terça-feira, 3 de abril de 2012

Quadrinhos de jornais são atração em aulas especiais



Da Redação
Folha da Região - 03/04/2012 (B4)


A professora do AEE (Atendimento Educacional Especializado) Lavínia Marcolino Nogueira Demarqui vem utilizando com seus alunos, crianças com deficiência intelectual que cursam do segundo ao quinto ano e têm idade média entre seis e doze anos, uma atividade inspirada nos quadrinhos dos jornais.
Formada em pedagogia, especializada em deficiência intelectual, com pós-graduação em psicopedagogia e em libras, Lavínia trabalha na escola Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Antônio Rodrigues Martins Neto, no bairro Clóvis Picoloto, em Araçatuba.
Lá, ela ensina os alunos no mínimo três vezes por semana durante uma hora ao dia em horário oposto ao das aulas. Sozinhos ou em grupos de três, os estudantes recebem apoio para que a leitura, a escrita e a interpretação de textos sejam ampliadas. "Não é reforço. Fazemos um atendimento para desenvolver as habilidades que eles já têm. O nosso foco não são as dificuldades", afirma a educadora.


PRIMEIRO FRUTO
A ideia de utilizar o jornal em sala de aula surgiu a partir do curso “Como se faz Notícia”, realizado pelo Ler Para Crescer da Folha da Região. As aulas, gratuitas, aconteceram durante todo o mês de março, às quartas-feiras pela manhã, na sede do jornal. Segundo Lavínia, as orientações da coordenadora Ayne Regina Gonçalves Salviano, jornalista e professora, foram de grande ajuda.
Para a educadora, a dinâmica dos encontros propiciou que os frequentadores do curso trocassem sugestões e cada educador teve a liberdade de adequar as ideias às realidades de suas escolas.
De acordo com Lavínia, logo que seus alunos começaram a usar os jornais nas aulas, as tirinhas despertaram a atenção e ela percebeu uma nova ferramenta para aprimorar as capacidades daquelas crianças.

PERCEPÇÕES
A partir do interesse demonstrado, a educadora sugeriu que seus alunos tentassem fazer quadrinhos. Como o tema em debate era a dengue (devido o aumento de casos na cidade), Leandro Dourado Abrantes, 10 anos, e Paulo Sérgio da Silva Duarte, 8, dividiram as tarefas. Leandro fez os desenhos e ajudou Paulo a construir a história oral. Paulo, que tem uma habilidade maior com a escrita, escreveu os balões.
O objetivo principal da professora Lavínia é estimular as crianças que, por causa das dificuldades em sala de aula, têm uma autoestima baixa. O emprego do jornal está sendo feito para contornar essa desmotivação, para que eles percebam outras razões para aprenderem cada vez mais. "Deixo claro que eles são capazes, só têm um tempo de aprendizado diferente, mas estão aptos a aprender", afirma.

O OUTRO LADO
Mesmo com muita timidez, Paulo e Leandro demonstraram animação pela atividade. Eles deixaram claro como gostam de desenhar e criar as tirinhas. Não esconderam que têm preferências por vários temas, inclusive pelos seus super-heróis. Paulo e Leandro também acreditam que o exercício com o jornal os ajuda não só na escola como também fora dela.
Para a professora Lavínia é importante a atividade em duplas ou trios porque as crianças podem interagir, além de ficarem mais soltas. Ela já percebeu que quando faz atendimentos individuais esses estudantes permanecem mais sérios.

AJUDA IMPORTANTE
A diretoria da Emeb Antônio Rodrigues Martins Neto sempre apoiou o projeto de Lavínia, mesmo após a troca de diretoras, que ocorreu este ano. Com a nova diretora, Clélia Cristina Ingrato Baggio, surgiu a oportunidade de participar do curso no Ler para Crescer.
Clélia Baggio tinha feito a sua inscrição, mas não pôde comparecer no primeiro encontro na Folha. Pediu para Lavínia representar a escola. A educadora vislumbrou novas possibilidades de ensino a partir do uso do jornal em sala de aula e recebeu a permissão de frequentar o curso todo com o compromisso de repassar os conhecimentos adquiridos para os outros professores daquela escola.

AVALIAÇÃO
Lavínia espera que a utilização do jornal em sala de aula seja um incentivo para as crianças de toda a escola para aumentar o interesse pela leitura. A ideia é fazer um trabalho amplo, de sala em sala, para estimular os demais alunos da Emeb Antônio Rodrigues Martins Neto que ainda têm um pouco de dificuldade tanto na leitura como na escrita, "Estamos procurando um canal para reverter esse quadro e eu acredito que com o jornal vamos conseguir" se anima a professora.

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