sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

‘Atuais métodos de ensino on-line deixam a desejar’, diz pesquisador


Folha de S.Paulo

Professor da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, o indiano Sugata Mitra ficou famoso pelo experimento conhecido como “buraco na parede”. Funciona da seguinte maneira: um computador com acesso à internet é colocado em uma localidade pobre –no início, uma periferia da Índia. A partir daí, as crianças aprendem a mexer sozinhas no PC e a acessar a internet.

Os dois princípios que regem a experiência são a auto-organização, porque uma criança ensina à outra, e a tecnologia ajudando a educação. O pesquisador falará sobre os dois assuntos em palestra na Campus Party, na terça-feira (7), às 19h, no palco principal do evento.



Em entrevista por e-mail à Folha, Sugata Mitra diz que, apesar de acreditar que a tecnologia ajuda o processo educativo, as maneiras como ela é utilizada atualmente são falhas. “Os atuais métodos de ensino on-line deixam a desejar”, exemplifica.

Para o indiano, o processo de aprendizado não é neutro –de mão única, do professor ao aluno–, e prova disso é a negociação entre crianças e pais. Além disso, a auto-organização, diz Mitra, também é uma forma de negociação entre pares.

“De alguns pontos de vista, a comunidade de software livre e a Wikipedia são exemplos de auto-organização”, diz. Mesmo assim, o pesquisador ressalva que a auto-organização física tem aspectos únicos, principalmente entre crianças.

Apesar de ser um defensor da educação on-line, Sugata Mitra acredita que a ida de estudantes de países menos desenvolvidos, como Brasil, China e Índia, a universidades europeias e americanas não é um problema. “Estudantes devem estar onde podem produzir melhor”, diz. “A humanidade é maior que países.”

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