terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lauro Bittencourt aposta na cidadania dos alunos


Ariadne Bognar

Esperar pela mudança? Não! Um dos ensinamentos de Mahatma Gandhi - “é preciso ser a mudança que queremos no mundo” - motivou educadores e estudantes da Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Lauro Bittencourt, no bairro Amizade, em Araçatuba. Lá, eles criaram o "Parceirinhos da Escola", projeto escolhido em segundo lugar pela comissão julgadora do concurso cultural Meu Mundo Melhor, promovido pelo Programa Jornal e Educação Ler para Crescer e a Folha da Região. O Colégio Geração Raízes, do bairro Nova Iorque, ficou em primeiro lugar com um projeto de sustentabilidade.

No “Parceirinhos da Escola” aproximadamente 48 alunos, escolhidos entre seis turmas de 4ª série, participam do trabalho, que tem por objetivo integrar as crianças e adolescentes em atividades sociais e educativas, que variam desde ajudar as crianças menores a se alimentar ou cuidar para que os colegas não joguem lixo no chão até ensinar língua portuguesa, matemática, ciências, história e geografia para aqueles com mais dificuldades de aprendizado, tudo isso como forma de ocupação, crescimento social e intelectual.


FORA DA RUA
O “Parceirinhos da Escola” nasceu de uma necessidade social. Pesquisa realizada há vários anos consecutivos pela escola constatou que os alunos com desempenho abaixo da média são aqueles que ficam na rua o dia todo. “Várias vezes busquei estudantes que estavam na lan house em horário de aula”, exemplificou a diretora Silvana de Souza.

Essa realidade motivou a coordenadora pedagógica Marisa Aparecida Matos. "Alguma coisa precisava ser feita para trazer essas crianças de volta para dentro da escola", disse. A ideia foi unir o convívio social com o desenvolvimento intelectual.

Os desafios eram muitos: tirar os alunos da rua, estimular o desenvolvimento de potencialidades focadas em valores éticos e sociais, gerar uma vivência escolar significativa e responsável que repercutisse na vida adulta desses indivíduos, entre outras.

Para atingir os objetivos, foram realizadas, primeiramente, reuniões com os familiares e/ou responsáveis pelas crianças. Vários reconheceram que os jovens tinham dificuldades e desinteresse pela escola e viram no projeto uma oportunidade de mudança. “Identificamos o problema e tentamos encontrar uma solução. Focamos na perspectiva e não no problema. Temos que ver a deficiência e pensar numa estratégia para solucionar", resume a diretora.

LOGOMARCA
A participação dos alunos se deu desde o início para escolher a logomarca do projeto. Os estudantes fizeram desenhos e foi feita uma votação entre eles para saber qual se enquadrava mais com o perfil do trabalho.

Entre as atividades desenvolvidas pelos "Parceirinhos da Escola" atualmente estão as brincadeiras na hora do recreio com as crianças, leitura de livros e aulas de reforço.

A estudante Jaqueline Soares dos Santos, 10 anos, é um "Parceirinho" e prepara aulas para ajudar os colegas. "No começo eu não gostava muito de estudar, ficava em casa sem fazer nada, até minha mãe achava que esse projeto nem iria ajudar. Hoje eu gosto de estudar e até preparo um caderno com todas as aulas a serem feitas com os alunos que têm dificuldades", conta.

VAGAS ABERTAS
O “Parceirinhos” nasceu com os alunos das 4ª séries, mas atualmente há possibilidade de estudantes de outras séries participarem. Para conseguir uma vaga, o passo inicial é promover atitudes de melhorias sociais com atividades voluntárias. Depois, há um período de capacitação com a coordenação.

Quem participa do projeto recebe uma camiseta para ser identificado pelos demais. Eles seguem o Código de Ética feito pelos participantes. A cartilha ensina como falar com amigos sem ser grosseiro, como ajudar, como tratar bem o colega, entre outras dicas.

Para planejar o trabalho, os estudantes levantaram quais atividades poderiam ser desenvolvidas para melhorar o desempenho de todos na escola. Desde então os "Parceirinhos" se revezam durante toda a semana em horário inverso às aulas.

IDENTIFICAÇÃO
A diretora Silvana dos Santos aposta no trabalho devido à identificação entre as crianças e jovens. “Como eles são da mesma idade, a linguagem usada facilita a compreensão”. Ela complementa: "Às vezes o professor explica, mas é com um amigo, com um jeito mais fácil de falar, que aquela criança acaba aprendendo".

Entre as últimas atividades, foram feitas campanhas focadas na sustentabilidade, como recolhimento de pilhas, e pelo desarmamento. Muitos estudantes entregaram suas armas de brinquedo.
O próximo passo é desenvolver um jornal mural com notícias escritas pelos alunos sobre acontecimentos da escola e de toda a comunidade em torno dela. Este projeto está em andamento.

Os ‘Parceirinhos’ já realizam a leitura de jornais, como a Folha da Região, entregue diariamente na escola porque ela é parceira do Ler para Crescer. Aliás, desde que a coordenadora Marisa Matos participou dos cursos de formação continuada do Projeto Jornal e Educação, os educadores da escola motivam a leitura deste veículo de comunicação e ajudam os estudantes a diferenciar alguns conteúdos como notícias, reportagens, artigos, entre outros gêneros.

"Estamos mais interessados em ler e aprender, e sabemos que é importante ajudar as pessoas a serem melhores. Ajudamos os alunos para eles poderem passar de série e quando eles crescerem possam ter um bom trabalho", contam os estudantes Bárbara Alves da Silva, 9 anos, Tamires Andressa da Costa, 10 anos, Tainára Beatriz Ribas Jesus da Silva, 10 anos, Elvis Elias da Silva, 10 anos, Felipe Ramos Borges, 10 anos, e Murilo Martiniano Vargas, 10 anos.

O balanço dos idealizadores do “Parceirinhos da Escola” é positivo: “A partir do momento que os alunos se sentiram parte da escola e responsáveis pelas melhorias, a autoestima e a capacidade produtiva deles aumentou”, afirma a coordenadora Marisa, para finalizar: "Nós estamos muito felizes”.

2 comentários:

  1. Aí "Ler para Crescer..." acertaste em cheio: a palavra é exatamente esta: APOSTA...a direção e equipe acreditaram e as crianças corresponderam...obrigada a vocês também pela credibilidade,viu?Nossa rede municipal está abarrotada de escolas com muita coisa boa...e que bom que tem quem queira divulgar... Emeb Lauro Bittencourt agradece em nome das outras dezenas de escolas da rede...

    ResponderExcluir
  2. Silvana de Sousa e Souza8 de novembro de 2011 22:13

    Como diretora da EMEB Lauro Bittencourt, quero agradecer a Folha da Regiao pela iniciativa deste concurso e ao Ler Para Crescer pela constante capacitação que nos proporciona. Certamente o reconhecimento obtido através do resultado do concurso e o espaço na imprensa para compartilhar nosso trabalho, foram fatores de grande motivação à toda equipe e em especial aos nossos alunos, os "Parceirinhos" que não tem poupado esforços para colaborar com a construção de "Um mundo melhor".

    ResponderExcluir