sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Campanha do Programa Jornal e Educação e ANJ pelo Dia Internacional da Alfabetização é destaque em Brasília

 Por Jornal e Educação

O Dia Internacional da Alfabetização foi comemorado no último dia 8 de setembro. A capital do país celebra os menores índices de analfabetismo do Brasil e cria propostas para diminuir ainda mais desse dado. Professores se realizam por introduzir as crianças no mundo das letras.
O analfabetismo no Brasil supera a média da América Latina – os brasileiros com mais de 15 anos são analfabetos e correspondem a 9,6% da população. O dado do Anuário Estatístico de 2010 da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) aponta para um atraso do sistema educacional brasileiro em relação aos de países vizinhos, como Uruguai, que possui 1,7% como taxa de analfabetismo; a Argentina aponta para 2,4% e o Chile para 2,95%.

No próximo dia 8 comemora-se o dia internacional da alfabetização. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da Organização das Nações Unidas para a Educação,  Ciência e a Cultura (Unesco), objetivando combater o analfabetismo mundial.
Em Brasília, a data é comemorada com o desenvolvimento de vários projetos que tentam reverter o quadro.

Os índices de analfabetismo no Distrito Federal são os menores do país. O percentual é de 3,25% e se iguala à Bósnia e Herzegovina. Em comemoração ao dia, Eliane Perdigão, a consultora de educação do colégio Le Petit Galois, destaca a satisfação dos professores ao alfabetizar uma criança: “O profissional de educação nunca desiste de alfabetizar. Temos de comemorar a possibilidade de fazer com que, mesmo com todas as adversidades, a criança ‘letrada’ seja capacitada para decifrar o mundo”.
Para Eliane, que acompanha os desafios da educação há 36 anos, a partir do momento em que a pessoa é capaz de decodificar um texto, ela desvenda o mundo: “Proporcionar ao outro a possibilidade de ver amplamente o mundo é um ato reflexivo”.

A figura do professor no desenvolvimento educacional da criança é essencial. A alfabetização e todo o processo de formação da pessoa determinam muitos aspectos de sua vida. Por experiência própria, Eliane lembra como se envolveu na questão da importância de saber ler e escrever: “Assim que me formei, por estimulação de um professor de logística, me vi envolvida na alfabetização”, lembra a consultora.

Há pouco tempo, o país não exigia formação profissional dos professores. A diretora de ensino fundamental da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SE-DF), Kátia Franca, comenta que, com o surgimento da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), os professores de séries iniciais começaram a ter uma formação sólida. Através de uma criteriosa leitura do Brasil, ela reflete que, hoje, dificilmente se vê professores sem formação superior. “Desde o movimento de 1996, com a criação da LDB, o Brasil tem colocado o professor na universidade e na educação continuada. Isso é um processo facilitador”, comenta Franca.

A consultora educacional do colégio Le Petit Galois diz que, para ter uma evolução no processo de alfabetização no DF, o incentivo da família assume papel principal: “Que tipo de qualidade o Brasil quer ter? A partir deste questionamento, o profissional de educação teria mais reconhecimento e incentivo”. Eliane aponta para a importância do incentivo e estímulo dos filhos pela família: “O incentivo teria que ter o mesmo peso que a escolaridade. Os pais deveriam ter mais acesso às escolas ou até mesmo a cursos de capacitação para perceber a importância de manter o filho dentro das escolas”, sugere.

“Esta não seria apenas uma política para o profissional de educação, mas sim sociocultural por envolver empresas e segmentos de apoio à educação e à cultura no país”, completa a consultora.
Para Katia, a partir do momento que o Brasil investir na área de educação, o pensamento acerca da alfabetização mudará. “Com o investimento, você muda a lógica. O ideal seria ter uma fatia significante do PIB aplicada na educação. A educação é de fato para todos. Da escola pública à iniciativa privada – todos têm que ser atingidos”, destaca.

Pressuposto de uma sociedade mais justa
O diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, considera a alfabetização e a educação pressupostos para a construção de uma sociedade mais justa, na qual todos possam lutar para alcançar as oportunidades. “Jornais são instrumentos fundamentais para a formação de cidadãos com uma visão crítica e atuante da sociedade. Portanto, é absolutamente coerente que os jornais e a ANJ estejam ao lado de todo e qualquer esforço pela alfabetização”, detalha. “Cidadãos alfabetizados, que leiam livros e jornais, que se informem, são tudo de que precisa o nosso país”, observa.

O programa Jornal e Educação da ANJ foi criado em 1992 e compreende a importância e a responsabilidade dos jornais na formação de leitores. A coordenadora-executiva do programa Jornal e Educação, Cristiane Parente, orgulha-se do crescimento de novas propostas e de programas espalhados pelo Brasil. “Hoje temos cerca de 60 programas espalhados que trabalham mobilizados e em parceria com educadores, ONGs, asilos e até presídios para a formação de leitores-autores mais autônomos e cidadãos”.

Avaliação do programa
Implantado em 2005  em 52 escolas brasileiras, o Bloco Inicial de Alfabetização (BIA) é uma das medidas consideradas fundamentais para a incorporação das crianças de seis a oito anos de idade ao ensino fundamental. A iniciativa da Secretaria de Educação do Distrito Federal visa à promoção da aprendizagem de alunos e professores e o desenvolvimento da escola através de novos métodos de ensino.

“Trabalhamos com alunos de seis, sete ou oito anos de idade. O projeto é uma política pública do Distrito Federal e atua na concepção de continuidade e no círculo de alfabetização em três períodos”, explica Kátia Franca, diretora de ensino fundamental da Secretaria de Educação do DF.

A avaliação central do programa é feita em ciclos. A forma tradicional de análise do ensino do aluno – de aprovar ou reprovar – dá lugar a um novo processo de organização do trabalho pedagógico.
“Dentro dos blocos, temos articuladores do Centro de Referência à Alfabetização (CRA). Desse modo, trabalhamos especificamente para atender a alunos que apresentam dificuldades”, afirma Kátia Franca.

Os articuladores se reúnem de 15 em 15 dias para discorrer sobre o trabalho realizado. Desse modo, “não se tem só uma ação, temos um conjunto que determina as políticas dos anos iniciais”, especifica a diretora de ensino fundamental.

Nas reuniões, a equipe de articuladores reflete acerca da compreensão e do processo de construção do pensamento da criança em relação à aprendizagem da leitura e da escrita. O resultado incide na possibilidade de reconstrução de estratégias de intervenção dos professores como mediadores de um processo de alfabetização.

Fonte: http://programajornaleeducacao.blogspot.com/2011/09/campanha-do-programa-jornal-e-educacao.html

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