quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Brasiliense é um dos mais jovens desenvolvedores de aplicativos da Apple

Rafael já vendeu nove aplicativos para Aplle e
têm dezenas à espera de aprovação
Por Leilane Menezes - Correio Braziliense


O palestrante chega ao auditório e o silêncio se instala. A plateia parece não acreditar no que vê. Com óculos de grau e aparelho nos dentes, Rafael Costa, 13 anos, aluno da sétima série, é o orador. Fala sobre tecnologia, linguagem de programação de computadores e até a respeito de estratégias de marketing. O público ouvinte quase sempre é formado por gente bem mais velha que Rafael, muitos com diploma universitário em mãos.

O menino sente frio na barriga antes de subir ao palco. É um dos mais jovens desenvolvedores de aplicativos da empresa de produtos eletrônicos Apple. No colégio Leonardo da Vinci, onde estuda, Rafael é chamado de gênio, em tom de brincadeira, por professores e colegas. No total, apresentou nove produtos aprovados pela multinacional. Depois disso, ministra palestras em Brasília — em locais como Banco do Brasil e faculdades — para contar sua experiência.

Entre as criações do menino, está o Sweet Tweet, o primeiro projeto do brasiliense aceito pela Apple. Ele permite inserir informações com mais rapidez na rede social Twitter. Além disso, quando a internet perde o sinal, o aplicativo possibilita que o texto escrito seja armazenado e entre na web assim que o funcionamento for retomado — tudo automaticamente. O Sweet Tweet está na segunda versão. Nela, é possível também sincronizar várias redes, como Facebook, Twitter e Tumblr.

O Facepad, outra criação de Rafael, aprimorou o programa Face Time, da Apple, que faz chamadas de vídeo entre portáteis, como o celular iPhone. O menino retirou a limitação que havia no programa original de originar chamadas exclusivamente para quem estava incluído em contatos de alguma rede social. “Com isso, o usuário não precisa adicionar a outra pessoa para conversar com ela. Pode simplesmente convidá-la para a chamada de vídeo”, explica Rafael.

Literatura
Uma invenção do adolescente, o Machado de Assis — Romances, disponibiliza ao usuário todas as obras do escritor, que estão em domínio público. O gosto pela literatura e o conteúdo aprendido no colégio despertaram a ideia. “Os projetos surgem no dia a dia, em situações comuns”, conta o criador dos aplicativos. Rafael inventou também o Shoe Convert, para ajudar pessoas que estão fora de seus países de origem e querem comprar sapatos. O aplicativo para celular mostra, por exemplo, qual é o equivalente nos Estados Unidos à numeração do Brasil.

Já o URL Cutter encurta links em URL para caberem no Twitter. “Os posts do twitter permitem apenas 140 caracteres. Alguns endereços da internet têm mais que isso. Para usá-los na rede, é preciso torná-los mais curtos”, esclareceu Rafael. Basta copiar o endereço do navegador e colar no campo do aplicativo e o serviço está feito. “O mais importante é que o aplicativo seja fácil de usar”, afirmou Rafael. O rapaz também criou jogos para iPhone e tem dezenas de projetos à espera de aprovação da Apple.

Rafael ganha dinheiro com as invenções. Recebe 70% do valor de cada aplicativo pago baixado e 60% da verba de publicidade de cada um. “Não é muito, porque a maioria dos aplicativos é grátis”, diz o inventor. Mensalmente, são feitos pelo menos 5 mil downloads de criações de Rafael, por meio do site da Apple. Quase 5 mil brasileiros participam da loja virtual como criadores de aplicativos para celulares e computadores da marca.

A empresa não aceita contribuições de quem tem menos de 18 anos, por isso o pai de Rafael, Luiz Cláudio Costa, assumiu a burocracia para a entrada do garoto no sistema de criação da multinacional. Rafael cursa a sétima série e já escolheu sua formação universitária. Quer estudar ciências da computação ou engenharia de software.

Início
A paixão de Rafael por computadores começou aos 9 anos. Com essa idade, ele desenvolveu um vírus do tipo Cavalo de Troia, para pregar uma peça na mãe dele, a pedagoga Patrícia Costa, 39 anos, que entendia pouco de computadores. “Aos 4 anos, ele aprendeu a escrever o próprio nome no teclado do computador, antes de escrevê-lo no papel. Meu filho me ensinava a mandar e-mails. Para não ser uma mãe analfabeta para ele, aprendi um pouco mais sobre tecnologia”, disse Patrícia.

Depois da primeira experiência em criação, Rafael tomou gosto pela linguagem de programação, que aprendeu sozinho. “Criei um navegador, que era muito fraco. Quando descobri o iPhone, fiquei muito empolgado. Comprei um computador da Apple e também livros sobre programação. A maioria é escrita em inglês, tive de aprender essa língua”, lembrou Rafael. O adolescente usa o dinheiro que ganha da Apple para comprar mais equipamentos e desenvolver outras ideias. “Faço parte da geração Z, formada por pessoas que têm contato com computadores e tecnologia desde o nascimento. Para mim, é algo natural”, explicou.

Apesar das habilidades incomuns para um garoto de 13 anos, Rafael leva uma vida normal. Sai com os amigos, joga bola e se dá bem com a turma da escola. Tem interesses além de tecnologia, como o cinema. Gosta também de videogame e de música. Ouve com atenção especial uma canção do grupo Os Seminovos. A letra, bem-humorada, diz: “O nerd de hoje é o cara rico de amanhã. O nerd de hoje é o cara lindo de amanhã. O nerd de hoje é o bom marido de amanhã”. Rafael confia na previsão.


Imagens: Bruno Peres/CB/DA Press
Fonte: http://www.educacionista.org.br/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=10564&Itemid=56

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