quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fluxo escolar é um dos principais desafios da educação na próxima década


Da Redação do Todos Pela Educação

O Brasil pode não atingir as metas de conclusão do Ensino Fundamental e Médio até 2022, caso não resolva o problema do atraso escolar, causado principalmente pelo ingresso tardio, pela repetência e pelo abandono. A conclusão integra o relatório De Olho nas Metas 2011, lançado nesta terça-feira (7) pelo Todos Pela Educação.

Baixe aqui a íntegra do De Olho nas Metas 2011
Confira aqui a situação do aprendizado em seu município

De acordo com o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Tufi Machado Soares, que elaborou a análise "Correção do atraso escolar é fundamental", a taxa de conclusão do Ensino Fundamental, com até um ano de atraso, deve ser de 76,9%, em 2022. Já a do Ensino Médio, também prevendo um ano de atraso para os alunos, tende a alcançar os 65,1%, naquele ano.



Os percentuais apontados estão bastante aquém da Meta 4 do Todos Pela Educação, que estabelece que até 2022, 95% ou mais dos jovens brasileiros de 16 anos tenham completado o Ensino Fundamental, e 90% ou mais dos de 19 anos tenham completado o Ensino Médio. Assim, afirma Soares, há fortes indícios de que a Meta 4 não seja cumprida no ano do Bicentenário da Independência do Brasil.

De acordo com os últimos dados disponíveis, que fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009, o Brasil atingiu a meta intermediária de conclusão para o Ensino Fundamental e a superou para o Ensino Médio. Entretanto, isso não garante que as Metas sejam atingidas em 2022.

Para Soares, algumas medidas podem ser adotadas para mudar o curso desta história: "O mais razoável é atuar continuamente desde a Pré-Escola, monitorando e recuperando os níveis de aprendizado dos alunos, evitando ao máximo o atraso escolar. Isto pode ser feito por meio de programas continuados de recuperação da aprendizagem, critérios de reprovação padronizados e acompanhamento constante dos alunos mais propensos ao abandono escolar. A reprovação deve ser adotada como último recurso, e nunca nas séries iniciais", aponta em trecho de sua análise.

“Os dados e as análises dos especialistas desta edição do De Olho nas Metas apontam que mudanças estruturais precisam acontecer com urgência para que as Metas possam ser plenamente atingidas até 2022. Os próximos anos demandarão dos gestores educacionais e de toda a sociedade políticas eficazes que garantam o direito à educação de qualidade para todos”, afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.

Nenhuma unidade da federação superou a Meta 1
A Meta 1 do Todos Pela Educação estabelece que crianças e jovens de 4 a 17 anos estejam na escola. Em outras palavras, até 2022, 98% deste grupo etário deve estar matriculado e frequentando as aulas. Com este foco em mente, o Todos Pela Educação estabeleceu metas intermediárias que, em 2010, não foram cumpridas por nenhuma das unidades da federação.

De acordo com os dados, 3,8 milhões de indivíduos de 4 a 17 anos estão fora da escola. Em números absolutos, o estado que tem mais crianças e jovens a incluir no sistema de ensino é também o mais populoso, São Paulo, com mais de 607 mil potenciais estudantes fora da escola. Na sequência, aparecem Minas Gerais (363.981 crianças e jovens fora da escola) e Bahia (277.690).

Além disso, as taxas de acesso à Pré-Escola permanecem em patamares muito mais baixos que os estabelecidos pelas metas do Todos Pela Educação. Rondônia, em particular, tem a menor taxa de atendimento nesse nível de ensino, com 57,1% das crianças de 4 e 5 anos com acesso aos sistemas de ensino e mais de 23 mil fora da escola. O atendimento às crianças e jovens de 6 a 14 anos, no País, já se encontra em patamares mais elevados: 96,7% daqueles nesta faixa etária estão na escola. Entre os jovens de 15 a 17 anos, idade regular para o Ensino Médio, 83,3% frequentam a escola. O menor percentual de acesso, novamente, é de Rondônia (77,8%).

Diferenças de gênero no início da vida escolar
A Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), realizada em 2011, trouxe dados inéditos sobre a alfabetização das crianças brasileiras. Aplicada em todas as capitais do País, a 6 mil alunos do início do 4º ano (que concluíram com êxito o 3º ano) de escolas públicas e privadas, a prova avaliou o desempenho das crianças em matemática, leitura e escrita.

Dentre os principais resultados, a Prova ABC revelou que, na média Brasil, apenas 56,1% atingiram o conhecimento esperado em leitura, 53,3% em escrita e 42,8% em matemática. No DeOlho nas Metas 2011, novos dados sobre a avaliação foram publicados, e eles apontam para uma diferença entre o aprendizado de meninos e meninas no início da vida escolar.

Em escrita, a proporção de meninas com nível igual ou superior ao esperado foi 16,4 pontos percentuais maior que a dos meninos. A diferença em leitura foi de 9,4 pontos percentuais, favorável às meninas. Em matemática, não houve diferença estatística.

Defasagem idade-série
O que mais chama a atenção nos dados por idade, da Prova ABC, é a situação dos alunos com defasagem idade-série. De acordo com os resultados, o percentual de alunos que atingiu o desempenho esperado em qualquer uma das disciplinas é sempre menor do que o dos alunos na idade correta. Alunos com defasagem idade-série são os que repetiram algum ano ou ingressaram tardiamente no sistema escolar. Este fato é preocupante e mostra que a reprovação não garante que o aluno aprenda futuramente.
Meta de investimento não cumprida

Em 2010, o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) investido em Educação Básica foi de 4,3%, o que mostra que o Brasil não cumpriu a Meta 5 do Todos Pela Educação, que estabelecia investimento de 5,0% do PIB neste nível educacional. As informações são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Para Amaury Gremaud, professor da Universidade de São Paulo (USP), há duas questões a serem enfrentadas: “Uma discussão importantíssima é melhorar o gasto brasileiro, pois já gastamos um recurso que não é pequeno. Mas também há espaço para ampliar os investimentos. E, em certas situações, os recursos fazem muita diferença”, afirma.

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