segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estudo indica evasão regional de 16,9%



Fernando deixou o curso por não
conseguir conciliar com o trabalho

Sérgio Teixeira


De cada cem alunos que ingressam na faculdade, 16 abandonam o curso antes de concluí-lo. Mapa do Ensino Superior divulgado este semestre pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) mostra que a taxa média de evasão no ensino superior privado, entre os anos de 2001 a 2009, ficou em 16,9% na região de Araçatuba, o sexto maior índice do Estado. A pesquisa também revela que o curso de pedagogia a distância ganha espaço frente à formação presencial.

Após seis anos de quedas consecutivas, de 2001 a 2006, as últimas taxas de evasão divulgadas indicam tendência de alta no abandono da graduação. Em 2009, o índice ficou em 18,7%, o quarto maior da história para a região de Araçatuba.
Antes disto, a desistência no ensino superior havia sofrido picos nos anos de 2007 (21,3%), 2002 (22,3%) e 2001 (26,5%). O menor patamar ocorreu em 2006, quando a evasão atingiu 12,5%.


FORMAÇÃO
Para o diretor executivo do Semesp e coordenador da pesquisa, Rodrigo Capelato, a evasão foi um dado de destaque no estudo.

"À medida que se começa a incluir as classes C e D (no ensino superior), infelizmente cresce a evasão. A questão não é apenas financeira, o aluno vem mal formado. Estamos fazendo um trabalho de inclusão com crédito educativo próprio, mas é difícil reter o estudante sem formação básica", afirma, sobre os motivos que impulsionaram o aumento na taxa regional de abandono.

Questionados sobre a afirmação de que a má qualidade do ensino na educação básica ajuda a engrossar as taxas de evasão na graduação, situação apontada pelo Semesp, o MEC (Ministério da Educação) e a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo não se manifestaram sobre o assunto.

DIFICULDADES
Além do aspecto socioeconômico e da formação insuficiente na educação básica, outros fatores são responsáveis por dificultar a conclusão do ensino superior. Ex-universitários que deixaram a faculdade antes do final apontam a baixa qualidade de algumas graduações e as dificuldades em conciliar estudos e trabalho como empecilhos.

O jornalista Fernando Henrique Bononi Verga, 27 anos, ingressou na faculdade de História em 2009, porém, antes do final do primeiro semestre, precisou trancar o curso. "Administrar a rotina profissional com a de estudante não é nada fácil. Os compromissos são muitos, dos dois lados, mas a profissão vem em primeiro lugar. Como não estava conseguindo cumprir com os prazos acadêmicos, decidi parar", diz.

Verga já tem uma formação superior na área de comunicação social, mas diz que cursar História era um sonho antigo. "Retomar a graduação não está mais nos meus planos, mas digo isso porque já possuo um diploma. Do contrário, não teria deixado de forma alguma a faculdade", afirma.
Mesmo fora dos bancos de graduação, o prazer pelo tema história continua o mesmo. O jornalista estuda o assunto por conta própria, adquirindo livros indicados por professores.

DESORGANIZAÇÃO
O designer gráfico Carlos Henrique Bianchi, 28, começou a estudar o superior em publicidade e propaganda, em 2003. Ele chegou a frequentar as aulas por quase dois anos, mas desistiu por problemas de gestão do curso. "O motivo que me fez desistir foi a falta de organização. Por ser a primeira turma, (a faculdade) não sabia o que seria dado de aula, professores faltavam. Muita gente saiu dessa turma", afirma.

Atualmente, Bianchi trabalha numa agência de publicidade. Ele diz que o diploma de faculdade não fez falta para a sua carreira, pois já trabalhava na área antes mesmo de ingressar na graduação. "Mas pretendo fazer uma faculdade, talvez Desenho Industrial", completa.

FotoPaulo Gonçalves/Folha da Região - 30/09/2011

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