quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A palavra ‘saudade’

Por Hélio Consolaro

Os apaixonados por nosso idioma afirmavam num passado recente que a palavra “saudade” não tem tradução noutra língua, era um sentimento bem lusitano, próprio de nossa cultura.
O estudioso que mais se aprofundou nos estudos etimológicos do português foi Antenor Nascentes. E no verbete “saudade” de seu Dicionário Etimológico, não economizou tinta para defini-lo. Dicionário de 1932, reimpresso em 1955, tão raro em nossos dias, embora seja muito reproduzido no Dicionário Houaiss.

A etimologia mais provável da palavra “saudade” é ter origem latina, em “solitate”, que deu “soidade” (ainda em uso em galego), que passou a saudade por analogia com saúde, podendo ter havido um processo de elaboração e fixação literárias do termo. A hipótese de origem árabe tem sido defendida sem sucesso por alguns estudiosos.


Seria ufanismo dizer que a palavra “saudade” é uma particularidade da língua portuguesa, querendo revelar, com isso, a superioridade de nosso idioma. Todas as línguas têm suas particularidades em diferentes níveis de análise, portanto, é comum que cada língua possua palavras ou expressões ou construções que são intraduzíveis numa língua diferente. Daí surgir os empréstimos linguísticos, principalmente nestes tempos de globalização.

Até Cazuza repetiu o chavão em sua música “Saudade”:
“Saudade / É uma palavra / Saudade / Só existe na língua portuguesa/ Saudade de Val vendendo pó na esquina/ Saudade do que nunca vai voltar”.
Se não houver uma palavra específica para traduzir “saudade” noutros idiomas, pode existir aproximações. Além disso, quando se fala de uma palavra, é necessário ter em conta o seu contexto, e, por outro, a relação de palavras com o mesmo radical.

Podemos até nos orgulhar de que “saudade” não tem tradução noutras línguas, mas o português também não consegue traduzir palavras de outros idiomas. (Base de pesquisa: site português Ciberdúvidas.)

Novamente a regência nominal
A comunidade paroquial N. S. Aparecida, de Major Prado, em seu salão, na afã de acolher bem os visitantes escreveu o painel: “Seja bem-vindo em nossa comunidade!”

Alguém assoprou em meu ouvido: “O certo não seria bem-vindo a nossa comunidade”? Usar a preposição “a” no lugar de “em”. Isso se chama regência. Esse estudo muito importante faz parte da sintaxe, parte da gramática que trata das relações entre palavras.

Na hora, respondi à pessoa que certas palavras admitem várias regências, admitem o uso de vários conectivos (no caso, preposições) no relacionamento com outras palavras, mas que faria uma pesquisa. A regência mais culta é “bem-vindo a nossa comunidade”, mas já se admite a preposição “em” também. “Vindo” é particípio irregular do verbo “vir” que, na frase, faz o papel de adjetivo. O painel está escrito corretamente.

Palavra da Semana
Alumbrando (a-lum-bra-do)
Dia 25 de julho, Dia do Nacional do Escritor. Um bom escritor normalmente tem sua(s) fonte(s) de inspiração para criar. Essa fonte pode ser tanto estável quanto passageira. Quando esse artista se inspira em algum objeto, pessoa, ideia etc, podemos dizer que ele está alumbrado. O termo, que também pode ser sinônimo de “iluminado”, neste caso se refere ao escritor que adquiriu esse entusiasmo, essa inspiração. www.aulete.com.br

Teste da Semana
(Resposta)

Qual a diferença entre as palavras “cessão”, “sessão” e “seção”?
Resposta: as três palavras são homônimas. Para ser mais específico, são homófonas, possuem a mesma pronúncia, mas são escritas de formas diferentes.
Cessão: ato de ceder.
Sessão: reunião, assembleia
Seção (antigamente, secção): compartimento, departamento.

Teste da Semana
(Pergunta)
Como se escreve o arranjo floral? Ikebana ou iquebana?

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