segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Pedagogia a distância é 4° em matrículas

Sérgio Teixeira
Adultos que já estão no mercado de trabalho e
que buscam melhores salários estão no perfil
dos que mais buscam pela modalidade EAD

O Mapa do Ensino Superior no Estado de São Paulo aponta a formação de professores a distância como uma tendência para o Estado de São Paulo. Na região de Araçatuba, dos 2.736 alunos matriculados no curso de pedagogia em 2009, 1.116 cursavam a graduação pela modalidade EAD (Educação a Distância).

O montante representa 41% das matrículas.
A pedagogia a distância se tornou o quarto curso mais procurado da região de Araçatuba, ficando atrás somente das graduações presenciais em administração (2.588 matrículas), direito (2.313) e pedagogia presencial (1.620). Formar professores por meio da EAD tem atraído mais público do que muitos cursos tradicionais, como ciências contábeis (884) e enfermagem (760).

Na região de São José do Rio Preto, a pedagogia a distância superou até mesmo a modalidade presencial do mesmo curso. A pesquisa do Semesp mostrou que, enquanto 1.996 universitários frequentavam as salas de aulas diariamente para receberem o título de professor, 2.592 futuros professores estavam se capacitando dentro de suas próprias casas. A mesma coisa acontece na região de Marília.


PERFIL
A educadora Maria das Graças Rodrigues de Paula, diretora do polo Unopar (Universidade Norte do Paraná) em Araçatuba, explica que o perfil do aluno que escolhe a EAD é formado por pessoas que já estão no mercado de trabalho, adultos (com mais idade) e que buscam melhores salários. Há também os alunos que estão procurando uma profissão. "A carga horária na EAD é a mesma do sistema presencial, tanto para o curso quanto para o estágio, pois são seguidas as diretrizes do MEC (Ministério da Educação)", explica Maria.

Na pedagogia a distância, Maria lembra que uma das vantagens é aproximação do futuro docente com as tecnologias digitais. "Esse é um aspecto vantajoso, pois o estudante na EAD aprende a fazer pesquisas pela internet e a utilizar outros instrumentos tecnológicos, que estão presentes no cotidiano dos jovens."
No geral, quem escolhe a graduação pela EAD precisa acompanhar as aulas presenciais uma vez por semana.

O restante do curso é feito no local e horário que estiverem disponíveis ao estudante, como a própria casa, por meio de sistemas virtuais. Realização de provas, trabalhos, TCC (trabalho de conclusão de curso), leituras de livros (muitos digitais) são algumas das obrigações deste estudante. "Foi disseminado de forma errada que o curso a distância era fácil, mas não é", ressalta a diretora.

SONHO
A professora Teresinha Geraldo, 64 anos, chegou a atuar como docente eventual. Em 1995, ela obteve o diploma do antigo curso de magistério. No entanto, a valorização cada vez maior do curso superior fez com que ela fosse afastada do mercado de ensino. Para atingir o sonho de voltar a trabalhar com crianças, a educadora ingressou este ano num curso de pedagogia EAD. "É meu sonho voltar para a sala de aula, por isso estou lutando", afirma Teresinha.

MENSALIDADE
O fator que mais pesou na sua opção pela EAD foi o valor menor da mensalidade, em comparação aos preços dos cursos presenciais. Outra vantagem é a possibilidade de conciliar estudos com os afazeres domésticos. Diariamente, ela reserva um horário da tarde para estudar pelo computador de casa.

O encontro presencial ocorre na sexta-feira. Ela vai a pé do bairro Umuarama, onde vive, até o Nova Iorque, onde está a faculdade. Segundo a professora, se tivesse que se deslocar de coletivo, acabaria gastando mais. "Todo o esforço compensa. Meu sonho é voltar para a educação infantil."

TUTORA
A professora Vânia Poliana Lopes de Oliveira Britto, 24, concluiu a graduação em pedagogia pela EAD em 2008. A opção pela modalidade de ensino ocorreu por causa da necessidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Há três anos e meio, a docente atua como tutora de um curso a distância, tendo como missão ajudar outros universitários a se tornarem educadores. "A EDA exige muito do aluno. Ele tem que aprender e procurar o conhecimento e o saber", explica Vânia. Ela diz que ainda existem muitos paradigmas a serem quebrados sobre o ensino a distância. No entanto, ela aposta que, nos próximos anos, deverá crescer o número de jovens escolhendo esta modalidade de ensino.

Programas do governo incentivam graduação

Pessoas que enfrentam dificuldades socioeconômicas para entrar e permanecer no ensino superior privado podem recorrer aos programas governamentais de auxílio educacional. Dentre os mais conhecidos no Estado de São Paulo, estão o Prouni (Programa Universidade para Todos), do Governo Federal, e Bolsa Universidade, do Governo do Estado.

De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, a Diretoria de Ensino de Araçatuba possui 212 vagas para bolsistas, sendo que 172 estão ocupadas. O município de Araçatuba detém 118 vagas. Para se candidatar, é preciso estar regularmente matriculado em uma instituição de ensino superior conveniada, não receber outra bolsa ou financiamento e exercer a função de educador universitário no programa Escola da Família.

PROUNI
Desde o início do Prouni, em 2005, foram concedidas 1.684 bolsas de estudo para o município de
Araçatuba. Atualmente, 886 benefícios estão sendo utilizados. Além de custear parcialmente ou integralmente o curso superior, o Governo Federal oferece ainda a bolsa permanência, benefício concedido a estudantes matriculados em cursos presenciais, com carga horária superior ou igual a seis horas diárias de aula. O valor da bolsa é de R$ 360.

Para aderir ao programa, o aluno precisa preencher vários requisitos e ter feito o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

FINANCIAMENTO
Além das bolsas, há opção do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na educação superior de universitários matriculados em instituições privadas.

Foto: Dayse Maria/Folha da Região - 14/10/2011

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