terça-feira, 3 de abril de 2012

Dor de cabeça afeta 72% dos estudantes



Agência USP


Pesquisa realizada na FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP feita entre 415 jovens com idade média de 15 anos, estudantes da rede estadual de ensino da cidade de Ribeirão Preto, revela uma prevalência de dor de cabeça (cefaleia) de 72,8%. O estudo mostra maior ocorrência de cefaleia entre mulheres, usuários de aparelhos ortodônticos e consumidores de bebidas alcoólicas.
O trabalho também aponta que não há correlação entre dor de cabeça e horas de sono, uso de óculos, prática regular de exercícios, horas semanais gastas em TV, internet e video game, e nem com as notas escolares.
O estudo de mestrado do médico Luiz Eduardo Vieira Grassi, na área de Neurociências, orientado pelo professor José Geraldo Speciali, da FMRP, estimou a prevalência de cefaleia e variáveis físicas, como gênero (sexo), cor da pele e doenças crônicas referidas e índice de massa corporal (IMC). E, ainda, com outras variáveis como uso de óculos ou aparelho ortodôntico, horas de sono e exercícios físicos regulares, assim como, horas por dia de uso de TV e internet e ingestão de álcool e por último com o rendimento escolar.
Segundo o pesquisador, as cefaleias são os tipos de dores mais comuns. “Um estudo realizado em 2004 pelo grupo do professor Speciali, na população adulta de Ribeirão Preto apontou que 49,9% das pessoas têm cefaleias nesta cidade. Mas diferentes estudos em diferentes populações apresentam diferentes resultados nos índices de cefaleia”.


BEBIDA
Dos estudantes que declararam fazer uso de bebida alcoólica (21,8%), 83,3%, relataram dor de cabeça. “Há um risco estimado duas vezes maior para a presença de cafaleia dentre os que ingerem bebidas alcoólicas comparados com aqueles que não o fazem”, diz o pesquisador.
E acrescenta que o álcool é conhecido como deflagrador das cefaleias e, o vinho tinto um dos mais citados desencadeadores das migrâneas, dores de cabeça.
Dos estudantes pesquisados, 22,33% se referiram a doença crônica, como rinite, sinusite e doenças respiratórias. Nessa associação o pesquisador não encontrou resultado significativo.
“Desse total, rinite e sinusite é que tiveram resultados mais altos, 14%”. Também o Índice de Massa Corpórea (IMC) não mostrou relação positiva com cefaleia um resultado diferente dos citados na literatura. “A obesidade é descrita pela literatura como um fator importante na relação com a cefaleia. Uma possível explicação para os resultados do estudo é poucos estudantes analisados eram obesos”, conta Grassi.

ÓCULOS
A pesquisa também avaliou a relação entre cefaleia e o uso de óculos e de tecnologias. Segundo o pesquisador é bem difundida a relação entre as dores de cabeça e alguns problemas de visão, como glaucoma agudo, erros de refração e estrabismos.
“Esses dois últimos são frequentes na faixa etária participante da pesquisa, mas a literatura não indica se após correção da visão a cefaleia desaparece ou não. Nossa pesquisa sugere que após as devidas correções visuais a cefaleia desaparece”, relata.
Já o uso de óculos, em alguns raros casos, pode causar cefaleia por compressão das hastes nas regiões temporais diz Grassi, mas ela cessa após algumas horas sem o uso do aparelho. “Nesse estudo a relação não foi significativa. Do total que usa o aparelho, somente 7,77% relataram dor de cabeça”, afirma.
Já o uso de tecnologias, como o envolvimento com internet e video game, por exemplo, também não tiveram resultados relevantes, tanto no grupo que faz uso deles durante 4 horas como naquele que declarou fazer uso durante 10 horas semanais. “Nem na literatura foi encontrada relação entre essas variáveis e a cefaleia”, explica Grassi.

EXERCÍCIO
Quando foi analisado o grupo que pratica exercício físico e o que não pratica, a diferença também foi insignificante, assim como a relação entre horas de sono e cefaleia. Tanto os que declararam dormir 6 horas, quanto aqueles que declararam dormir 10 horas não apresentaram diferença quanto a presença de cefaleia. “Vários trabalhos relacionam positivamente distúrbios de sono e cefaleia, entretanto nosso estudo inquiriu os estudantes sobre horas de sono e não distúrbio de sono. Essa situação indica que dormir menos ou mais desde que seja em quantidade necessária ou desejável não propicia aparecimento de cefaleias recorrentes”, conclui.

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