quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Professores no Brasil e no Japão



Por Erika Tamura

Segundo a tradição japonesa, todos devem reverenciar o imperador, abaixando a cabeça para ele. Todos, menos os professores! Porque sem professor não existiria imperador!

Li isso no profile da minha amiga, professora no Brasil. E realmente essa tradição existe. Professor no Japão é uma profissão muito respeitada, e para os japoneses o professor é chamado de sensei, ou mestre em português, pois é considerado o sábio, o centrado e orientador das crianças. O Japão tem a exata noção de que o futuro do país depende das crianças, por isso a educação é muito valorizada, rigorosa, disciplinada.
E para que tudo isso dê certo na prática, são necessários professores competentes, que passaram por rigorosas seleções, que possuem um alto grau de conhecimento e em compensação são bem remunerados.


E no Brasil não preciso nem dizer como anda a educação... A impressão que dá é que o assunto educação não é prioridade, torna-se secundário em relação às Olimpíadas e Copa do Mundo de futebol!

Por isso, considero os professores brasileiros verdadeiros guerreiros, pois trabalham com amor à profissão, batalham com a falta de recursos e estruturas, sem contar o quesito salarial. Heróis! É a palavra ideal para defini-los.

Aqui no Japão, professores são admirados. Quando alguém diz que é professor, ganha a admiração de todos no ato. E no Brasil, quando falam que a sua profissão é a de professor, todos ficam com dó... É uma reação espontânea, que surge automaticamente.

Converso com vários professores universitários japoneses, e eles ficam admirados com o nível de conhecimento dos professores brasileiros, mas não entendem porque é tão difícil atingir educacionalmente 100% da população.

Os japoneses não entendem porque ainda tem um número muito alto de analfabetismo no Brasil. Ficam indignados quando falo que muitas crianças abandonam a escola para trabalhar e assim ajudar no sustento da família. E mesmo assim, quando tornam-se profissionais da educação, possuem currículos invejáveis e uma postura profissional ímpar.

Ninguém vai entender se não morar no Brasil.
Deu para perceber que o Brasil tem excelentes professores mas não os valoriza. Entendi também que a necessidade de investimento e cuidado com a educação do povo brasileiro é uma necessidade primordial, e que deveria estar acima de todas as outras.

Quando conversei com o senhor Osamu Iida, ex-presidente da Honda no Brasil, ele mesmo cantou a bola: "o Brasil é um ótimo país, deixou de ser subdesenvolvido há muito tempo, só falta melhorar um item para ser perfeito e continuar crescendo, é melhorar a estrutura educacional das crianças!". Claro! Afinal, se melhorasse esse item, os benefícios viriam como consequência e a violência cairia e muito.

E na minha opinião o início de tudo seria na valorização do professor. E é um passo tão pequeno, mas tão significativo!

Professores, tanto no Brasil como no Japão, são pessoas que amam o que fazem porque senão não aguentariam o tranco, admiro muito quem tem esse dom, pois eu defino como um dom, a arte de ensinar uma criança. Carga horárias puxadas, folgas sacrificadas, refeições puladas... essa é a rotina do professor brasileiro, japonês, mundial! Por isso admiro tanto essa profissão.

Muitos falam que é difícil tornar-se um médico competente, ou um advogado consagrado, mas se não fosse pelo professor nenhuma dessas profissões seriam desenvolvidas com tamanha maestria e competência.
Por isso que no Japão o professor é reverenciado como um mestre sábio e está num patamar acima de todas as outras profissões.

E a carga emocional que um professor deixa em uma criança é muito grande. Até hoje lembro-me de todos os meus professores, desde a pré-escola até a faculdade. Sei o nome de cada um deles, pois de alguma forma fizeram parte da minha vida, e se hoje sou assim, é porque cada um dos meus professores me ensinaram algo, e o mérito é deles!

Quero parabenizar a todos os profissionais da área, principalmente os brasileiros, pois admiro-os e considero-os verdadeiros heróis e pode parecer clichê tudo isso que escrevi, mas é a verdade no meu ponto de vista. Sem a pretensão da famosa felicidade utópica, mas com consciência da felicidade real e atingível para todos!

Erika Tamura, comerciária em Joso, no Japão, escreve quinzenalmente como colaboradora da Folha da Região.

10 comentários:

  1. http://ramanavimana.blogspot.com.br/2012/01/professores-japoneses-que-nao-se-curvam.html

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  2. OI Erika, tenho uma pergunta a fazer. No caso um professor formado aqui pode dar aula no Japão? ou ele necessita fazer algum curso complementar. Pergunto isso porque estou estudando para ser professora e tenho interesse de ir para o Japão para dar aula. Aguardo contato obrigado...

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  3. Preciso saber: Como a legislação do imposto de renda no Japão trata os professores?

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  4. Obs...

    A verdade é 'meio-verdadeira': O imperador presta referência àqueles que foram SEUS PROFESSORES. E não qualquer cidadão na condição/titulo/profissão de professor pode indistintamente deixar de reverenciar seu imperador.

    Esta verdade tem sido espalhada pela internet e aceita como verdade absoluta. Não é bem assim. Observe que Barack Obama é professor titulado (de Direito, em Harvard) antes de ser presidente... e ainda assim não recebeu reverência do imperador quando os dois se encontraram. Na verdade, Obama o reverenciou.

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    1. Caro colega sua justificativa é um tanto relevante, sou Karateca e os ensinamentos dos meus Senseis são como o texto. Os professores são altamente valorizados por todos em uma questão de respeito ao seu valor não quer dizer que o professor mande no imperador, no que se diz que o imperador referencia o professor é como a todos no estudantes das artes marciais fazemos e por outro lado recebemos pelos nossos mestres, tudo é a questão do respeito. Contudo o que a colega Erika disse é sobre isso o respeito mutuo entre aluno e professor.

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  5. qual o valor do piso salarial do professor no Japão? objetivo: comparar Brasil e Japão.

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    1. lindo, acho que por lá eles nao trabalham com a bestialidade de piso. francamente

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  6. Sim Erika, concordo plenamente com voce. Realmente o professor no Japão é considerado um ser superior que é admirado até pelo imperador. Aqui ainda vai levar milenios para chegar se a tal sabedoria...infelizmente.

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  7. Olá, Érika! Este foi o canal que encontrei para me comunicar com você.
    Também sou de Araçatuba. às vezes escrevo no Jornal Folha da Região.
    Quero fazer-lhe um convite e que você possa estendê-lo aos brasileiros aí no Japão.
    Sou blogueira e membro da Cia dos Blogueiros de Araçatuba.
    A cia dos blogueiros está com um projeto que sechama "O maior poema".
    A intenção é escrever um poema com o maior número possível de autores.
    Gostaria de contar com a sua ajuda aí no Japão.
    Para entender o projeto entre na página da Cia dos blogueiros que é:
    www.ciadosblogueiros.blogspot.com
    ou no meu blog
    www.ritalavoyer.blogspot.com
    que também está publicado a forma de participar.

    Muito obrigada.

    O meu e-mail é: ritalavoyer@hotmail.com

    Obrigada novamente!

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  8. Deswculpem os bons professores, mas peço aos mesmos que olhem para o comportamento da classe em geral. o professor pode até ganhar pouco no Brasil, mas acredito que isso condiz com seu comportamento , onde professores tornam-se pessoas soberbamente disfarçadas de boas ovelhas enquanto são lobos. tratam pais como se fossem pessoas meramente desocupadas quando precisam estar com eles tratam alunos como seres que jamais teram capacidade de ser alguem melhor do que eles , sem falar nop seu comportamento perante colegas dentro do seu local de trabalho. É impressionante como essa classe se acha superior a todas as outras como se não existisse professor; não existisse mais profissão nenhuma; soberbos tratam funcionarios operacionais nas escolas como se não fossem ninguem porque não tem um nivel de ensino que se equipare ao deles, tratam faxineiros e cozinheiros e outros profissionais de escolas como se fossem seres dignos de pena ou de olhares de solidariedade pela sua pequenes. são incapazes de ver que outras pessoas são tão profissionais quanto eles independente dos titulos que carregam pois em muitas profissões o que vale não são os títulos é a experiencia e a capacidade coisa que nenhum diploma da a ninguém. seria capaz de ficar aqui o dia inteiro enumerando bons motivos para provar que o, professor ainda tem que evoluir muito quanto ser humano para chegar a ponto de achar que merece melhores salários
    , pois os salários se mede pela capacidade total do ser humano e não só pelo diploma que carrega, vai muito mais além. me desculpem os professores por vocação, esses ,merecem nosso respeito

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