terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sala Aberta: Esperança contagia


Por Ayne Salviano

O jornal precisa olhar para fora, precisa enxergar seus leitores. O conselho de Renato Simões Filho, diretor do jornal A Tarde, de Salvador (BA), dado durante encontro dos coordenadores de PJEs (Programa Jornal e Educação) espalhados pelo país, reflete uma nova postura dos mais modernos veículos de comunicação espalhados pelo mundo, que já entenderam que o público é o quinto poder, como ensinou a professora Sylvia Moretzsohn em sua obra “Pensando contra os fatos”.

LÓGICA
O raciocínio é simples. Se o Executivo, o Legislativo e o Judiciário formam os poderes constituídos e a mídia foi alçada à condição de quarto poder, fiscalizando e divulgando os fatos que interferem na vida da coletividade, o público vem conquistando, ao longo da história, o direito de se manifestar com exceção somente nos casos do Judiciário.

NOVA ONDA
No Legislativo e Executivo o povo age diretamente por meio do voto. E viva a democracia! Nos veículos de comunicação, essa participação é mais recentemente, mas não menos contagiante, e tem a ver com a democratização da informação e a consequente criação de senso crítico nas pessoas.

MODERNIDADE
O ultrapassado conceito de público que aceita tudo que lhe é imposto passivamente já foi substituído pelo telespectador que muda o canal e a estação quando o programa não lhe interessa, salta de site em site até encontrar as respostas que procura e, no caso dos impressos, deixa de comprar e assinar aquilo que não lhe convém. Assim, quando Renato Simões Filho adverte que empresários da comunicação e jornalistas busquem a necessidade do público para satisfazer seus anseios - e assim melhorar a comunidade onde atuam -, ele está reafirmando a obrigatoriedade dos veículos de comunicação assumirem, de fato, sua responsabilidade social.

PARCERIA
É claro que o diretor do jornal baiano não particularizava sua fala em ações isoladas, como a implantação e manutenção dos programas de jornal e educação, por exemplo, que têm dado muito certo, diga-se de passagem, inclusive lá na Bahia, com o A Tarde Educação. Ao contrário, o diretor queria estender o raciocínio deste tipo de parceria (mídia-educação-comunidade) para o benefício de todos.

PROPOSTA
E foi essa oportunidade que o Programa Jornal e Educação da ANJ (Associação Nacional de Jornais) vislumbrou depois da fala de Leandro da Costa Fialho, do Ministério da Educação, que esteve na Bahia para falar aos coordenadores. Ele abordou o programa Mais Educação, do governo federal, que implanta escolas em período integral. No Brasil, 15 mil unidades já funcionam assim. Na programação destas instituições, além das disciplinas tradicionais, os estudantes têm condições de aprender mais com atividades de educação ambiental, esportes e lazer, direitos humanos, cultura e artes, saúde, cultura digital e comunicação, entre outros.

COMUNICAÇÃO
Especificamente nesta área, os estudantes podem criar desde um jornal até uma rádio escolar. O MEC subsidia os equipamentos. Mas, admitiu Leandro Fialho, não capacita os professores, a não ser com distribuição de material didático. Questionado sobre esta lacuna, o representante do MEC se colocou à disposição para conversar com representantes dos PJEs e estudar uma possibilidade de parceria. Se isso vingar, os veículos de comunicação que mantêm programas de jornal e educação, como a Folha da Região e o seu Ler para Crescer, estarão prestando um serviço ímpar para o desenvolvimento da educação e da cidadania dos brasileiros.

A ANJ tem aproximadamente 160 associados. Deste total, cerca de 40 empresas jornalísticas mantêm um PJE. A Folha da Região é uma delas.

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