terça-feira, 17 de janeiro de 2012

‘Como não descobrimos isso antes?”, diz educadora


As professoras e crianças durante
visita ao prédio da Folha da Região 

Por Ariadne Bognar

Durante todo o ano letivo de 2011, os professores da Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Cláudio Evangelista Teixeira, do bairro Alvorada, em Araçatuba, fizeram uso do jornal em sala de aula. O objetivo foi apresentar este veículo de comunicação para os alunos do berçário ao infantil 2 (crianças de zero a 6 anos) como ferramenta facilitadora no processo de aprendizagem, informação, conhecimento e entretenimento.

Apesar de o trabalho com jornal já ser desenvolvido há algum tempo na escola, ele ganhou mais atenção e força após a participação da coordenadora pedagógica Déborah Alves Bastos no curso de formação continuada para professores oferecido pelo Programa Jornal e Educação Ler para Crescer da Folha da Região.



A partir dos encontros, Déborah levou as sugestões para as reuniões de HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo) realizadas às segundas-feiras com todos os professores da escola. A proposta inicial foi desenvolver atividades que pudessem fazer o uso permanente do jornal desde sua utilização como matéria-prima para atividades de pintura, recorte e colagem até o trabalho mais pedagógico com alguns gêneros textuais.

ETAPAS
No maternal 1 (com crianças de 2 e 3 anos), as professoras Ana Paula Varoni Duchini Pedrosa e Camila Fagá de Souza Rodrigues trabalharam o jornal como recurso interativo e que pode ser reaproveitado. Os alunos fizeram recortes para exercitar a coordenação motora, colaram e pintaram. Confeccionaram móbiles e outros brinquedos, como ioiôs, além de fazer uma decoração atrativa para a sala de aula.

E para mostrar a importância de construir e ter uma identidade, a professora Simone Messias Caravante da Silva e os alunos do maternal 2 (crianças de 3 a 4 anos) aderiram à ideia de escolher um mascote para a sala. A educadora apresentou às crianças vários bichinhos e desenhos famosos e abordou qual a sua função deles. Depois, dentro do tema “Elementos da Natureza e Animais”, os alunos escolheram o Pica-pau para representá-los.

Eles fizeram um ambiente especial para que a ave ficasse exposta na sala de aula e montaram uma floresta com a ajuda de jornais.

Durante passeio, grupo da Cláudio Evangelista
conversou com jornalistas
HORA DA ESCRITA
Foram trabalhados diversos portadores de texto, como livros de histórias, jornais e panfletos. Simone leu todo o material para apresentar a diversidade textual que cada um desses materiais traz. Os alunos já fazem a pseudoleitura, ou seja, leem sem saber o que está escrito, apenas pela observação das imagens. "As crianças precisam ter acesso a essa diversidade (de textos) para desenvolver o comportamento leitor. No começo do ano (passado), eles rasgavam as páginas (ao manusear), agora já cuidam do livro e do jornal, e observam mais atentamente. Eles compreenderam qual é a finalidade do material", afirma a professora.

Na etapa 1 (crianças de 4 a 5 anos), o jornal Nossa Vez!, suplemento infantojuvenil da Folha, foi trabalhado como um dos portadores de texto. Os alunos sentavam em roda e a professora fazia a leitura das edições semanais. "O jornal sempre traz uma reportagem nova e isso amplia o modo como podemos utilizá-lo. Pode ser para falar de meio ambiente, animais, leitura, enfim é um instrumento que possibilita essa variedade", afirma a professora Keila Beatriz Fernandes Custódio. Como o jornal ficava exposto, os alunos voltavam várias vezes para fazer a pseudoleitura e ver as figuras.

CONSCIÊNCIA
De acordo com a professora, "o interesse dos alunos pela leitura do jornal cresceu. Alguns não têm este recurso e descobriram que o jornal é fonte para os mais variados assuntos, eles começaram a buscar mais por este veículo impresso".

Foi ensinado a eles que a capa do jornal traz manchete e chamadas para as principais notícias do dia e que nas páginas internas é possível encontrar matérias completas sobre os assuntos. "Apresentamos o jornal dentro da linguagem voltada para cada faixa etária. Eles podem até não compreender em profundidade, porém sabem que existe uma diversidade de produtos que informam e que eles podem escolher aquilo que vão ler".

As professoras e coordenadora mostram o quanto ficaram impressionadas com o que o uso do jornal proporciona tanto aos alunos quanto aos próprios educadores. "Os professores já absorveram a ideia de utilizar jornal em todos os momentos e com todas as séries. Os alunos também já respeitam mais o jornal. Não é porque a professora já leu o jornal que ele será descartado. Vamos reutilizar esse material, voltado para nosso projeto de sustentabilidade. O jornal é uma ferramenta pedagógica muito rica e eu me pergunto como não descobrimos isso antes", questiona Déborah.

2 comentários:

  1. Parabéns meninas!Ficou muito bom!Abraços
    Prof Carmen Leite
    Mazzei/Sônia M.Corrêa

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