Flipassos foram remanejados dessa festa.
A coragem de fazer essa troca, elogiada pelos escritores, faz sentido dentro da política de educação da Prefeitura, que adotou um sistema de ensino unificado em toda a rede, com metas traçadas. O trabalho das escolas é monitorado e avaliado pela secretaria. “Já pudemos constatar um aumento significativo no interesse dos alunos pela literatura”, explica a secretária Rosa Beraldo. O índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) da cidade subiu de 5,5 para 6,3, previsto para o Brasil em 2020.
A secretaria mantém, dentro do orçamento da educação do município, recursos específicos para aquisição de livros, mas isso também é feito pelas próprias escolas. Com a presença dos escritores, a retirada de livros nas bibliotecas se multiplicou. “É o melhor caminho para combater a violência”, disse o prefeito José Hernani Silveira. Os escritores presentes assinaram um manifesto, propondo a inclusão do evento no calendário oficial da cidade.

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