quinta-feira, 5 de abril de 2012

Beneficiados com Bolsa Família abandonam menos os estudos

Daniel Navarro
Agência USP

Alunos do quinto ano, antiga quarta série, do ensino fundamental participantes do programa Bolsa Família são os que menos abandonam os estudos. Este foi um dos resultados da pesquisa Uma Análise do Efeito do Programa Bolsa Família sobre o desempenho médio das escolas brasileiras, desenvolvida no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP.
O autor da dissertação, Pedro Cavalcanti Camargo, sob orientação da professora Elaine Toldo Pazello, cruzou a base de dados do Censo Escolar de 2008, realizado anualmente pelo Inep (Instituto Nacional de Ensino e Pesquisas Educacionais), com os beneficiários do programa.
Para o pesquisador, a razão para a diminuição no abandono escolar seja a própria condição imposta pelo programa Bolsa Família a seus beneficiários. “Para a família receber o benefício os filhos precisam continuar na escola. Acredito que este seja o principal motivo para essas famílias apresentarem menor abandono escolar do que as que não recebem o benefício”, explica.

Segundo Camargo, a pesquisa visou também encontrar uma relação de causalidade entre a participação dos alunos no programa Bolsa Família e o desempenho escolar medido pela taxa de aprovação e pela nota média obtida nos exames de proficiência da Prova Brasil de 2009. A Prova Brasil é um exame nacional aplicado pelo Inep em anos ímpares para alunos do quinto e nono anos do ensino fundamental em escolas públicas municipais, estaduais e federais.
“Ao analisar os dados, nota-se que escolas com maior proporção de jovens oriundos de famílias beneficiadas pelo programa necessitam de atenção especial por parte dos gestores de políticas públicas. Isto porque, apesar de apresentarem uma taxa de abandono menor em função de uma presença mais forte do programa, estas escolas obtiveram médias em exames de proficiência, assim como taxas de aprovação, inferiores a de escolas com poucos alunos participantes do Bolsa Família, tanto em 2001, sem o programa, quanto em 2008, já com o benefício,” explica o pesquisador.
Para ele, essa constatação significa que, mesmo não havendo evidências muito fortes de causalidade negativa entre as notas em exames de proficiência e a participação no programa, é evidente que as escolas com maior presença destes alunos têm um histórico de notas inferiores àquelas de escolas com menor proporção de alunos beneficiados pelo programa, gerando necessidade de atenção maior. “Essas escolas têm as piores notas pois os alunos têm mais dificuldades para conciliar o estudo com a situação das famílias. Geralmente elas ficam em áreas mais pobres e, por isso, necessitam de mais atenção”, conclui.

Imagem: Ben Kaye-Skinner / sxc.hu

Nenhum comentário:

Postar um comentário