quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O caso do ermitão

 Por Marianice Paupit

Certa vez um jornalista chegou a um vilarejo e soube que um bem-sucedido comerciante havia se mudado da cidade deixando família e quase toda sua economia. Tendo saído de casa apenas com a roupa do corpo e algum dinheiro para comprar um pequeno sítio, onde dali em diante passaria a morar.

O jornalista, que estava à procura de peculiaridades, quis saber mais, por que um homem bem situado na vida toma uma atitude desta?

O comentário na pequena cidade é que ele tinha tido uma decepção com algum fato ocorrido dentro de sua família tão bem constituída, mas nada era muito bem explicado. O que se sabia é que o nosso amigo alimentava-se do que plantava, tomava banho em uma cachoeira e vivia numa solidão total, apenas com um cachorrinho vira-lata que havia encontrado no abandono.


A casa do pequeno sítio era bem modesta, flores do campo a seu redor, um coqueiro e várias outras árvores frutíferas.

Toda tarde o nosso amigo se achegava junto a um rádio e ouvia a programação todinha até a hora de dormir.

Durante o dia, a partir do primeiro raio solar, ele cuidava da plantação, de onde tirava o seu sustento.
O jornalista chegou até o sítio do ermitão e lhe faz várias perguntas: por que uma atitude tão radical? Por que largar um lar todo estruturado e se embrenhar em um lugar senão deserto, mas desprovido de todo e qualquer conforto do qual estava acostumado?

O nosso comerciante olha bem fixamente ao entrevistador após uma pitada e, diz:
_ Meu caro amigo, vou lhe contar mais ou menos o que aconteceu: Sou, ou fui muito correto em todas as minhas atitudes, sempre visava o bem-estar de minha mulher, filhos e agregados.
Um dia, quando aconteceu o casamento da filha de um amigo, eu percebi que o padre celebrante olhava muito para mim e minha mulher, além de estar falando muito naquela cerimônia, então bem baixinho disse à minha cara companheira:
_ Como este padre olha pra gente, principalmente pra mim, será que ele está querendo me dizer alguma coisa? A mulher mui discretamente respondeu:
_ Não se apoquente não, marido, ele é um padre muito legal, tempos atrás me confessei com ele.
_ O quê? Mulher ... que diabos você confessou? Para que ele me olha tanto?
- Ah! Marido... nada demais.
Dali em diante, meu caro entrevistador, não tive mais sossego, a confiança que tinha em minha mulher acabou. Então, para a desgraça não acontecer, resolvi me isolar.
Entendeu?

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