sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Somos 7 bilhões: e agora?


Em 31 de outubro de 2011, o mundo atingiu a marca de 7 bilhões de habitantes. Convoque a turma para avaliar o que isso significa.

Objetivos
- Analisar o significado do atual contingente da população mundial.
- Compreender os comportamentos demográficos em diferentes países e no mundo como um todo.

Conteúdos
- Crescimento da população mundial.
- Evolução das taxas de natalidade, mortalidade e expectativa de vida no mundo.
- Juventude e questões de gênero.
- O mundo do trabalho.
- Urbanização.
- Gestão dos recursos naturais e dos padrões de consumo.


Tempo estimado
Cinco aulas

Material necessário
Computadores com acesso à internet para que os alunos leiam a reportagem “Mundo enfrenta novos desafios ao chegar aos 7 bilhões de habitantes”, disponível em http://abr.io/1VHJ, e realizem atividades de pesquisa.

Introdução
A pequena Danica May Camacho, nascida nas Filipinas em 31de outubro de 2011, foi a criança escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como símbolo da marca de 7 bilhões de habitantes em nosso planeta. Há poucos dias, o Fundo de População das Nações Unidas divulgou o relatório “Pessoas e possibilidades em um mundo de 7 bilhões”, fazendo um balanço do crescimento populacional e examinando situações do presente e tendências para o futuro. Em seu prefácio, o documento assinala que as preocupações com o fato de sermos tão numerosos e qual a quantidade de pessoas que a Terra pode sustentar são muito importantes. O documento também convida à reflexão sobre o que podemos fazer para melhorar a vida das pessoas e fazer com que o crescimento populacional e econômico seja mais sustentável, evitando pressão e esgotamento dos recursos disponíveis na Terra. Em função dessa marca tão expressiva, Veja e Veja.com publicam textos, dados e infográficos que ajudam a refletir sobre os rumos e perspectivas da vida humana. Convide a turma a investigar o assunto.

Desenvolvimento
1ª e 2ª aulas
Inicie perguntando aos alunos se eles acompanharam pelos meios de comunicação as notícias sobre o crescimento populacional e a marca de 7 bilhões de habitantes na Terra. Informe que nas próximas aulas vocês irão investigar como o mundo pode sustentar toda essa população.

Dedique as duas primeiras aulas para o debate de algumas situações-problema e o levantamento inicial de dados pelos alunos. Assinale que o segundo bloco de aulas estará reservado à apresentação de seminários com as conclusões dos estudantes e um debate coletivo sobre os resultados.

Em seguida, enuncie para a turma algumas questões-chave, que servirão de guia para o levantamento e organização dos dados: como foi a evolução do crescimento populacional ao longo do tempo? O que ocorreu com a população mundial ao longo do século 20? Quais as razões para o crescimento populacional nesse período? Quais são as diferenças entre países e regiões do mundo? Quais as projeções e estimativas para as próximas décadas? O que cabe às novas gerações nesse quadro? Converse com a turma sobre essas questões, ouça as opiniões e registre as impressões de todos na lousa.

Depois, proponha que os estudantes se dividam em pequenos grupos, de três ou quatro alunos, e passem à coleta e seleção dos dados. Consultando o infográfico “Você entre os 7 bilhões”, de Veja.com, eles poderão verificar como foi o crescimento populacional mundial nos últimos dois séculos.

Conte que o mundo conheceu a marca de 1 bilhão de pessoas em 1804. Em 130 anos, por volta de 1930, esse número dobrou. De 1930 a 2011, o planeta teve extraordinário crescimento, chegando aos atuais 7 bilhões. Portanto, em 80 anos, a população mundial foi multiplicada em mais de três vezes.

Sugira à turma que verifique no infográfico que a previsão demográfica para as próximas décadas indica um ritmo de crescimento menos acelerado. De um lado, isso significa que a “bomba demográfica”, foco de inúmeras polêmicas, está sendo desativada. Por outro lado, permanece a questão, aliada às políticas demográficas, de como adequar padrões de consumo, produção de alimentos e gestão dos recursos naturais para a população atual. Caberá aos Estados e sociedades atender grupos e faixas etárias segundo suas demandas específicas. Diga aos alunos que vocês voltarão a esse assunto mais adiante.

Nesta etapa de investigação e coleta de dados, peça aos grupos que explorem algumas causas dos comportamentos demográficos apresentados nos gráficos. O rápido crescimento após 1930, em especial depois do final da Segunda Guerra Mundial, está associado a uma redução das taxas de mortalidade, em especial nos países do mundo em desenvolvimento. Essas taxas estão associadas a uma relativa expansão, nesses países, de serviços essenciais, como saúde e saneamento básico. Segundo a ONU, campanhas de imunização contribuíram para a redução da mortalidade infantil.

Para orientar a turma, apresente alguns dados: a taxa de mortalidade declinou de 133 óbitos em cada mil nascidos vivos, na década de 1950, para 46 por mil no período 2005-2010. Enquanto isso, a expectativa média de vida dos habitantes do planeta saltou de cerca de 48 anos, no início dos anos 1950 para cerca de 68 anos no início do século 21.

Você também deve informar aos alunos que houve um rápido decréscimo das taxas de fecundidade, desde o pico observado entre 1965-1970 – ou seja, hoje, diminuiu a proporção de crianças e aumentou a de idosos no total geral mundial.

Neste ponto da aula, vale a pena examinar os resultados encontrados em diferentes grupos de países e regiões. Mostre à turma que nos países ricos o declínio da fecundidade (número médio de filhos que se espera de uma mulher no seu ciclo reprodutivo) foi muito pronunciado, de 1,7 filhos por mulher, abaixo da taxa de reposição populacional – que é de 2,1 filhos por mulher. Nos casos da Finlândia e da Macedônia, estudados pela ONU, o desafio é incentivar a maternidade, oferecendo apoio para que as mulheres tenham mais filhos. Em países menos desenvolvidos, ela segue alta, na casa dos 4,2. E, sobretudo, na África subsaariana, com 4,8 filhos por mulher. Houve declínio acentuado fecundidade também na América Central e no leste da Ásia.

Destaque, também, o comportamento dos dois gigantes demográficos do planeta, a China e a Índia. De acordo com o relatório da ONU (veja mais informações no item “Quer saber mais?”, no final deste plano de aula), estima-se que em 2025 a Índia, com cerca de 1,46 bilhão de habitantes, terá superado a China (1,39 bilhão naquele ano). Poderá haver declínio e estabilização da população chinesa – hoje influenciada pela política do filho único, em voga no país há décadas. A Índia deverá continuar crescendo, com estabilização e declínio após 2060.

Assim, a Ásia permanecerá como a área mais populosa do planeta, mas espera-se crescimento significativo da África nas próximas décadas. Estimativas indicam que a população africana poderá triplicar até 2100 – algo que deverá ser acompanhado para se verificar se realmente vai se confirmar.

Com base nesses dados – e é importante ressaltar para os alunos – hoje, apesar da redução da fecundidade e da natalidade, a população de jovens até 25 anos ainda representa 43% da população mundial. Para concluir, proponha aos grupos que organizem os dados segundo os diferentes indicadores da dinâmica demográfica, indicando também ocorrências nas diferentes regiões e países.

3ª, 4ª e 5ª aulas
As três últimas aulas serão dedicadas à elaboração dos materiais e à apresentação dos resultados das investigações dos grupos para toda a turma, em forma de seminários.

Incentive os alunos a prepararem tabelas, gráficos e quadros-síntese com os dados demográficos sobra a explosão populacional mundial nas últimas décadas. As análises e reflexões deverão vir acompanhadas do estabelecimento de relações entre o comportamento demográfico e os quadros econômico-sociais e culturais atuais. Proponha que os alunos dividam-se em, pelo menos, três grandes grupos para pesquisarem os temas descritos a seguir:

Juventude e gênero - Mesmo com o declínio das taxas de fecundidade e natalidade, temos hoje um grande contingente de jovens no planeta. Isso implica desenvolver políticas educacionais, de saúde e de criação de oportunidades de emprego. Da mesma forma, é preciso criar políticas continuadas de promoção da igualdade de gênero, além de oferecer serviços de educação e saúde reprodutiva às meninas. Segundo a ONU, deve-se criar, também, potencial para esses jovens – homens e mulheres –, pois eles é que vão desenhar o futuro do planeta no século 21. Políticas de imigração precisam também de coordenação e acordo entre os países. Não se deve desconsiderar o peso das remessas de recursos para sua terra natal de imigrantes jovens e adultos imigrantes que vivem e trabalham nos países ricos.

Envelhecimento da população - O aumento do contingente de idosos aponta para a necessidade de maior atenção aos serviços (saúde, transportes, trabalho, previdência e assistência social etc.) aos que possuem mais de 60 anos. Demandas desse tipo já ocorrem na Europa há décadas e vêm se configurando em países como o Brasil, que vive um momento de transição demográfica.

Planejamento urbano e gestão dos recursos naturais – Cada vez mais as pessoas buscam as cidades para viver. Mesmo assim, a urbanização é reconhecidamente um freio ao crescimento populacional. No quadro demográfico atual, é preciso que as cidades se preparem para acolher os recém-chegados e busquem formas de crescimento planejado e sustentável. Iniciativas no transporte público, expansão de áreas verdes e políticas habitacionais e de saneamento básico são imprescindíveis. A gestão dos recursos naturais supõe reduzir a pressão sobre as coberturas vegetais, água e fontes de energia, entre outros pontos. Para isso, é preciso avaliar criticamente os padrões de consumo vigentes nos países ricos. Estimativas indicam que se o padrão de consumo mundial fosse do mesmo nível que o dos Estados Unidos, a Terra suportaria apenas 1,7 bilhão de habitantes. Assim, precisa haver maior equilíbrio na oferta e consumo de bens e alimentos no mundo como um todo.

Reserve o tempo de duas aulas para que os alunos façam as pesquisas sobre cada um dos temas propostos para seminário e confeccionem os materiais para a apresentação. Você deve acompanhar este trabalho e orientar os grupos, fornecendo algumas informações, tirando dúvidas e indicando fontes confiáveis de pesquisa.

A última aula será dedicada à apresentação dos grupos. Estipule um tempo para as falas dos alunos, registre as informações mais importantes das apresentações e, ao final, promova um debate coletivo com toda a turma. Considere também a possibilidade de expor os paineis com os resultados da pesquisa na escola e para a comunidade escolar.

Avaliação
Leve em conta a participação de cada aluno nas tarefas individuais e coletivas. Considere a produção escrita para os seminários e a exposição dos alunos e dos grupos. Avalie também o domínio de noções como crescimento populacional, expectativa de vida, natalidade e fecundidade, com base nos objetivos estabelecidos no início desta sequência didática.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-aula-somos-7-bilhoes-agora-645218.shtml

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