quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gíria e fala coloquial


Por Roseli Imbernom

Fora de série, dez, de fechar o comércio, supimpa, uma brasa, legal, bárbaro, genial, bacana, demais, da hora, e mais um sem-número de outros termos podem ser utilizados por certos grupos de falantes usando o português do Brasil, pelo menos nos últimos tempos, para descrever algo que fosse realmente excelente. Assim também, de um homem que está ou sempre fica bêbado, pode-se dizer que ele está alto, de fogo, mamado, chumbado, bebaço, chutado, tomado, xambregado, de pileque, de porre, na água, ou então que ele tomou ou toma todas, que é um pau d'água, um chupa-rolha, uma esponja.



No Dicionário de Linguagem e Linguística, de autoria de R. L. Trask e publicação pela Edit. Contexto, essas expressões linguísticas informais denominam-se gírias e costumam ser típicas de um grupo social particular, durante um curto espaço de tempo, quando, então, caem em desuso e são substituídas por termos mais novos. Poucos são os casos de gíria com vida longa, tal como ocorre com o termo manjado, que há séculos permanece na língua portuguesa e ainda é usado e encarado como gíria. A maior parte das gírias em uso por mais tempo costuma perder esse status e passa a ser incorporada à língua, a exemplo de cola (plágio nas provas da escola), uma antiga gíria de estudantes que, hoje, inquestionavelmente, faz parte do português.

Na mesma obra, Trask observa que a fala coloquial caracteriza-se como 'fala corrente, distensa e informal', e que 'todos nós voltamos a uma variedade mais informal de nossa língua quando estamos completamente relaxados e livres de pressões'. Portanto, para esse linguista, de maneira bastante similar ao uso das gírias, 'quem fala português faz uso generoso de contrações como né e ocê; palavras e expressões fáticas como Falou!; enunciados abreviados como Tá certo; e ainda formas que evitaria em contextos formais, tais como Sei lá eu'.

Embora a fala coloquial e a gíria sejam semelhantes e pertençam à variedade mais informal da língua, elas não são a mesma coisa e nem devem ser empregadas em situações formais. É importante perceber que todo falante normal faz uso dessas modalidades apenas quando são adequadas. Assim também convém saber que 'usar uma fala formal em todas as circunstâncias seria altamente incomum, e virtualmente patológico', ainda ensina Trask.

Roseli Imbernom do Nascimento é mestre em Linguística e professora universitária.

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