terça-feira, 30 de agosto de 2011

Olhar campeão


Foto premiada de Alexandre Souza
Por Talita Rustichelli
De que é feita uma boa fotografia? De um bom equipamento? Do acaso? De uma técnica apurada? Também. Mas de nada serve tudo isso se o fotógrafo não tiver a principal característica: olhar aguçado. Utilizando esta "receita", o repórter fotográfico Alexandre Souza afirma ser possível fazer grandes trabalhos.

O profissional, que já foi contratado da Folha da Região entre 2001 e 2009 e ainda presta serviços de freelance para o jornal, venceu uma das categorias do 7º Prêmio New Holland de Fotojornalismo e viajou ontem para o Rio Grande do Sul para receber a premiação. Pela quarta vez ele envia material para o concurso, mas é a primeira vez que vence.

"Receberei o prêmio em Esteio, cidade próxima a Porto Alegre, onde acontece a Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários)", disse em entrevista realizada ontem de manhã. Ele recebe o prêmio hoje, no estande da New Holland, empresa que organiza o concurso.

Souza venceu a subcategoria "Aficionados", da categoria "Máquinas New Holland" e recebe a quantia de R$ 5.000,00. Segundo ele, não se inscreveu na categoria "Profissionais", porque era necessário estar registrado em alguma empresa jornalística na época da inscrição (ele trabalha atualmente fazendo trabalhos autônomos). O resultado da competição foi divulgado pelos realizadores no dia 22 de agosto.

VISÃO
A imagem inscrita por Souza no concurso foi feita em 2010, quando ele retornava de uma viagem a trabalho. Ao passar por uma plantação de sorgo, o olhar preparado indicou: ali havia uma boa fotografia. 

"Passávamos pela rodovia Marechal Rondon, perto de Coroados, e paramos para beber água. Avistei uma plantação e, ao fundo, uma colheitadeira. Fiz a foto", conta, sobre a imagem inédita.

CARREIRA
Em mais de 20 anos dedicados à fotografia, é a primeira vez que o profissional vence uma competição na área. Para ele, vencer significa ser reconhecido pelo trabalho. "O dia a dia do fotojornalista é muito corrido, então, geralmente não se consegue ter grande visibilidade. Esses prêmios são formas de valorizar o trabalho do profissional que vai a campo", afirma.

Souza conta que começou no fotojornalismo em 1988, "por acaso". Ele trabalhava em um jornal na cidade de Araçatuba, onde o proprietário lhe ofereceu a oportunidade de registrar suas primeiras imagens profissionalmente. "O fotógrafo do jornal, o Paulo Gonçalves (que hoje atua na Folha da Região), estava mudando de cidade e deixaria vago o cargo. O dono do jornal perguntou se eu aceitaria substituí-lo e aceitei", diz.

APRENDIZADO
Porém, Souza confessa que não foi tão fácil. O fotojornalista, que atuava na empresa em uma função que em nada se assemelhava à sua atual profissão, teve um prazo de uma semana para aprender como tirar uma fotografia. "O Paulo iria embora em uma semana, e ele me ensinaria. Acompanhava ele no dia a dia, e ele ia me explicando os passos", conta.

Questionado sobre a possibilidade de realizar uma exposição com os melhores trabalhos feitos em toda a sua carreira, ele afirma que está separando este material, mas para só depois da aposentadoria. "Fotografia se aprende a cada dia, a cada foto que a gente faz. Hoje, acho que devo saber uns 50%", diz.

POSSIBILIDADES
Alexandre Souza se define como um apaixonado por fotografia. E ele conta que não tem apenas contato profissional com ela. "Eu costumo sair pela cidade, ou até fora, para fotografar. Às vezes saio para 'pescar' com amigos, mas enquanto eles pescam peixes, eu pesco fotos".

"Em frações de segundo um momento é eternizado. Fotografia é arte e dom. Não adianta pegar um bom equipamento e sair por aí fotografando; uma boa câmera melhora a qualidade do que é produzido, mas não basta. O repórter fotográfico, em seu trabalho, recebe várias informações visuais. Então, ele precisa estar atento para observar e reconhecer a possibilidade de uma boa foto", finaliza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário