terça-feira, 2 de agosto de 2011

Guris profissionais

Por Talita Rustichelli

A vida do profissional que é envolto por canções e instrumentos musicais é vista por muitos com um encantamento poético. Não que não haja este encantamento, mas trabalhar como músico envolve fatores além disso. Muito estudo, muito trabalho, muita dedicação. É assim que alunos do projeto Guri, por exemplo, se tornam músicos depois de saírem do programa.

Alguns chegaram a se tornar professores do próprio projeto. É o caso de Thiago Bueno Paraizo, de 21 anos. O músico fez aulas de contrabaixo no Guri de 2006 a 2008 e desde o ano passado ministra aulas do instrumento e também de violoncelo, que aprendeu em outros cursos. Ele afirma que o Guri lhe deu conhecimento sobre a formação de orquestras e proporciona uma educação musical de qualidade.


Paraizo conta que desde os seis anos estuda música e que toca ainda flauta e violão. Antes de vir para a região de Araçatuba, morou em São Paulo, onde estudou inclusive na antiga ULM (Universidade Livre de Música), hoje Emesp (Escola de Música do Estado de São Paulo "Tom Jobim"). Para ele, o Guri complementou um incentivo que veio da família, formada quase que toda por músicos, e lhe deu a oportunidade de aprender mais um intrumento.

Ao alcançar a idade máxima permitida para integrar o projeto, Paraizo já se tornou profissional. Atualmente, ministra aulas nos polos do Guri de Avanhandava e Birigui e tenta incentivar seus alunos da melhor maneira possível. "Como já fui aluno do projeto, consigo entender o pensamento deles. Alguns ficam apreensivos em relação a certos instrumentos, mas nosso papel, inicialmente, é mostrar-lhes que são capazes de tocar, basta conhecer o instrumento e se dedicar", afirma.

O músico toca ainda com as duas irmãs em festas e eventos, e integra o grupo Allegretto, também de Birigui, coordenado pela professora Lolita Matiazzo Mozzilla, e o coral araçatubense regido pela musicista Neila Fontão.

SAXOFONE
A musicista e pedagoga Angieli Queiroz da Rocha, de 22 anos, ministra aulas de saxofone no polo do Guri de Araçatuba. Ela conta que aprendeu a tocar o instrumento de sopro com o pai, mas fez aulas de violão no projeto quando tinha 17 anos.

"O projeto foi fundamental para que eu desenvolvesse uma atuação em equipe, por meio da prática musical coletiva. E isso eu passo para meus alunos: não devem ser levadas em consideração diferenças sociais e culturais", diz. Além de ministrar aulas, Angieli toca na Orquestra de Sopros de Araçatuba e na banda O+, que faz música ao vivo em festas e cerimônias.

SONHO
A estudante Marcela de Almeida Zago, 14, ex-aluna do projeto Guri, afirma ter um sonho e tem planos para realizá-lo: "quero um dia ser integrante da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo)", diz a jovem, que pretende se graduar em uma faculdade de música. "Com certeza, além de me ajudar a não ficar tão inibida ao me apresentar, ele já me abriu portas e continuará abrindo", acrescenta Marcela, que hoje é membro da Orquestra da Alma (Associação Livre dos Músicos de Araçatuba), dá aulas particulares de violino e toca com a irmã em eventos.

A ex-aluna participou do Guri de 2006 a 2010, com o incentivo da mãe, inicialmente por "vergonha de tocar em público". Violinista "de sangue", aprendeu a tocar as primeiras notas no violino com o avô, o luthier e violinista Bruno Zago. "Mas no projeto, aprendi coisas novas, que ainda não sabia, tanto na prática quanto na teoria. Infelizmente, tive de interromper as aulas por conta de outros compromissos, mas continuo estudando em casa, pelo menos uma hora por dia", afirma.

INCENTIVO
De acordo com a coordenadora do polo regional do Guri, Gislaine Ábrego, o objetivo inicial do projeto é promover o desenvolvimento social da criança e do adolescente por meio da música. "Mas isso não anula o incentivo para que os alunos deem continuidade à carreira musical. Temos, por exemplo, o 'Programa de bolsas de estudos do Guri'", salienta.

Segundo informações do site do projeto, o programa dá aos ex-alunos a oportunidade de se profissionalizarem, oferecendo bolsas de até um ano em instituições de ensino musical dentro ou fora do Brasil. Para se inscrever, os interessados devem ter participado do Projeto Guri por durante, no mínimo, 18 meses.

SATISFAÇÃO
Para a coordenadora do polo de Araçatuba, Alinne Brito Matos, é muito gratificante poder participar, de certa forma, da evolução dos alunos. "Criamos vínculos com eles, tanto a coordenação quanto os professores. Ficamos orgulhosos em saber que conseguiram dar um passo a mais e que o Guri teve participação nessa etapa. Fazemos questão de orientá-los quando desejam seguir a carreira e também de divulgar seus resultados", diz.

CURSOS
O Projeto Guri é um programa socioeducativo que oferece desde 1995 cursos de iniciação e teoria musical, coral e instrumentos de cordas, madeiras, sopro e percussão. Hoje, são atendidos pelo projeto cerca de 50 mil alunos, nos 366 polos distribuídos pelo Estado de São Paulo. É uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, administrada por duas organizações sociais ligadas à Secretaria de Estado da Cultura, e conta ainda com o apoio de prefeituras, organizações sociais, empresas e pessoas físicas.
No primeiro semestre deste ano, o projeto Guri atendeu a cerca de 3.800 crianças, adolescentes e jovens nos 29 polos distribuídos na região de Araçatuba.



Projeto está com inscrições abertas para o segundo semestre de 2011
Os cursos de música do Projeto Guri, programa sociocultural do Governo de São Paulo, reiniciam as atividades. As 29 uProjeto está com inscrições abertas para o segundo semestre de 2011nidades da região de Araçatuba oferecem vagas para as turmas de iniciantes para o segundo semestre.

A pré matrícula pode ser feita até sexta-feira, dia 5 de agosto, nos dias e horários de funcionamento dos polos. Podem participar crianças e jovens de 6 a 18 anos e não é necessário ter conhecimento prévio de música nem realizar testes seletivos; basta que o interessado esteja matriculado em qualquer instituição de ensino.
A coordenadora do polo de Araçatuba, Alinne Brito Matos, explica que nesta semana não está sendo feita a inscrição definitiva. "Os pais preenchem uma ficha com os dados dos futuros alunos, efetuando a pré matrícula. Depois, de 8 a 12 de agosto, os inscritos participarão de uma semana de integração", diz.

INTEGRAÇÃO
Alinne explica ainda que durante a semana de integração os alunos conhecem os instrumentos dos cursos oferecidos, os professores e o polo. "A partir disso, eles podem escolher o instrumento que querem aprender. Pode acontecer de não haver mais vagas para as aulas do instrumento escolhido; então, é possível ele optar por outro".

Os interessados devem se dirigir ao polo onde desejam estudar, acompanhados por pais ou responsáveis, levando RG (ou certidão de nascimento) e comprovante de matrícula escolar. Os cursos são oferecidos gratuitamente. Em Araçatuba, o projeto Guri funciona na rua Anita Garibaldi, 75, Centro. O telefone é 3621-2052.

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