sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A garota rockstar


Por Talita Rustichelli

Quem lê este título talvez possa pensar em algo que trate de alguma groupie ou algum tema ligado exclusivamente ao modo de vida "rock'n'roll". Engana-se quem se deixa levar por esta impressão.

"A garota rockstar", de Jordemo Zaneli, aborda temas relacionados à religião, relações diplomáticas internacionais, política, violência, família, drogas e sonhos. O título é uma referência ao desejo de uma das personagens de se tornar uma estrela do rock ou uma popstar, com todos os benefícios que este "estilo de vida" possa lhe proporcionar.

Com cerca de 320 páginas entremeadas por imagens coloridas e com tiragem inicial de 1.000 exemplares, o romance será lançado na segunda-feira, dia 5, às 19h30, na livraria Nobel, no Araçatuba Shopping. A editora é a Somos, da Folha da Região, e o livro será vendido a R$ 30,00.

No enredo, Sabrinna, a garota sonhadora, tem seis anos e é sequestrada durante um ataque terrorista na cidade de Atenas, na Grécia, por terroristas de um grupo islâmico que querem a libertação de presos políticos no Brasil e nos Estados Unidos. A mãe brasileira, o pai grego e o restante dos familiares em seus países de origem, mobilizam-se na busca pela menina.

"A influência de culturas e lugares diferentes, regiões desoladas e sombrias, aventuras e lições de vida são elementos que compõe a atmosfera do livro, que conta ainda com os dramas de cada personagem, surpreendidos a todo momento pelas armadilhas do mundo", afirma o escritor e advogado.

O objetivo de Zaneli, com o livro, é levar ao leitor uma reflexão sobre as relações humanas. "Minha intenção é chamar a atenção das pessoas para questões importantes do nosso dia a dia, como as mudanças repentinas que vivemos e a falta de respostas definitivas. Espero que, por meio da história, as pessoas reconstruam os valores e os sentimentos perdidos, que elas se reencontrem", complementa.

TERCEIRO
"A garota rockstar" é o segundo livro publicado por Zaneli. O primeiro, Sun Tzu - A arte da guerra e a dialética" (de 2005) diferente da nova publicação, é um texto técnico baseado na monografia que escreveu para seu curso de pós-graduação em marketing. "Fruto de meus estudos na área relacionados à filosofia, trata do planejamento estratégico de empresas e carreiras profissionais", explica. E ele afirma que tem planos para lançar um terceiro, com a continuidade da história de Sabrinna, mas ainda sem data determinada.

A relação inicial com a escrita aconteceu com mais intensidade quando o autor integrava o movimento estudantil. "Fazia panfletos, jornais e tabloides nos grêmios e diretórios acadêmicos por onde passei com meus companheiros. Fui diretor da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes), em 1984-85, mesmo período em que colaborei com o extinto jornal 'A Comarca', de Araçatuba, e com o Estadão. Escrevi por muito tempo uma coluna no jornal da minha cidade, Buritama, também chamado 'A Comarca'", conta.
Quanto à leitura, ele afirma que Érico Veríssimo está entre seus preferidos, mas sempre procura reler clássicos de Machado de Assis, Jorge Amado e Dostoievski.

VIOLÊNCIA
A perda de identidade ocasionada nas pessoas atualmente é um tema implícito no texto, de acordo com Zaneli. "O que faz as pessoas cometerem atentados? Ignorância, fanatismo religioso, alienação política, perda de sentimentos e confusão de valores", afirma.


Autor aborda os atentados cometidos por  jovens dos EUA

Ao longo da história, Zaneli faz abordagens distintas, mas relacionadas às situações vividas na atualidade. Uma delas retoma a questão dos atentados cometidos por jovens dos Estados Unidos em escolas, shoppings e cinemas. Um amigo do irmão de Sabrinna, Steven, de aproximadamente 18 anos, possui um histórico familiar conturbado, além de ter passado várias vezes por clínicas de reabilitação devido à dependência química.

"Ele compra um fuzil e treina tiro, sempre utilizando drogas, e um dia decide ir armado a um shopping para matar as pessoas que lá estivessem. Mas ele desiste da ação, já no local do crime", explica Zaneli.

Outro fato narrado no livro tem a mãe e a tia da garota como protagonistas. Ambas, com o sonho de morar nos Estados Unidos (antes mesmo do nascimento de Sabrinna), tentam passar pela fronteira do país com o México, mas são barradas. "São levantados, a partir desta passagem dramática, fatos como a violência na região, o comércio de drogas e armas ilegais".

DITADURA
O autor revela ainda fazer uma ligação entre a época dos Anos de Chumbo vividos no Brasil e na Grécia, ilustrada pelo exílio de um tio de Sabrinna em uma das ilhas gregas, que, em consequência das dificuldades enfrentadas, tornou-se um homem retraído e traumatizado. Ao longo do livro, Zaneli conta o que o homem passou no período em que esteve exilado.

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