segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Pais aceleram educação dos filhos

Jornal da Paraíba

De acordo com a assessora do Sindicato das Escolas Particulares, Bernadete Lima, há realmente pais que querem adiantar os filhos na escola e forçam a matrícula em idade inadequada.

“A escola não deve fazer a matrícula porque o pai acha que o filho tem maturidade para a alfabetização. Existe uma coordenação pedagógica e psicológica nas escolas que pode avaliar se a criança tem tanto o conhecimento, como condições de acompanhar a turma”, disse Bernadete.

Segundo ela, há crianças que já entram nas escolas particulares antes dos 2 anos e cursam toda a Educação infantil, às vezes, com 2 ou 3 meses adiantado.


“Portanto, há muitos casos em que a criança com 5 anos já está apto, sabendo ler e escrever. Não seria justo não poder passar para o Ensino Fundamental”, afirmou a assessora do sindicato.
“Talvez, a resolução funcionasse apenas para as escolas públicas, nas quais as crianças começam a estudar a partir da alfabetização”, completou.

Para Cida Uchoa, da Secretaria de Estadual de Educação, há uma grande diferença em saber ler e ter um senso crítico. “Às vezes a criança já sabe decodificar as letras, mas não tem a menor ideia do que leu. O aprendizado cognitivo não deve ser o único parâmetro para dizer que a criança já está alfabetizada”, explica a gerente da Educação Infantil e do Ensino Fundamental da Secretaria Estadual de Educação.

Para o pedagogo e diretor de escola particular, Roberson Ramos de Vasconcelos, “ resolução do CNE é absurda”. Segundo ele, não é um ou dois meses a mais ou a menos que pode medir se a criança está apto ao Ensino Fundamental.

“O ensino na Educação infantil hoje em dia está mudado, as crianças estão mais avançadas e o seu conhecimento não pode ser medido apenas pela idade”, disse Roberson, que também é membro do Conselho Estadual de Educação.

Conselho diz que orienta escolas
A reportagem entrou em contato com o Conselho Nacional de Educação. A Secretaria Executiva do CNE, no entanto, apenas enviou por e-mail ofícios sobre a resolução.

Em ofício enviado ao procurador da República, Carlos Henrique Martins Lima, o presidente da Câmara de Educação Básica, Francisco Cordão, afirmou que “as normas, diálogos e entendimentos, há 5 anos, já vem orientando um enorme e bem sucedido esforço de alinhamento por parte das famílias, escolas, redes e sistemas de ensino em torno de um marco regulatório quanto aos procedimentos de matrícula das crianças no 1º ano do Ensino Fundamental”.

Nesse mesmo ofício, datado em 17 de novembro deste ano, Francisco Cordão, afirma que “a liberdade e a autonomia dos sistemas de ensino não podem significar soberania dos mesmos, de modo que coloque em risco o direito subjetivo universal das crianças brasileiras à Educação obrigatória”.

Ao final, ele diz: “seria um desserviço à Educação brasileira e um desrespeito a esses esforços retroceder a um novo quadro de desalinhamento e anarquia que favorecem uma competição espúria por matrículas praticadas em algumas poucas escolas e redes, competição que poderá ser muito prejudicial ao direito universal à Educação de crianças brasileiras”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário