sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Professores vão se aperfeiçoar nos EUA


Em janeiro próximo, seis brasileiros que lecionam inglês terão a oportunidade de passar cinco meses aperfeiçoando seus conhecimentos sobre a língua e a cultura norte-americanas. A chance é oferecida pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que promove o Programa Líderes Internacionais em Educação (Ilep, na sigla em inglês).

Com a ajuda do governo dos EUA, esses professores poderão viajar e se hospedar nos Estados Unidos, onde vão estudar em universidades e participar de um estágio em escolas locais. Entre eles, está uma professora do Centro Interescolar de Línguas (CIL) de Brasília. O grupo tem ainda educadores de Minas Gerais, do Espírito Santo, de São Paulo e do Paraná.


Os professores foram selecionados entre mais de 500 candidatos, e vão se juntar a um grupo de 80 intercambistas de 16 diferentes nações. Além dos brasileiros, participam do programa profissionais de países como Gana, Senegal, África do Sul, Filipinas, Egito, Marrocos e Peru.

Todos são professores da rede pública de ensino e vão frequentar, até maio, universidades em Ohio, Virginia e Carolina do Sul, nas quais terão aulas sobre metodologia de ensino, uso de tecnologia em sala de aula e língua inglesa.

Este é o segundo ano em que o Brasil participa da disputa. Em 2010, foram oito professores brasileiros agraciados.

“Estamos empolgados com a representação brasileira nessa seleção tão competitiva. Isso mostra a importância que o governo brasileiro dá ao ensino de inglês nas escolas públicas”, avaliou Susan Bell, adida cultural da Embaixada dos Estados Unidos.

Para ela, a iniciativa pode ajudar o país, escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “O objetivo maior do programa é promover o intercâmbio entre países, ajudar a construir laços pela Educação.”

Quando soube do Ilep no ano passado, a professora Alessandra Inácio, do CIL da Asa Sul, viu a oportunidade de finalmente fazer um curso nos Estados Unidos — mesmo após 10 anos ensinando inglês, ela ainda não teve recursos para visitar o país que serve como referência cultural da língua.

“Nunca me imaginei indo aos EUA por turismo, sempre quis fazer algum tipo de curso. Vi o programa e pensei: ‘É agora ou não vou conseguir mais’. É um programa muito focado. Nem pagando temos essa qualidade”, contou.

Reprovada na primeira seleção, ela adiou de vez os planos de viagem. Sem grandes expectativas, repetiu a prova, este ano, para acompanhar uma amiga.

Em outubro, chegou o aviso: ela foi escolhida para estudar na Universidade de Kent, em Ohio. Com maior conhecimento sobre a cultura norte-americana, Alessandra espera poder aprimorar as aulas, que hoje dependem de vídeos como referência.

“Os alunos querem saber gírias, entender trechos de músicas. E essa é uma coisa que não dá para tirar só de filmes.”

Conhecimento
A seleção começou em fevereiro. Depois da análise de currículos e de redação, os professores tiveram de fazer provas escritas e orais, além de comprovar o domínio da gramática e a conversação por meio do Teste de Inglês como Língua Estrangeira (Toefl, na sigla em inglês) e passar por uma entrevista.

Segundo a Embaixada dos EUA, este ano a seleção focou em professores que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o país e residentes em estados que vão receber a Copa do Mundo em 2014.

Para os organizadores e apoiadores do projeto, a oportunidade representa um ganho maior que o crescimento profissional dos educadores selecionados.

“A expectativa que temos é de que eles retornem e influenciem suas escolas e seus alunos, que sirvam de modelo e multipliquem essa iniciativa”, opinou Nilce Costa, secretária executiva do Conselho Nacional de Educação (Consed).

Morador de São João Batista do Glória (MG), Carlos Henrique Borim, 35 anos, já planeja dividir a experiência no exterior com os colegas da cidade, de apenas 7 mil habitantes. “Vou manter o blog e meus alunos vão me acompanhar no Facebook e no Orkut”, contou.

Estudante de tecnologia da informação, Borim planeja uma viagem ao Vale do Silício, na Califórnia. Quer se especializar na elaboração de cursos a distância. Apaixonado pelo tema, ele já manteve um curso de inglês e casou-se com uma colega de profissão.

O professor terá de se separar por cinco meses do clima ameno do interior mineiro, do filho André, 5 anos, e da mulher, Carolina, grávida de três meses. “Estou deixando uma Carolina por outra”, brincou, referindo-se ao estado da Carolina do Sul, no sudeste norte-americano. Ele retorna com o grupo em 18 de maio, apenas uma semana antes do dia previsto para o parto do segundo filho.

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