quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O bem que a leitura faz

Capa do Nossa Vez! desta quarta-feira (12)
Sérgio Teixeira

A infância é o momento ideal para criar o gosto pela leitura. O contato com as palavras e imagens, além de estimular o hábito, auxilia na imaginação dos pequenos. Não é à toa que hoje (dia 12), quando se comemora o Dia das Crianças, também se celebra o Dia Nacional da Leitura.

Lendo é possível conhecer personagens, culturas e lugares sem sair do lugar. Quem nunca se identificou com o protagonista de um romance e, tomando contato com as emoções vividas por ele, descobriu os próprios sentimentos? Quem, pelas frases de um conto, não viajou para outros lugares - reais ou fictícios - e criou em sua cabeça um mundo novo?

Mônica Cordeiro Rodrigues, 10 anos, de Araçatuba, diz que as experiências proporcionadas pelos livros são únicas. “Quando você lê um livro, parece que você está na história. Ler também é um passatempo divertido”, afirma. “Antes, na hora de escrever, eu trocava as letras, mas depois que passei a ler mais, minha ortografia melhorou.”


CLÁSSICOS
Mônica viveu muitas emoções nos últimos meses com algumas histórias clássicas. Ela gostou da coleção “Recontar”, publicada pela editora Escala Educacional. “São histórias conhecidas em todo o mundo, que foram recontadas para crianças e adolescentes.”

Mônica Cordeiro Rodrigues e Álex Marcelo Muniz Felipe,
de Araçatuba, gostam bastante de ler
Dentre as obras que mais chamaram a atenção de Mônica, estão “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, “Os Doze Trabalhos de Hércules”, de Eurípedes, “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, “Vinte Mil Léguas Submarinas”, de Júlio Verne, entre outros. A editora comercializa as obras ao custo médio de R$ 27,50, por volume.

A aluna tem um gosto bem variado na hora de ler, que inclui também gibis da “Turma da Mônica Jovem”.
No entanto, uma obra em especial a conquistou recentemente: “Fala Sério, Amor!” (editora Rocco, R$ 26,50). O livro narra as descobertas amorosas da infância até o fim da adolescência da personagem Malu. “É mais para meninas”, explica Mônica.

AVENTURA
Álex Marcelo Muniz Felipe, 10, diz que gosta da coleção de livros do bruxo Harry Potter, mas um dos volumes conquistou espaço privilegiado em sua prateleira foi “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (Rocco, R$ 66,50). “É bem focado na história de Harry. Ele traz 704 páginas para ler, bem mais do que o último volume”, conta.

"Livro proporciona experiências únicas", diz  Mônica
Na obra sugerida por Álex, Potter chegou à adolescência. Além das transformações desta época tão importante, o bruxo vive seus dias mais sombrios na escola de magia de Hogwarts. O livro tem cerca de 255 mil palavras e pesa 800 gramas. O fã araçatubense de Harry diz que, além de não ser correto julgar um livro pela capa, não se deve também julgá-lo “pela quantidade de páginas.” “Os livros têm muitas palavras novas que me ajudam na hora de escrever. Leitura, para mim, é conhecimento de mundo”, completa Álex.

DEDICAÇÃO
O escritor de literatura infantojuvenil Ilan Brenam, doutor pela Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), defende que é preciso ter seriedade para escrever para o público infantil. “Livro para criança é coisa séria. Não é livrinho e não é historinha”, disse ele, durante uma entrevista à TV Cultura este ano. Brenam lembrou que a literatura infantil precisa ser muito valorizada, pois os grandes escritores leram este tipo de obra. “Quando escrevo, nunca subestimo a inteligência da criança.”

Alex gosta de conhecer palavras novas que o ajudam na
hora de escrever
Outro que defende a leitura na infância é Mário Lages, conselheiro do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa. Ele ajudou a fazer a pesquisa “Os Estudantes e a Leitura”. Em seu trabalho, Lages diz que ler ajuda a criança a criar imagens da realidade. “A leitura é fonte de conhecimento. Por meio dela, aprendemos a nos expressar melhor, criamos imagens do mundo e de nós mesmos.”

Araçatuba tem pontos de leitura
A Secretaria da Cultura de Araçatuba, juntamente com a Biblioteca Pública Rubens do Amaral, disponibiliza pela cidade pontos de leitura que estão instalados na Prefeitura, Pronto-socorro Municipal, Praça João Pessoa, Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba) e na própria secretaria.

De acordo com o secretário da Cultura, o professor Hélio Consolaro, os pontos surgiram devido à necessidade de criar mais oportunidades de leitura. As pessoas pegam os livros, levam para casa e deixam outros livros. “Para que o projeto seja ampliado, é necessária a doação de livros”, revela o secretário. A população poderá doar deixando os livros na secretaria e também na biblioteca.

Outro local que tem um ponto de leitura é a Praça Antônio Vilella Silva, cuja administração e manutenção é feita pelo Colégio Geração Raízes de Araçatuba. Os livros ficam em cestas de frutas, decoradas pelas crianças, à disposição de qualquer pessoa, é só chegar e ler.

Para a diretora pedagógica da escola, Susana Carvalhaes Ferreira Fregonesi, sempre buscar livros em locais óbvios pode prejudicar o interesse. “Percebemos que as pessoas, quando precisam ir à busca da leitura, acabam se acomodando a pontos tradicionais, ou seja, às bibliotecas. E encontramos uma maneira de tornar essa leitura mais visível”, diz ela, “um dos nossos objetivos é tornar a leitura de livros, revistas e jornais mais acessível com o objetivo de formar leitores de qualidade.”

Atualmente, são encontrados nos pontos obras de autoajuda, literatura infantojuvenil e adulta, além de revistas sobre diversos temas e jornais. Doações para os pontos de leitura podem ser feitas na Secretaria Municipal de Cultura (Rua Anita Garibaldi, 75, Centro. Telefone: 3636-1270) e no Colégio Geração Raízes (Rua Prof. Jorge Corrêa, 463, Jardim Nova Iorque). Ariadne Bognar

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