segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Reflexo


Por Benute Santos

Quando uma pessoa para diante de um espelho plano, embora seja uma imagem virtual, o reflexo que se vê é a própria pessoa. A imagem é o retrato fiel, refletindo o corpo como ele realmente é. A física também explica que é possível obter imagem real. A diferença entre imagem virtual e real é simples. A imagem virtual se forma no prolongamento dos raios luminosos. 

Por isso, fica atrás do espelho. A imagem real é obtida pelo encontro dos próprios raios luminosos refletidos e fica entre o objeto e o espelho côncavo, por exemplo. Nem sempre a imagem real é o fiel retrato, pois, dependendo da distância, ela pode se formar invertida.

Algumas pessoas precisam manter uma imagem impecável. Estar sempre bem vestidas. Se homem, barba feita e cabelos bem cortados. Se mulher, a etiqueta é extensa. Vestimenta e maquiagem de acordo com a hora e o local. Que me desculpem os politicamente corretos, boa aparência é fundamental. E nada tem a ver com beleza física. E é dessa forma que uma multidão ganha o seu pão de todo dia.

As imagens refletidas nas páginas de jornal e nos telejornais nem sempre são a conduta real no cotidiano da vida de algumas pessoas. Um exemplo que continua ainda vivo é a imagem de Cazuza. Um usuário de drogas continua sendo modelo de vida para seus seguidores. Sua obra não precisa ser esquecida, mas sua conduta neste mundo deve.

A sociedade é reflexo dos formadores de opinião. Não pensem que escritores, sejam de artigos em jornal ou de livros, têm esse poder sobre a população. Os formadores de opinião são profissionais pagos para este fim. Se não existissem esses profissionais, que criam imagens de líderes, nunca um grupo que usou de extrema violência para tomar o poder no passado estaria na cúpula do governo do Brasil.

Propaganda e publicidade não são uma invenção recente da informática e nem das redes de relacionamento na internet. Vêm de longe. No governo Getúlio Vargas, a propaganda foi introduzida em 1931 com a criação do Departamento Oficial de Propaganda. O departamento cresceu e mudou de nome: 

Departamento de Propaganda e Difusão Cultural. Essa mudança ocorreu em 1934. Somente em 1939, a propaganda foi introduzida de forma agressiva através do Departamento de Imprensa e Propaganda. Entretanto, desde 1931 que Vargas, através desses departamentos, controlava a cultura (teatro, rádio, cinema, etc.) e os meios de comunicação.

Através da propaganda, Getúlio ficou conhecido como o “Pai dos Pobres”. Não era um pai que doava mesada aos seus eleitores, como é o Programa Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida. Criou uma legislação trabalhista que perdura até os dias atuais. A lei existe para preservar os direitos de todos. De certa forma, a CLT trata os empregados como “coitados desassistidos” e os empregadores como vilões. 

Como todos sabem, quase tudo que foi criado no período Vargas tem suas raízes no fascismo e nazismo. Não há sindicato que aceite acabar com o entulho da Ditadura Vargas. Ditadura não é bom em hipótese alguma. Quando Getúlio morreu, o Brasil entrou em comoção.

Faziam parte do Ministério da Educação do governo Getúlio Vargas as seguintes pessoas: Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Cândido Portinari. O ministro era Gustavo Capanema. Alguém sabe quem faz parte do atual ministério?

Como Getúlio Vargas deveria ser lembrado? Como um estadista ou caudilho? Os reflexos de sua administração ainda perduram. Essa discussão deveria voltar à pauta do dia. Porque ter um ditador que era tido como pai dos pobres é uma coisa. Ter um grupo no poder que impõe seus interesses é outra coisa.
A imagem dos atuais governantes pode ser uma imagem real. Invertida de valores.    

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