terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Com cartas, os estudantes aprendem sobre cidadania


Da Redação
Professora Silvana trabalha características da carta

Ninguém deve duvidar da importância do exercício da leitura para o desenvolvimento crítico das pessoas. Nem da necessidade de se ter um ensino que desenvolva capacidades leitoras críticas nos alunos, que promova a inclusão na sociedade e seja um exercício de cidadania. Para que tudo isso ocorra, é preciso se apropriar dos gêneros textuais, instrumentos para se criar um ambiente de letramento na escola.

Acreditando nessas ideias, a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Professora Leonor Chaim Cury, de Birigui, desenvolveu, durante todo este ano, o projeto Para Escrever Bem é Preciso Ler Também, de produção de cartas. Os objetivos foram aperfeiçoar a gramática, estimular a leitura e contribuir para a formação do senso crítico que seja capaz de promover mudanças sociais.


PLANEJAMENTO
O Para Escrever Bem é Preciso Ler Também existe desde 2004. Até o ano passado, consistia em treinar o gênero carta junto as alunos do pré I ao 5º ano. Mas foi em 2011 que aconteceu a mudança.

A princípio, a professora Silvana Mendes trabalhou, nas aulas de língua portuguesa, a importância social da carta. Explicou a estrutura desse gênero, que contempla a identificação (local e data), a saudação e uma linguagem clara para transmitir ideias. Com isso, os estudantes identificaram também as diferenças entre a modalidade oral, usada por meio do registro informal, e a escrita, com o registro formal.

No começo do ano, durante a leitura do Nossa Vez!, suplemento infantojuvenil da Folha da Região, a coordenadora pedagógica Iracedes Aparecida Ratão Pereira enxergou uma oportunidade de motivar os alunos e propôs às crianças dos 5º anos que as cartas produzidas em sala de aula fossem direcionadas ao jornal como participação efetiva nas colunas escritas pelos leitores, como Meu Espaço, Enquete, Cantinho dos Desenhos, Cantinho da Poesia, entre outros.

DEPOIMENTOS
"Antes, eles produziam as cartas, porém não davam tanta importância, pois elas ficavam guardadas no caderno. Percebemos que o espaço no jornal seria uma ótima oportunidade para que eles se empenhassem, além da possibilidade de publicação, que os deixaria mais animados ainda", comentou a diretora Maria Silvia Sentoamore, para complementar: "Quando você escreve alguma coisa espera, no mínimo, que alguém possa ler e que aquilo promova uma reação".

Alunos dos 5º anos escrevem ao Nossa Vez!
No início, os alunos não sabiam muito bem como passar as ideias para o papel e focar o texto em um único assunto. "Tudo é processual. Os aspectos da esfera jornalística e da esfera cotidiana, no caso da carta, precisam ser trabalhados passo a passo até o aluno adquirir o gosto pela atividade”, explica a diretora.

No pré I, os alunos formam um círculo e a professora Silvana faz a leitura de notícias sobre leitura, arte, desenhos e enquete. Então começa o bate-papo e cada aluno expõe a sua opinião. A professora, ao final, escreve uma carta coletiva. Conforme as séries, ela aprofunda mais a análise das reportagens até eles começarem a escrever suas próprias cartas. “Aconteceu uma reação em cadeira. Todos os alunos escrevem e participam com textos e desenhos", afirma Silvana Mendes.

PARA MELHOR
"As crianças ficaram mais motivadas quando começaram a ler as cartas publicadas. A maneira como eles se expressavam mudou muito, para melhor. Quando o primeiro aluno ganhou o livro, fizemos uma festa na escola", relembra a diretora Sílvia.

Hoje, o trabalho vai desde a leitura do jornal até o empréstimo do exemplar para que o aluno possa levar para casa para a família. Os pais participam das atividades a podem utilizar a biblioteca da escola para
pesquisa e leitura de livros e jornais. Isso faz parte do processo de estímulo.

“O trabalho em sala de aula levou os alunos a conhecerem o jornal com mais profundidade, melhorando, com isso, o entendimento de imagens e de textos, bem como a escrita e produção de imagens. Também levou os alunos a refletirem sobre a conexão da vida cotidiana com tudo aquilo que é noticiado”,comentou a diretora.

Para melhorar o trabalho com jornal em sala de aula, a professora Silvana participou do curso de formação continuada para professores promovido pelo Ler para Crescer. Os encontros buscam apresentar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso, como ferramenta didática e pedagógica.

NA GRADE
Agora, os professores da escola contam com o apoio da direção e da coordenação pedagógica para trabalhar com jornal em sala de aula. As propostas de atividades a serem realizadas com o jornal foram inseridas na grade curricular.

No plano de ensino estão previstas atividades com manchetes, notícias e artigos de opinião, de acordo com a idade do aluno. Desde o pré as crianças conhecem os cadernos do jornal e como ele é composto. Com as demais séries, cada professor pode trabalhar, aos poucos, outros gêneros jornalísticos, sempre de acordo com a faixa etária da criança.

Os professores participam de reuniões durante todo o ano onde são discutidos os tópicos e como cada um pode trabalhar o conteúdo do impresso com suas turmas. A coordenação pedagógica vai orientando as ações.

Maria Silvia Sentoamore atesta: "O jornal é uma ferramenta a mais, é uma nova possibilidade do professor trabalhar em sala de aula. Aqui podemos ver os avanços que cada aluno obteve por meio do trabalho com jornal".

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