terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Terror ainda assombra


Por Hélton Souza

Após dez anos da queda das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos, os araçatubenses em terras americanas ainda convivem com o medo, se sentem inseguros, mas persistem no sonho de morar no exterior. Eles também aprenderam a lidar com a paranoia do terrorismo e lá constituíram família e lutam contra o preconceito de serem estrangeiros.

Nem mesmo a morte do líder terrorista Osama Bin Laden não alivia a tensão. O Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, elevou na última quarta-feira seu nível de alerta em algumas bases militares à espera do décimo aniversário do atentado de 11 de setembro.


"Eu não posso reclamar da vida aqui. Apesar de toda essa crise ainda temos emprego. Mas aqui se temem ataques diariamente. No aniversário de dez anos eles estão se preparando porque acham que podem ocorrer novos ataques", diz Joelma Barbosa Maciel dos Santos, 30 anos, que trabalha como babá e mora na cidade de New Milford, no Estado de Connecticut, distante uma hora de Nova York.

Joelma conta que após o atentado, a família pediu para que ela deixasse os EUA, principalmente porque os imigrantes começaram a ser tratados como terroristas. No entanto, afirma que esse sentimento de insegurança não é uma exclusividade dos moradores de outros países. "Tudo o que acontece no país é imediatamente associado ao terrorismo. Dois anos após o ataque houve um blecaute e todos achavam que era terrorismo. Até mesmo um terremoto que sentimos por aqui há duas semanas foi atribuído a ataque", lembra.

OPORTUNIDADES
Em 2000 ela trocou Bilac pelos EUA porque tinha o sonho de ser independente. Agora, disse que não se arrepende e que, mesmo convivendo com o medo e lidando com o preconceito, só deve retornar para o Brasil quando estiver aposentada. "Eu gosto muito de viver aqui, pois se tem muitas oportunidades. Sei que está longe de ser o melhor lugar e meu sonho seria poder viver com a segurança e as oportunidades que tenho aqui, mas num país como o Brasil", disse.

Foi também a expectativa de novas oportunidades no mercado de trabalho que levou os irmãos Marcos Vinícius Bassetti dos Santos, 35, e Raphael Bassetti dos Santos, 32, a deixar Araçatuba para morar nos Estados Unidos. Há 11 anos longe do Brasil, Raphael, que trabalha como consultor de tecnologia, disse que aprendeu a conviver com a insegurança do país e não acredita em novos atentados terroristas, mas também "não dá sopa para o azar."

Hoje, por exemplo, ele disse que não vai participar dos eventos promovidos para lembrar o atentado de 11 de setembro. "Quero passar longe, nem sentir o cheiro daquela praça (onde ficavam as torres gêmeas), porque vai que acontece alguma coisa."

Para Raphael, a paranoia do medo faz parte do cotidiano dos americanos. "A qualquer barulho estranho ou sinal de ameaça todos ficam em estado de alerta. É um medo que faz parte do cotidiano das pessoas e prejudica o dia a dia da população."

Papa: violência não pode ocorrer em nome de Deus
O papa Bento 16 reforçou ontem que nunca a violência deve ser feita em nome de Deus, durante sua mensagem para os Estados Unidos, para as homenagens às vítimas dos dez anos dos ataques terroristas de 11 de setembro.

Em carta ao arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, o papa disse que estava orando pelas vítimas inocentes do "ataque brutal" e disse esperar que suas famílias encontrem consolo.
Bento 16 afirmou que a tragédia de 11 de setembro foi levada a cabo pela alegação de que foi feita em nome de Deus. "Mais uma vez, deve ser dito inequivocamente que nenhuma circunstância pode justificar atos de terrorismo", escreveu.

Ele pediu uma "cultura global de solidariedade" para livrar o mundo das situações que deflagram tais atos de violência.

Obama diz que país está mais forte dez anos após atentados às torres gêmeas
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem em seu programa de rádio semanal que o país está mais forte dez anos após os atentados terroristas de 11 de Setembro e que os americanos vão seguir com suas vidas, apesar das ameaças à segurança.

Segundo a Casa Branca, Obama visitará hoje os três locais atacados em 11 de setembro de 2001 - o Marco Zero em Nova York, um terreno baldio em Shanksville (Pensilvânia) e o Pentágono, nessa ordem - e oferecerá seu discurso pela noite no Kennedy Center.

Obama assegurou que, uma década depois dos ataques que mataram cerca de 3 mil pessoas, o país se manteve forte frente ameaças. "Ao olhar para o futuro, seguiremos demonstrando que os terroristas que nos atacaram são impotentes frente à coragem e resistência do povo americano", disse Obama.

Os terroristas "quiseram privar-nos da unidade que nos define como povo. No entanto, não vão ser levados à divisão ou suspeita. Somos americanos, e somos mais fortes e mais seguros quando seguimos leais aos valores, liberdades e diversidade que fazem-nos incomparáveis entre nações" enfatizou.

Para Obama, os atos de comemoração do 11 de Setembro durante o fim de semana constituem uma ocasião na qual "estamos nos unindo como nação solidária para lembrar das vítimas e reafirmar nosso compromisso de cumprir sempre nossa lealdade a eles e suas famílias".
Ele destacou ainda o "heroísmo" das equipes de resgate.

DILMA
A presidente Dilma Rousseff enviou ontem mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ocasião dos 10 anos dos atentados terroristas. Na nota, a presidente expressa a solidariedade do povo e do governo do Brasil e pesar à nação norte-americana pela data.

"Creio que a maior homenagem que podemos prestar aos mais de três mil inocentes que pereceram naquela data é, tendo por inspiração a coragem exibida pelo povo dos EUA em face da tragédia, continuar a trabalhar, incessantemente, por um mundo de paz e desenvolvimento", diz a presidente, em nota veiculada pelo Blog do Planalto.

POEMA
O poema de Carlos Drummond de Andrade, "Lembrança do Mundo Antigo", foi lido ontem durante cerimônia da realização da primeira fase de um memorial dedicado aos passageiros e tripulantes do Voo 93, que caiu no dia 11 de setembro de 2001, depois que seus 40 passageiros e tripulantes enfrentaram os sequestradores. O texto foi lido pelo poeta Robert Pinsky juntamente com o poema "Encantação", do polonês Czeslaw Milosz.  

A cerimônia contou com a presença dos ex-presidentes norte-americanos. 
Segundo Bush, os passageiros do Voo 93 foram responsáveis por um dos atos mais heroicos da história dos Estados Unidos. Os sequestradores pretendiam jogar o avião em Washington mas não conseguiram em virtude da determinação e valor dos passageiros e dos tripulantes do voo, que caiu em área rural a menos de 20 minutos de seu alvo. A cerimônia reuniu mais de 4 mil pessoas.

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