terça-feira, 6 de setembro de 2011

Expansão da cana-de-açúcar beneficia municípios do interior


Por Agência USP

Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, analisou os impactos socioeconômicos da expansão da área cultivada de cana-de-açúcar nos municípios de Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul (Mato Grosso do Sul). O estudo de Micheli Mitie Assato, graduada em Ciências Econômicas pela Esalq, aponta que a instalação de unidades produtoras sucroenergéticas gerou o aumento da receita, dos empregos formais, da população, da capacitação profissional, da renda agregada e da dinâmica do comércio em ambas as cidades. O trabalho recebeu o Prêmio Corecon-SP de Excelência em Economia, do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo.


A pesquisadora analisou os dois municípios por serem áreas de forte expansão da cana-de-açúcar e não possuírem outras indústrias de porte significativo, de modo a evidenciar o impacto da instalação de indústrias de açúcar e álcool. De acordo com o estudo, no município de Nova Alvorada do Sul, as usinas mais novas vêm cumprindo obrigações trabalhistas, ambientais e de impostos de forma mais adequada do que as empresas antigas, oriundas da época do Proálcool, entre as décadas de 1970 e 1980.

Os impactos diretamente relacionados com a implantação das usinas foram o aumento dos empregos formais contratados pelo setor sucroenergéticos, a diminuição dos conflitos entre empresas e a agricultura familiar, além do crescimento da renda regional, do comércio, do setor imobiliário e dos empregos indiretos e induzidos. Quanto à educação, houve melhoria na escolaridade média devido às parcerias entre as escolas com as empresas.

No que tange aos aspectos negativos da chegada das usinas, pode ser citada a piora da condição de algumas estradas e a sobrecarga da demanda dos serviços prestados pelo sistema público de saúde, mesmo que os funcionários sejam cobertos pelos planos de saúde fornecidos pelas empresas.

Terras
Ainda no plano negativo, a pesquisa verificou que, com o crescimento da população, houve aumento dos gastos e ocorre uma defasagem nas receitas recebidas do governo federal, além da desaceleração no processo de reforma agrária — com o cultivo de cana e a instalação das usinas, as terras deixaram de ser improdutivas. De outro lado, conforme relato de representante dos assentados, a chegada das empresas cria oportunidades de trabalho para os filhos dos assentados.

De acordo com a pesquisadora, os impactos positivos parecem suplantar os negativos. “Além verificarmos o aumento da renda, do número de empregos e maior dinamização do comércio, houve melhoria de indicadores como saúde e qualificação de mão de obra, que indicam melhoria da qualidade de vida da população”, afirma. “A expansão do setor sucroenergético para o interior dos Estados é positiva e que a instalação das usinas colaborou para o desenvolvimento de Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante”.

A pesquisa faz parte do trabalho de graduação de Micheli Mitie Assato, orientado pela professora Márcia Azanha, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES).

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