terça-feira, 13 de setembro de 2011

Esquecido, alcoolismo ainda é a porta de entrada das drogas

Por Jovens com Qualidade de Vida


A internação do ex-jogador de futebol Sócrates após apresentar um quadro de hemorragia digestiva devido aos seus problemas com o alcoolismo, trouxe o tema novamente à tona. Com o crescimento do uso de drogas pesadas como o crack e agora o oxi, o álcool desapareceu dos grandes debates sobre dependência química.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde no ano passado 528 mortes foram
registradas por fibrose e cirrose hepática, doenças relacionadas ao alcoolismo. Em 2011,
até a última segunda-feira (29), foram registrados 238 mortes. O cenário não é animador,
uma vez que o álcool é uma das substâncias mais consumidas pelos jovens. Sua
fiscalização, que restringe a venda a menores de 18 anos, nem sempre é respeitada.


“Cada vez mais nos deparamos com o consumo precoce da bebida, por volta dos 13
anos. E, muitas vezes, o exemplo começa em casa quando o filho vê o pai consumindo e
sente vontade de fazer o mesmo”, explica o idealizador do projeto Valorize a Vida, Ivan
Pegoraro.



De acordo com ele, é importante que os pais conversem com os filhos sobre o tema e expliquem que o caminho da bebida pode não ter volta. “A relação próxima aos filhos, o diálogo, tudo isso se faz necessário para que os jovens não entrem nesse caminho da bebida. Quando há falta disso em casa, os filhos procuram fora e ai mora o perigo. Quando os conselhos dos amigos suprem a falta da presença da família”, acrescenta.

“O consumo excessivo da bebida pode evoluir para casos de esteatose (acúmulo de gordura no fígado), hepatite e cirrose. Estas duas últimas se forem graves, podem evoluir para insuficiência hepática. Casos com cirrose alcoólica podem também evoluir para câncer de fígado”, explica Maria Lucia Alves Pedroso, Hepatologista do Hospital das Clínicas.

De acordo com a Hepatologista, tanto a hepatite alcoólica quando a cirrose alcoólica desenvolvem-se em aproximadamente 15 a 20% dos alcoólatras. “O consumo de 20g/dia de álcool para mulheres e 40g/dia para o homem, após um período de 5 a 10 anos, já apresenta danos ao fígado”.

Nem todas as pessoas que ingerem álcool têm doenças hepáticas. “Há pesquisas que apontam para uma predisposição genética, mas são estudos ainda não muito claros. Em todo caso, indivíduos com história familiar de alcoolismo tem maior risco de desenvolverem dependência alcoólica e suas doenças relacionadas”.

Caso não for tratado o alcoolismo e suas doenças relacionadas, quem faz consumo corre riscos graves de morrerem de insuficiência hepática, causado por hemorragia, infecção e insuficiência renal. “O mais importante é fazer com que o paciente entre em abstinência alcoólica total, pois assim retira-se a causa da inflamação hepática. Demais tratamentos,
dependem da severidade da lesão e conseqüências”, acrescenta.

Em casos de cirrose grave é indicado o transplante de fígado. Mas é necessário também que o paciente esteja em abstinência alcoólica e demonstre para a equipe de transplante indícios de que irá manter-se abstinente definitivamente.

Hoje, a cirrose está entre as sete maiores causas de morte no mundo ocidental. Para acabar com o vício do alcoolismo, a única forma é procurar ajuda especializada em Clínicas de Saúde que possam dar ao paciente acompanhamento diário e, também, apoio incondicional da família. “Importante salientarmos também que não é necessário ser dependente de álcool para ter lesão hepática. Um consumo próximo ao citado anteriormente já é necessário para causar problemas de saúde”.

O álcool é um depressor do cérebro e que age diretamente em outros órgãos como fígado, coração, vasos na parede do estômago, entre outros. Consumido em grande excesso, ele pode causar de euforia leve a sintomas que podem chegar a desorientação, consciência parcial e até mesmo coma.

Além disso, ele é um dos principais fatores que causa acidentes de trânsito, pois o consumo tende a alterar a percepção de espaço, tempo e a capacidade de enxergar do condutor. De acordo com números do Detran, em 2010 foram registradas 953 atuações a motoristas que dirigiam embriagados, somente em Curitiba

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