segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O avanço da corrupção e o despertar do civismo


Chile: protestos de estudantes se estendem há três meses

Da Redação

Não foi por acaso que os protestos contra a corrupção em diferentes pontos do País marcaram este ano os desfiles cívicos da Independência do Brasil. Em importantes cidades brasileiras, as manifestações populares, desde o uso do nariz de palhaço a enterros simbólicos de políticos em caixões personalizados, se destacaram mais do que a festividade comemorativa convencional. É o grito, cada vez mais forte, contra o avanço desavergonhado da farra com o dinheiro público e diante de uma naturalidade intrigante com que corruptos e corrompidos reagem. Um escárnio que começa a ganhar contornos alarmantes.

Autoridades públicas flagradas com a mão na massa estão pouco se importando, mesmo quando são identificadas até na alma pelas câmeras, filmadas recebendo dinheiro sujo. A história recente mostra que, mais cedo ou um pouquinho mais tarde, eles acabam sendo absolvidos por seus próprios pares, uma vez que o sistema político permite, lamentavelmente, colocar a raposa para tomar conta do galinheiro. Existem os exemplos que efetivamente se transformam em casos de polícia e deságuam no Ministério Público, e assim até se faz Justiça, embora muitas vezes tarde. Há registro de casos em que verdadeiros reis das diabruras tiveram penas atenuadas só por causa da idade.


A impunidade, ou a sensação dela, é sempre mais forte; isso encoraja assaltos ainda mais ousados aos cofres públicos. Estimula reações cínicas, como a do presidente do Senado, José Sarney, que disse ser um direito dele usar avião da Polícia Militar a passeio, em companhia de um amigo; como a declaração do petista Delúbio Soares de que caixa dois é apenas “dinheiro não contabilizado”; como a afirmação do ex-presidente Lula, para quem as estripulias de Sarney não devem ser combatidas porque ele não pode ser tratado como “bandido qualquer”. Entre esses e outros exemplos de deboche, surge ainda a figura sinistra de José Dirceu, apontado pelo Ministério Público como rei do mensalão e enxotado do governo Lula, mas até hoje, inacreditavelmente, com livre trânsito entre autoridades públicas de calibre federal.

É confortante, porém, observar como a população tem se movimentado numa reação contemporânea que já vinha sendo impulsionada desde o advento da Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular. Embora essa própria lei ainda não tenha sido aplicada na sua essência nem expurgado de vez, da vida pública, políticos com condenação em segunda instância, os seus efeitos já são moralizadores. No Dia da Independência, enfim, a sociedade deu o seu recado em voz alta: está mobilizada e disposta a libertar o Brasil das garras da corrupção.

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