quinta-feira, 5 de abril de 2012

O pensamento crítico na criança


Por Cybele Meyer

15 de março é Dia da Escola. Quem não se lembra do Professor Tibúrcio encenado pelo Marcelo Tas, no programa RA TIM BUM, nas décadas de 80/90? Este professor está guardado na memória de muitos de nós, assim como um dos seus principais “bordões” que passou a habitar as falas das crianças em resposta à falta de resposta dada: “Porque não, não é resposta”.
Exigir obediência sem qualquer explicação é o mesmo que robotizar a criança. Explicar os motivos pelos quais não se deve ficar de pé na cadeira, não colocar o dedo na tomada ou não pisar descalço no chão molhado, dentre tantas outras situações cotidianas, são formas de estimular o pensamento crítico e consequente formação de opinião.
Hoje se costuma afirmar que o aluno do século XXI deve ser instigado a ser protagonista da sua aprendizagem e que deve formar opinião, porém isso só será possível se ele tiver desenvolvido o pensamento crítico. Afinal, este é o alicerce tanto para o exercício de um quanto de outro. Tanto a família quanto a escola têm que estimular que a criança reflita e tire suas próprias conclusões.


EXERCITANDO A REFLEXÃO
A escola vem de um modelo didático engessado, no qual o aluno nunca foi instigado a pensar criticamente. Disciplinas como Filosofia, Sociologia e História sempre foram ministradas sem o exercício da reflexão, assim como Matemática, Português e demais. Esta insensatez não deixa outra alternativa aos professores que não exigir que os alunos decorem o conteúdo. Como podem os alunos se apropriar e formar opinião sobre as teorias dos filósofos se não pensam criticamente sobre a atitude e a forma de pensar presente na gênese destas teorias?
Há várias maneiras de o professor instigar o pensamento crítico no aluno como, por exemplo, através da curiosidade, da dúvida ou da incerteza, promovendo discussão crítica e propiciando argumentos contra ou a favor. Afinal, quem pode garantir que o que está sendo ali afirmado está imutavelmente certo? Se o aluno perceber e se convencer de que está certo vai se apropriar com convicção e saberá em que situação fará uso do que está sendo aprendido. Porém, se discordar e fundamentar, pode ser que esteja dando um novo rumo ao que até o momento era tido como correto. Situação rara? Talvez não!


ALUNO COMO PROTAGONISTA DA APRENDIZAGEM
Com esta didática o professor estará desenvolvendo o pensamento crítico, bem como propiciando a participação ativa nas aulas e a formação de opinião, tornando o aluno protagonista da sua aprendizagem.
O exercício do pensamento crítico também tem que ser estimulado pela família desde a mais tenra infância. Respostas como: “Faça isso porque eu estou mandando”, “Não vai porque eu não quero”, “Já disse que não e pronto!” são frases que inibem o desenvolvimento do pensamento crítico e consequentemente propiciam o comportamento robotizado da criança, bem como podem instigar a desobediência. Muitas vezes a não apropriação do conceito pela criança a instiga a tentar novamente. Este tentar várias vezes é tido como teimosia, mas na verdade é a necessidade de experimentação que é inata ao ser humano – e que fica potencializada pela falta de orientação significativa.

OPORTUNIDADES PARA QUEM TEM ATITUDE
O pensamento crítico é importante não só durante o período escolar, mas por toda a vida. Ter o pensamento crítico ativo é um grande diferencial nas situações nas quais se deve agir em conformidade com a moral e a ética, tão carente de usuários atualmente.
Além de propor a participação em sala de aula, é importante que a escola permita que ocorra a expressão do pensamento crítico também nos momentos de avaliação. A partir do momento que o aluno manifesta, com liberdade, seu entendimento a respeito do que está sendo abordado na avaliação, o professor adquire material para avaliar se está ou não ocorrendo a aprendizagem.
Seria interessante também que os trabalhos desenvolvidos pelos alunos, em grupo ou individualmente, tivessem, o item “Considerações finais”, onde pudessem exprimir suas opiniões sobre o que foi trabalhado.
Ao estimular o pensamento crítico a família e a escola estão ensinando o filho/aluno a ter uma atitude ativa, indo de encontro à exigência de atitude passiva que ainda hoje habita lares e escolas. Vale lembrar que a sociedade contemporânea e o mercado de trabalho dão preferência e oferecem mais oportunidades para quem sabe, exatamente, aonde quer chegar.

Cybele Meyer é educadora, pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional. É editora do site Educar Já.  Artigo publicado na Revista Personare/Educar Já

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