quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O amor une e reúne mesmo

Por Emmanuela Zambom

Hoje em dia, é comum as crianças não morarem com o pai e a mãe juntos. Mas isso não as impede de desfrutar a presença de ambos. Quem disse, por exemplo, que para ter o pai sempre por perto é preciso morar com ele?

Marcos Donisete da Silva Camargo, 24 anos, e Gabriel Carvalho dos Santos Camargo, 3 anos, ambos de Araçatuba, sabem que os momentos juntos são muito valiosos. Gabriel fica com o pai durante a semana, no período da noite. Aos sábados e domingos, ele praticamente se muda, com mala e cuia, para a residência de Marcos.


E o que eles costumam fazer juntos? Um dos lemas é a diversão, que nunca é demais. Ao observar o pai mexendo no computador, Gabriel aprendeu a usar as ferramentas da máquina e agora até pede para Marcos ligar os seus jogos preferidos. Porém, quando é questionado sobre o que mais gosta de fazer com o pai nos fins de semana, a resposta é uma só: jogar futebol.

Segundo Marcos, o fato de não morar com o filho não interfere na amizade e no amor dos dois. Muito pelo contrário. Mesmo residindo em casa diferente, o pai consegue ensinar a Gabriel brincadeiras e ajudar na educação. A sintonia entre eles é grande, mas quando o assunto é time de futebol, os dois discordam. Gabriel é sãopaulino, e Marcos, palmeirense. Mas, com muito bom humor e companheirismo, é possível driblar essa e outras diferenças, e conviver sempre em harmonia.

DUPLA
Pela primeira vez morando juntos, Douglas Augusto Oliveira, 36 anos, de Araçatuba, e Pedro Belinelli Brandão Oliveira, 10 anos, agora dividem a mesma casa e compartilham várias atividades. “Eu estou gostando de morar com o meu pai”, diz Pedro. Douglas, que antes morava sozinho, e Pedro, que vivia com a mãe em Penápolis, já montaram roteiros de atividades que gostam de fazer nas horas vagas. “Gosto de ir com o meu pai no clube, jogar bola e nadar. Em casa, a gente assiste a TV juntos e joga videogame. Meu pai também me ensinou a jogar xadrez”, comenta o garoto.

Além de fazer todas essas brincadeiras divertidas juntos, Pedro lembra de um detalhe muito legal. Morando com Douglas, ele agora pode curtir duas festas de aniversário. Uma organizada pela mãe, outra pelo pai. Assim, fica bem melhor encarar a situação de ter os pais separados.

Douglas diz que fez algumas mudanças para receber o menino. “Coloquei TV a cabo, comprei videogame e agora vou comprar duas bicicletas.” Ele considera que, para a criança, o ideal é que participe das tarefas diárias da casa, ajude o pai a lavar louça, arrumar o quarto, não deixar as roupas e sapatos espalhados em todos os cantos. “Ter um filho é a nossa chance de tornar uma pessoa melhor”, explica.

MAIS PRÓXIMOS
Para a psicóloga Almey Giuliane Luna Gasqui de Souza, de Araçatuba, a criança pode ter um relacionamento feliz e legal com o pai mesmo morando separados. O segredo de tudo é entender que a convivência com o pai não depende do tipo de vivência que o pai tem com a mãe, no caso dos pais separados. “São histórias que aconteceram juntas até um determinado momento na vida da família”, explica.

Para Almey, a criança deve sempre falar quando está com vontade de ver o pai e de estar perto dele. Conversar com a mãe, com os avós e até tios sobre isso também pode ajudar o pai a ficar mais próximo do filho.

A profissional explica que filho e pai conseguem até fortalecer o amor que sentem um pelo outro mesmo estando separados fisicamente. “Existem casos em que o pai acaba até se aproximando do filho após a separação, tendo uma relação mais sólida e feliz”, destaca a psicóloga.

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