segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O que era para ser apenas aula virou mídia comunitária


Por Ariadne Bognar

Em aula, jovens leem e selecionam as matérias do jornal
Está escrito no editorial: “O jornal é um ótimo transmissor de comunicação que nos possibilita acesso à informação de nossa cidade, país e mundo”. O texto que abre o Projeto Jornal 2011 do Unicolégio foi escrito pela professora Simone Pollo Tisseu. Juntamente com os alunos dos quartos anos, ela desenvolveu um trabalho especial com o uso dos jornais na sala de aula durante o segundo semestre de 2011, após participar do curso de formação continuada para professores promovido pelo Ler para Crescer.

As ações não visavam apenas esclarecer como esse veículo de comunicação é organizado, suas seções e tipos de informação. “Nossa meta é fazer com que nossos alunos se identifiquem nas notícias, opinem, deem sugestões, enfim, façam do jornal um instrumento de seu cotidiano”, esclarece a educadora.



Segundo ela, foi muito gratificante oportunizar o conhecimento aos alunos por meio da Folha da Região. Ela esteve com as crianças fazendo uma visita monitorada à redação. “Nosso trabalho não para por aqui. Vamos fomentar ainda mais o interesse pela pesquisa e leitura de jornais. Somente assim estaremos promovendo a formação de indivíduos críticos e participativos”, afirma.

SUPERFICIAL
 Estudantes usam a Folha em sala de aula para produzir textos
Simone conta que ao indagar as crianças sobre as notícias percebeu que os alunos explicavam a matéria sem ao menos fazer toda a leitura, eles geralmente interpretavam as imagens. Então, sua primeira intervenção foi trabalhar com elas.

Na primeira oportunidade expôs uma foto de um rottweiler preso atrás de grades. Ele havia atacado uma criança de 3 anos (Folha da Região, B4, 09/09/11). Sem ler a notícia, as crianças ‘interpretaram’ que o cachorro foi cúmplice de um roubo até que ele uivava à procura de um novo amor. Foi a oportunidade que a professora encontrou para provar a necessidade da leitura completa do texto somada à interpretação das fotos. Um complementa o outro.

Também foi explicado aos estudantes que o jornal não serve só para informar. Por meio dele é possível refletir sobre os fatos e associá-los à vida de cada um. Com as matérias da Folha, foram trabalhados a conscientização sobre os malefícios das drogas, o esclarecimento sobre a importância de ter bons hábitos alimentares e valores sobre atividade física e práticas esportivas.

EU, REPÓRTER
Em uma outra atividade, os alunos deixaram o lugar de leitores para se transformarem em jornalistas. A partir de uma foto de capa de uma tempestade de poeira (Folha, 24/09/11), cada um contou o que aconteceu consigo naquele momento. Pedro Henrique escreveu que não ficou com medo embora o muro da casa tenha balançado. Vitória assumiu que ficou com medo e a casa lotou de poeira. Na rua de Maria Vitória a energia acabou cinco vezes e Gabriel contou que quase caiu do sofá com um dos trovões daquele dia.

A professora também praticou o jornalismo opinativo com as crianças. A partir da matéria “Viciado em crack bate na mãe, tenta incendiar casa e vai preso” (Folha,B2. 28/07/11), alunos opinaram sobre o tema. “A droga é pior coisa do mundo”, escreveu Sabrina. “As drogas fazem muito mal porque separam famílias”, complementou Marcelo. “O crack é um túnel escuro sem porta, sem janela”, sintetizou Maria Clara.

MAKING OFF
Houve momentos de descontração. Em uma atividade, os alunos foram convidados a definir a importância do jornal para a sociedade com uma palavra: informativo, educativo, interessante foram algumas delas.
“"Trabalhar com o jornal foi interessante e divertido. Trouxe-nos muita sabedoria, pois pesquisamos e assim aprendemos. O trabalho em grupo enriqueceu nossas ideias e a colaboração para com o próximo. Gostamos de trabalhar com o jornal porque na nossa imaginação éramos jornalistas e demos nossa opinião", declararam os estudantes.

Segundo a professora Simone, o trabalho despertou um interesse diferenciado quanto à leitura do jornal. "Foi gratificante oportunizar o conhecimento aos nossos alunos por meio de um veículo de comunicação. A visita monitorada à Folha fomentou ainda mais o interesse pela pesquisa e leitura dos jornais. É possível notar a melhora e eles são indivíduos mais críticos e participativos da sociedade, sabedores de seus deveres e direitos".

A edição final do jornal manual feito pelos alunos dos quartos anos do Unicolégio é composto por 30 páginas coloridas cortadas em formato aproximado de 35 cm x 50 cm. Ele foi encadernado.

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