segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Moradia marcará nova era da USP no centro de São Paulo

Moradia deverá ser entregue em 2012
com custos em torno de R$ 9 milhões
Olavo Soares, do USP Online


No final de 2012, deve estar concluído um dos mais importantes passos dados pela USP no objetivo de consolidar sua internacionalização: uma moradia destinada unicamente a estudantes estrangeiros, que será construída no centro de São Paulo.

A residência comportará cerca de 300 alunos, distribuídos em 98 apartamentos. O condomínio será formado por dois edifícios — ambos estão no mesmo quarteirão, um “de costas” para o outro, e há interligação entre os dois. Um dos lados está voltado para a Rua José Bonifácio e o outro para a Rua Benjamim Constant.


O convênio que determinou a efetivação do projeto foi assinado em 12 de julho. A USP tem como parceira na empreitada a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab). Há um prazo de cerca de três meses para que o projeto e outros trâmites burocráticos estejam resolvidos para que, enfim, as obras tenham curso. A moradia deverá ser entregue no final do próximo ano.

Os edifícios serão batizados de Villa-Lobos e Tarsila do Amaral, homenagem a expoentes da cultura nacional. No total, o projeto terá custos que devem girar em torno de R$ 9 milhões.

Motivações
O vice-reitor de Relações Internacionais da USP, professor Adnei Melges de Andrade, destaca uma série de razões que motivaram o projeto.

Uma delas é a necessidade de ampliar a oferta de moradias por parte da Universidade. Na capital, a USP dispõe como única estrutura regular para moradia o Conjunto Residencial da USP (Crusp), coletivo de prédios que, embora disponha de boas condições, é insuficiente para atender a demanda de todos os universitários.

Além de sua capacidade, o Crusp tem outra “falha”: é distante de outros pontos da cidade que têm unidades da USP, como a Faculdade de Direito (FD), no Centro, o Quadrilátero da Saúde, no bairro de Pinheiros, e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na Zona Leste.

O distanciamento é indesejado e pode dificultar a vida dos estudantes, em especial dos estrangeiros. Mas mais do que questões acadêmicas, Adnei Melges de Andrade aponta o fato de que, vivendo em um campus universitário, um estudante encontra mais dificuldades para vivenciar a cultura do país em que escolheu morar. “As atividades da USP se encerram nos finais de semana, que é justamente quando o aluno tem seu tempo livre. Estando em uma região central da cidade, ele tem mais facilidade para ir a um teatro, um cinema, por exemplo”, cita.

O vice-reitor enfatiza também a questão da reciprocidade. “Se queremos que o nosso aluno tenha uma moradia digna quando vai para o exterior, temos que oferecer isso aos estudantes que vêm para cá”, diz Andrade. É este o motivo que explica o fato de o projeto contemplar, neste momento, apenas alunos estrangeiros. “E é preciso que a comunidade compreenda que, ao fazer este projeto, não estamos reduzindo em nada nosso esforço para providenciar moradia aos brasileiros. Trata-se de uma extensão”, conclui o professor. Andrade conta ainda que a moradia não será gratuita, aos moldes do que o estudante brasileiro encontra na maioria dos demais países.

O Centro
Os edifícios que receberão a moradia estão a menos de 200 metros da Faculdade de Direito (FD) da USP, e a equivalente distância da estação Sé do metrô, a mais movimentada da capital. O fato de a moradia ser distante da Cidade Universitária, onde estudam a maior parte dos alunos da USP, não indica que os estudantes de unidades de fora do campus Butantã serão privilegiados. “Até porque, com a inauguração da linha amarela do metrô [cuja estação Butantã é próxima à Cidade Universitária], o acesso ao campus ficou mais fácil para quem parte da região central”, conta o vice-reitor.

A moradia universitária é mais uma das iniciativas governamentais que têm tido por objetivo revitalizar o Centro de São Paulo. Região que deu origem à cidade, e seguramente a mais bem-servida de transportes públicos na capital paulista, o Centro ainda sofre com um processo de abandono que lá se manifesta há décadas, e que fez dele um setor da cidade praticamente ignorado em termos residenciais.

Se um dos objetivos de se realizar a moradia dos alunos estrangeiros no Centro é aproximá-los da cultura brasileira, pode-se dizer, desde já, que a tarefa deve ser cumprida sem muito esforço. O Centro paulistano une, como poucos locais, características ao mesmo tempo turísticas e hostis, belas e intimidadoras. Moradores de rua, pedintes, pastores e desempregados dividem de forma até harmônica o mesmo ambiente com executivos apressados e turistas com câmeras fotográficas. Há lixo pelo chão, que complementa o espaço com belas construções que manifestam a ostentação típica do local nos seus tempos áureos.

Comerciantes queixam-se da falta de segurança, mas relutam em abandonar a região e celebram o fato de mais moradores estarem a caminho. “Aqui só tem movimento nos dias de semana”, diz Moacyr Cardoso, taxista que faz ponto na mesma Benjamin Constant que receberá os alunos. Talvez, na busca por estender seus serviços a estudantes e se firmar no cenário internacional, a USP também esteja dando início a uma nova era no berço de sua principal cidade.

Imagem: Marcos Santos

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