segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Música e educação

Talita Rustichelli

Está mais do que comprovada a ação positiva da música no desenvolvimento das pessoas. Estímulo à sensibilidade, trabalhos com coordenação motora, concentração e agilidade matemática estão entre os principais benefícios proporcionados com sua utilização. Partindo do conceito de que a escola é o local onde a criança realiza suas primeiras descobertas em relação à convivência social, o ambiente escolar é, então, um dos melhores meios para se trabalhar a musicalidade.

No mês de agosto vence o prazo estabelecido pela lei nº 11.769, sancionada em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que torna obrigatório o ensino da música nas escolas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio). O conteúdo é obrigatório, mas não exclusivo, podendo ser abordado dentro de outras disciplinas. Escolas de Araçatuba se adequam à nova legislação. A maioria está adaptando o conteúdo musical à disciplina de artes.


Na rede municipal de ensino, com 72 escolas e 13.539 alunos, foram contratados recentemente professores específicos para ministrar aulas de artes. "Estamos reorganizando a disciplina de Artes e preparando os professores para as novas exigências em relação à música, oferecendo cursos e palestras. São propostas pedagógicas com a intenção não de formar 'professores músicos', mas de capacitá-los para integrar a música na disciplina de forma correta", explica a diretora do Departamento Municipal de Ensino de Araçatuba, Ana Cláudia Celice Alves Vasconcelos.

Segundo Ana Cláudia, existe a possibilidade de tornar a música uma disciplina única no município, porém não no momento. "Temos de ter o cuidado para não interferir na carga horária de outras disciplinas. Não que a música não seja igualmente importante, como a língua portuguesa e a matemática, por exemplo. Mas porque já há uma disciplina de Artes que pode trabalhar não só a música, mas outras linguagens também".

Na maioria das escolas da cidade, pouca coisa vai mudar. No Colégio Salesiano, que oferece de educação infantil ao ensino médio, a música é repassada aos alunos de todos os anos dentro da disciplina de artes e assim vai continuar. Para a professora de Artes, Mirian Deise Rodrigues Chella, que ministra aulas no Salesiano, seria importante que se dedicasse uma disciplina somente à música em todas as escolas. "O professor de artes não tem tempo hábil para trabalhar todas as linguagens artísticas. São duas aulas por semana, às vezes uma, dependendo do ano", afirma. Ela acrescenta ainda que no colégio os alunos têm contato com a música desde a educação infantil até o ensino médio.

No Unicolégio, que também tem turmas de educação infantil até o ensino médio, a música está inserida na disciplina de artes até o primeiro ano do ensino médio. Já para os alunos do segundo e terceiro anos do ensino médio, a música está inserida nas disciplinas de história, literatura e sociologia. "A música é usada como recurso para ilustrar um fato histórico, por exemplo", afirma a coordenadora do ensino médio do Unicolégio, Maria Conceição Morangueira Magri.

VIOLÃO
A estudante Marina Vinagre da Cunha, 16, que está no segundo ano do ensino médio em uma escola particular, afirma que a instituição oferece aulas de música e artes apenas para alunos mais novos, por isso recorreu às aulas particulares de canto e violão.

Ela conta ter muita afinidade com as artes - já que é incentivada desde pequena pela mãe, que é atriz e poetisa - e sente necessidade dessa disciplina. "No ensino médio, há muita pressão em relação a vestibular. As aulas de artes poderiam ser um momento de aprendizado com descontração. Além disso, seria importante para estimular nos alunos um maior senso crítico em relação às músicas que ouvem, por exemplo", diz.


Escolas vão ter autonomia para trabalhar conteúdo
O ensino artístico e musical nas escolas é trabalhado de acordo com a melhor assimilação de cada faixa etária, mas os professores podem ensinar os conteúdos de acordo com as exigências feitas por cada escola, de acordo com o MEC e com a Secretaria Estadual de Educação. Segundo um dos assessores de comunicação do MEC, César Augusto Oliveira, o Ministério não é responsável pela fiscalização. "Quem acompanhará se as escolas cumprem ou não o conteúdo exigido é o Ministério Público, que tem autonomia de gestão para isso", diz Oliveira.

Para a pianista Ariane Bego Neiro, a melhor forma de ensinar música nas escolas também é por meio disciplinas específicas e com professores com formação musical. "A música tem muitas abordagens, e não é possível que todas sejam exploradas em uma disciplina que abrange outros assuntos. Além disso, o professor precisa ter domínio do conteúdo que irá passar ao aluno", afirma.

A professora de Artes Mirian Deise Rodrigues Chella afirma que é essencial que o professor se especialize.
"Eu não sou musicista, mas tenho curso de alfabetização musical e sempre procuro me atualizar. Isso é necessário para que o professor e as escolas possam não só atender à nova exigência, mas também desempenhar um bom trabalho", salienta.

GRADE
A diretora pedagógica de educação infantil ao ensino fundamental da escola Thathi, de Araçatuba, Irani Perenha Baccalá, afirma que da educação infantil até o nono ano os alunos possuem aulas de artes e música. "A música está na grade, mas não como uma disciplina. São intercaladas aulas de música e aulas de arte em geral", diz.

"Não são aulas como as de um conservatório musical, por exemplo. Nós despertamos no aluno certas sensibilidades e habilidades utilizando a música, mostrando-lhe as diferenças de ritmos, a história da música, apresentando os instrumentos, enfim, ampliando sua cultura musical", complementa.

Segundo ela, o ensino médio aborda a música dentro da disciplina de Literatura. "Aguardamos instruções da Diretoria de Ensino e, caso seja necessário inserir no ensino médio a educação musical somente na disciplina de Artes, faremos a adequação", explica.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Educação do Estado afirma que desde 1971 a música já estava inserida como um dos contextos abordados nas aulas.

"A maioria das escolas do estado já trabalhava a música dentro da disciplina de artes, desde 1971", afirma o assessor da secretaria Eduardo Salvador Moertl.

Ele acrescenta ainda que a utilização de instrumentos musicais ou não fica a critério da escola. "Se a escola pretender utilizar instrumentos, faz uma requisição para o estado, mas não há essa obrigatoriedade".

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