segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A tradição japonesa do Bon Odori


Por Talita Rustichelli
Desde quarta-feira a comunidade de japoneses da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Araçatuba trabalha na organização de um evento tradicional. O Bon Odori, que está em sua 45ª edição na cidade de Araçatuba, acontece hoje e celebra uma tradição que, originalmente, homenageia as almas dos antepassados.

Demonstrando união e valorização dos costumes, cerca de 200 pessoas, a grande maioria composta por voluntários, estão empenhadas na produção dos alimentos que serão comercializados na festa, além da montagem da estrutura e decoração.




Mulheres e alguns homens, ao redor de grandes mesas, prepararam massa de pastel, an-pan (pequeno pão recheado com anko, doce de feijão em português) e manju (doce também com recheio de anko). Também foram servidos udon (macarrão) e moti (arroz moído e cozido no vapor). Como opção alternativa, de acordo com Kato, tinha espetinhos de carne bovina.
 
TRADIÇÃO
O Bon Odori brasileiro, segundo Takashi, se diferencia um pouco do que é realizado no Japão. "Aqui, não é uma celebração apenas voltada aos mortos. Respeitamos a época (lá celebra-se entre julho em agosto), mas a nossa intenção é mais festiva", diz o presidente da Nipo.

"Nosso principal objetivo é preservar a cultura japonesa. Cada vez mais vai se perdendo a obediência às nossas tradições, por causa da miscigenação etc", diz Takashi, que não vê nenhum problema em relação às misturas de etnias, mas acredita ser importante cultivar suas raízes.

"Tem muito mesticinho bonito nascendo", brinca. Tanto que a festa é aberta a toda a comunidade. "Descendentes e não descendentes estão convidados também", afirma.

PALCO
Além da culinária, a tradição estará presente também na dança e na música. Odori, em japonês significa dança e bon é uma referência aos finados. É montada uma estrutura central, o yagurá, um palco onde músicos cantam e tocam canções japonesas. Ao redor dele grupos de odorikos (dançarinos) das cerca de 30 cidades do interior paulista que estarão presentes neste ano, vestidos com seus happis (trajes especiais para a ocasião), realizam os movimentos da dança.

As coreografias são baseadas na simulação de movimentos do cotidiano, que, leves e precisos, se repetem ou se alternam. Às pessoas que não pertencem a nenhuma associação também é permitido participar.

DECORAÇÃO
Neste ano, a tradicional decoração com lanternas de papel conta com cerca de 800 peças, como conta Takashi. Ele explica que em cada uma há o nome de um colaborador da festa.

"Geralmente, associados da cidade e da região colaboram com alguma quantia em dinheiro. É uma forma de ajudar a manter o evento. Em troca, fornecemos fichas de alimentos aos dançarinos e refrigerante", afirma.
O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal e promoção da Federação das Associações Nipo-Brasileiras da Noroeste. 

Entre as atividades promovidas pela Associação Cultural Nipo-Brasileira de Araçatuba está um grupo de odori (dança japonesa), integrado por cerca de 10 senhoras associadas. Diferente da dança realizada durante o Bon Odori, que simula, por exemplo, os movimentos relativos ao trabalho com a terra, no chão, as danças apresentadas pelo grupo são destinadas ao palco.

Cada coreografia possui uma característica, de acordo com o ritmo e o tema da música, que exigem passos, roupas e adereços diferentes. Midori Aoki, uma das participantes e responsável pelo setor artístico do grupo de senhoras da Nipo, cita como exemplo uma coreografia que remete aos samurais, na qual são utilizadas espadas, assim como outras nas quais são utilizadas sombrinhas japonesas, leques ou flores de cerejeira.

Pelo menos uma vez por semana, as participantes com idade a partir de 60 anos se reúnem para os ensaios. "A mais idosa é uma senhora de quase 80 anos que, mesmo com a idade avançada, faz questão de continuar participando", complementa. O grupo apresenta-se em eventos da região e também, quando solicitado pela prefeitura, representa a cidade em competições de dança japonesa.

A antiga professora, segundo Midori, faleceu neste ano e a filha dela, Fabiana Kato, hoje auxilia nos ensaios. "Eu estou responsável pelo grupo, mas com a ajuda da Fabiana estamos ensaiando as coreografias que já havíamos aprendido", diz. A próxima apresentação está prevista para 2 de dezembro, no aniversário da cidade de Araçatuba.        

No Bon Odori, diferente das coreografias apresentadas pelo grupo, destaca-se a reverência aos antepassados e a gratidão pela boa colheita. Os passos remetem ainda ao processo de plantio do arroz e à pesca. Outra diferença está relacionada à disposição dos dançarinos. Durante o Bon Odori, ao invés de se apresentarem em um palco, os odorikos dançam em círculos no chão, ao redor de um palco central elevado onde ficam os músicos.

CELEBRAÇÃO
O Bon Odori é realizado em vários países do mundo. No Brasil, a festividade acontece em diferentes regiões entre os meses de julho e agosto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário