quarta-feira, 9 de maio de 2012

Escola Vaniolê promove trabalho multidisciplinar


Folha da Região - 08/05/2012 (B6)

A Folha da Região é uma ferramenta muito presente na Escola Estadual Professora Vaniolê Dionísio Marques Pavan, situada na Vila Industrial em Araçatuba. Parceiros do Ler para Crescer, os educadores de lá estão sempre incentivando a leitura do jornal entre os seus alunos.
Recentemente, as professoras Doralice Lopes Teixeira, da sala de leitura, e Cláudia Pereira Cristal, de língua portuguesa, que já estavam trabalhando com os meios de comunicação, realizaram um projeto conjunto unindo as notícias, a poesia e a literatura de cordel.



O COMEÇO DE TUDO
Para começar o projeto, Cláudia indicou que os estudantes do 3º ano do ensino médio noturno pesquisassem sobre a literatura de cordel. A partir destas leituras, apareceu, nos jovens, a curiosidade de saber quem inventou a história de passar as notícias (antes orais) para o papel.
Cláudia aproveitou para explicar sobre o cordel, narrações que muitas vezes nascem de histórias reais e servem de exemplos de divulgação escrita. O cordel é uma forma literária popular, escrito em rimas, relatado oralmente, de forma cantada, e depois impresso em folhetos e pendurados em varais, originando assim, o nome cordel.

DIA ESPECIAL
No final de abril, os estudantes fizeram uma apresentação especial na escola. Os adolescentes recitaram três poesias, interpretaram Lampião e Maria Bonita, e cantaram em rimas um pouco da história do casal. Por último, o cordel foi apresentado em um tema moderno, o futebol, mais especificamente um desafio entre Corinthians e São Paulo.
Segundo a professora Cláudia, no começo a turma achou o cordel “um pouco brega”, mas com o tempo e a pesquisa, aprenderam sobre o gênero literário e passaram a gostar. Um dos fatores para isso foi porque esse projeto envolveu a sala inteira, unindo os alunos, que ficaram responsáveis por toda a apresentação. "A gente ajudou em tudo, desde o cenário até a escolha das músicas", afirma Tainá da Silva Carvalho, aluna que atuou como Maria Bonita.
No final, além de surpreenderem a professora e toda a escola, os jovens surpreenderam a si mesmos ao perceberem do que eles são capazes.

O VALOR DO JORNAL
Para os educadores da escola, o jornal auxilia em todas as disciplinas, pois além das reportagens estarem envolvidas com geografia, história, matemática, entre outras disciplinas, as matérias ajudam a melhorar a interpretação dos alunos.
A coordenadora do ensino médio, Ana Lúcia dos Santos Abdo, que também é professora de química, acredita que a dificuldade hoje está em interpretar os textos. Até para resolver um problema de química, o estudante precisa entender o que a questão está pedindo.
A PCNP (Professora Coordenadora do Núcleo Pedagógico) Nilza Dóssi Colli, que trabalha na Diretoria de Ensino e foi até a escola para assistir a apresentação dos adolescentes, também está contente com o aumento das escolas aderindo ao jornal como método de ensino, "é um projeto que já está na diretoria há anos, tem enriquecido muito o trabalho na escola, os alunos têm contato com a comunicação da região e do Brasil. É uma ferramenta indispensável no ensino" assegura.
Os pais também estão satisfeitos com o estímulo da leitura. A mãe das alunas Tainá e Luana da Silva Carvalho, Ângela Cristina Gonçalves da Silva, conta que Luana, que não gostava de ler jornal, mudou de opinião por meio do incentivo dos professores. Para Ângela, o jornal tem “muitas coisas boas” para oferecer, além de ajudar as filhas nas provas.

PROVAS
Aliás, é pensando nas futuras avaliações como os vestibulares que a professora Cláudia faz este tipo de trabalho em sala de aula. No material pedagógico para os 7º e 8º anos, os jornais são utilizados como uma forma de localizar informações. Há incentivo para produção de reportagens e até propagandas.
Segundo a professora Cláudia, o esforço da equipe pedagógica do Vaniolê tem sido recompensado. Os alunos já leem o jornal todo dia. “Isso é muito gratificante porque mesmo com o celular, a internet e outras tecnologias, a escola está provando que a leitura pode e deve fazer parte da vida dos adolescentes”. Ela ainda dá a dica: "não podemos impor a leitura do jornal, é preciso aguçar a curiosidade deles, para que então eles leiam com prazer e não como uma obrigação".

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