quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Educar é mais barato

Carlos Carone / Jornal de Brasilia

Cifras milionárias separam os custos do Governo do Distrito Federal com alunos da rede pública de ensino e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em alguma das quatro unidades de internação. Enquanto um aluno regularmente matriculado no Ensino Médio custa, anualmente, R$ 2.741,79, um adolescente internado em regime estrito não sai por menos de R$ 4,6 mil mensais. Se os gastos anuais forem comparados, o jovem sob a tutela do estado custa 20 vezes mais do que o estudante.

Para a educadora Antônia Lima Gomes, os números revelam que seria muito mais barato para o Estado investir em educação e garantir a permanência das crianças e dos adolescentes na escola por mais tempo, dando a eles melhores oportunidades de vida, do que correr atrás do prejuízo e tentar consertá-los depois que viram infratores.


"As prioridades devem ser in-vertidas. Quando o País encarar de frente o desafio de investir maciçamente em educação, muitos desses problemas sociais serão reduzidos. Mas falta vontade política", reclama ela, que lida com adolescentes em situação de risco.

Para comparar as duas realidades e, principalmente, os valores que cada uma delas acarreta, a reportagem do Jornal de Brasília utilizou dados relacionados aos repasses de recursos feitos pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), vinculado ao Ministério da educação. Para revelar os gastos com os adolescentes sob internação foram usadas informações de um estudo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República.

O levantamento da SDH destaca, ainda, que o custo para manter um adolescente internado chega, em alguns estados do País, a R$ 7 mil mensais. A quantia seria suficiente para manter um jovem em uma escola de alto padrão social. No DF, o erário sofre baques financeiros ainda mais fortes se forem levados em consideração, por exemplo, os valores gastos na Unidade de Internação de São Sebastião (UISS), antigamente conhecido como Centro Socioeducativo Amigoniano (Cesami).

Atualmente, os gestores da unidade possuem um contrato no valor de R$ 780 mil com o GDF, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural (Indsac), Cássio Reis de Moura. "Com capacidade para 120 adolescentes, cada um deles custa R$ 6,8 mil mensais para o governo se dividirmos o valor do contrato anual pelo número de internos". Reis ainda destacou que o mesmo contrato chegou a alcançar o pico de R$ 1,2 milhão em 2003 e foi baixando com o passar dos anos.

REINCIDÊNCIA

Apesar do alto investimento, a ausência de políticas públicas provoca efeitos colaterais como a alta taxa de reincidência - aproximadamente 50% - entre os cerca de 600 adolescentes que fazem parte do sistema de aplicação de medidas socioeducativas. Essa é a principal deficiência apontada pelo doutor em educação e professor da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni.

Nenhum comentário:

Postar um comentário