segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Alunos procuram por ‘João e Maria’ com a comunidade


Por Ariadne Bognar

Aluno confere anúncio que saiu
na Folha em busca de João e Maria
Na seção de classificados de um jornal é possível encontrar os mais diversos anúncios, dos mais variados produtos e serviços. Vende-se, compra-se, contrata-se, procura-se. Geralmente, o espaço é usado por quem quer ofertar ou encontrar algo. Mas uma professora da Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Camila Tomashinsky, no bairro Vila Industrial, em Araçatuba, teve uma ideia diferente e propôs uma aula inovadora para sua turminha do maternal 2, crianças com 3 e 4 anos.

Para ensinar os gêneros textuais, mais especificamente os contos de fadas, a professora Andrea Bretones dos Santos publicou um anúncio na Folha da Região para procurar os personagens de uma das histórias infantis mais famosas do mundo, João e Maria, escrita pelos irmãos Grimm. O objetivo do trabalho era proporcionar o contato das crianças com o jornal para aguçar a curiosidade e a criatividade delas, além de fazê-las entender as diferenças entre o real e o imaginário, o concreto e o abstrato.



ESTÍMULO
Primeiramente, para que as crianças se familiarizassem com os contos de fadas, a professora leu as histórias de João e Maria, e João e o Pé de Feijão. Depois, como é comum nesta faixa etária, as crianças produziram desenhos, pintaram e criaram as personagens a partir de material reciclável.

Mas, porque quer implantar o uso regular dos jornais em sala de aula, Andrea teve a ideia de colocar o anúncio nos Classificados da Folha, uma sugestão de atividade diferenciada que ela havia aprendido durante os cursos de formação continuada para professores promovidos pelo Ler para Crescer, encontros dos quais ela participou, e segundo ela, “mudaram sua ideia de como trabalhar no ensino infantil”.

“Andrea entrou em contato para saber como proceder, foi encaminhada para o departamento correto, teve o apoio do Ler para Crescer para conseguir publicar o anúncio, uma vez que as regras da Folha são rígidas, e pagou pelo espaço”, explicou a coordenadora do Programa Jornal e Educação, Ayne Regina Gonçalves Salviano.

PROCURA-SE
O anúncio (reproduzido nesta página) repercutiu além da comunidade escolar. De acordo com a professora, algumas pessoas quiseram contribuir para o projeto. Um leitor da Folha chegou a ligar na escola para saber mais sobre o trabalho e se interessou em ir até lá falar sobre o paradeiro dos personagens. As crianças ainda estão procurando pelas personagens, mas o encontro com o colaborador está próximo, informou a professora.

"Quando a criança consegue perceber a sua participação no jornal e a repercussão que pode causar, tudo muda. Eles ficam motivados e o estímulo faz com que eles queiram ler e participar cada vez mais", afirma.

OUTRA HISTÓRIA
Com a história de João e o Pé de Feijão, os alunos aprenderam sobre a importância das imagens para ilustrar os textos, tanto das matérias jornalísticas como nas propagandas. A professora afirma que as crianças conseguiram identificar e interpretar os anúncios.

"Quando elas têm esse conhecimento prévio facilitado pelo jornal, fica fácil a associação dos conteúdos", explica. A partir daí, confeccionaram desenhos sobre o conto para serem fixados nos murais da escola.
Estudantes inventaram seus próprios classificados em aula

PROJETO JORNAL
Na Emeb Camila Tomashinsky, o uso sistematizado dos jornais em sala de aula como ferramenta lúdica, didática e pedagógica faz parte do Projeto Leitura e Literatura, que é amplo e aborda diferentes áreas da educação. O objetivo é estimular o gosto pela leitura e proporcionar o contato com a escrita. "Além da leitura e escrita, o trabalho com jornal incentiva a prática de atividades físicas, alimentação saudável, fala sobre educação ambiental e proporciona ao indivíduo a proximidade com os principais fatos da comunidade", ensina Andrea.

Mesmo com as crianças que ainda não estão em processo de escrita, o jornal é oferecido para que elas possam se familiarizar com o material. Eles também fazem a observação das imagens enquanto a professora lê as notícias pré-selecionadas para eles. "Tudo é feito de maneira lúdica. Adequamos a linguagem para que eles possam ter uma melhor compreensão de tudo aquilo que está na matéria, até mesmo os detalhes. Quanto mais inusitada for a foto, mais eles acham interessante", conta a professora.

Após esta etapa, as crianças conversam sobre as várias interpretações que cada um teve. "Muitos não têm o acesso ao jornal (fora da escola), então a atividade proporcionou esse primeiro contato", complementa.
Segundo Andrea, depois da implantação do uso do jornal em sala de aula, seus alunos conseguem compreender a importância da mídia. "Ele perceberam que os veículos de comunicação são importantes, pois informam as pessoas e elas podem participar deles”, concluiu.

Além dos contos de fadas, a professora ensinou sobre cordel, fábulas, lendas, cartas, anúncios, panfletos. Na maioria das atividades, utilizou o jornal como suporte.

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