segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Estudo mapeia o que influencia qualidade de vida de atletas

Meire Kusumoto, do USP Online  

Em projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido desde agosto do ano passado, a professora Ana Lúcia Padrão, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, procura caracterizar e comparar a qualidade de vida de atletas profissionais, semiprofissionais e amadores. O estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), irá mapear os fatores e o seu grau de influência na percepção da satisfação pessoal pelas diferentes categorias de atletas.

De acordo com a professora, “é uma nova área de pesquisa com instrumentos específicos para estudar este assunto e que podem resultar em informações importantes para entender o fenômeno esporte”. Costuma-se pensar que, como os atletas estão muito envolvidos com os esportes, eles possuem uma vida saudável e, consequentemente, qualidade de vida. Entretanto, Ana explica que o termo é mais amplo — contempla estados de saúde, mas não se restringe a isso.


“A confusão é comum. Geralmente, para quem não se dedica a um estudo mais particular como esse, fica mais difícil enxergar a diferença entre os dois [qualidade de vida e saúde]. Não são sinônimos. Dentro do conceito de qualidade de vida devem ser levados em conta aspectos como sentimento de segurança, satisfação com grau de escolaridade, conforto com meios de transporte, entre outros”, diz a professora Ana Padrão.

Metodologia
Para o estudo, Ana adotou o conceito de “qualidade de vida” como sendo o grau de satisfação que alguém tem com relação a fatores importantes de sua vida, como saúde física e psicológica, segurança financeira e relacionamentos. Ela utiliza um método que começou a ser desenvolvido em 1984, por duas professoras norte-americanas, e que vem sendo aprimorado e utilizado em diversos países desde então. Por meio de um questionário, é possível calcular a satisfação de quem está respondendo de acordo com o que considera mais importante.

Por exemplo, no quesito escolaridade, o voluntário atribui um número referente a quanto ele se encontra satisfeito. Logo após, dá uma nota para quanta importância dá para esse aspecto. “Se ele coloca um número baixo para a primeira pergunta e um alto para a próxima, isso pode significar que, talvez, a qualidade de vida dele pudesse ser melhorada se os eventuais problemas que tem com sua escolaridade fossem resolvidos”, explica a professora.

Na pesquisa, os participantes são obrigatoriamente maiores de idade, vinculados a algum clube e estão disputando competições neste ano. A partir das respostas, a professora vai poder estabelecer diversas comparações entre os resultados de acordo com as categorias de atletas, o sexo e a idade. “São muito amplas as possibilidades de análise. A ideia é relacionar todos esses dados para, talvez, chegar a algum ponto que mereça maior destaque e possa se desdobrar em outra pesquisa, mais direcionada”, afirma a professora Ana Padrão.

Da prática à teoria
Após a análise dos resultados e a publicação do estudo, Ana pretende entrar em contato com alguns treinadores para obter deles uma avaliação do que foi encontrado por ela. “Quero fazer uma devolutiva para os técnicos e perguntar o que eles observam e o que é importante, já que acompanham os atletas rotineiramente”. Segundo ela, mesmo durante a coleta de dados alguns profissionais já se mostraram interessados em entender a pesquisa e o método utilizado.

“Percebo certa curiosidade de quem pratica pela parte teórica”, diz. Agora, ela procura justamente levantar material para, futuramente, oferecer essa base. “A intenção é oferecer material científico que a sociedade possa entender, que possa servir de instrumento para a melhoria de vida dos atletas”, atesta Ana.

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