terça-feira, 30 de agosto de 2011

Em 4 anos, cai número de fumantes no país


Por Nathália Gottardi

Segundo pesquisa realizada e apresentada na Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, o número de pessoas que fumam no Brasil caiu de 16,2% para 15,1% no período compreendido entre 2006 e 2010 - uma boa notícia a se comemorar no Dia nacional de Combate ao Fumo, celebrado ontem (29).

O levantamento foi feito em 2010 nas capitais estaduais com pessoas com mais 18 anos e que possuem telefone residencial. Entre os homens, que são a maioria entre os fumantes, a queda foi de 20,2% para 17,9%. A quantidade de mulheres que fumam se manteve em 12,7%. O levantamento apurou que pessoas com menor escolaridade fumam mais.


MORTE PREMATURA
As doenças relacionadas ao fumo são as principais causas de mortes prematuras no mundo. Entre as enfermidades causadas pelo tabaco estão doenças pulmonares como bronquite e enfisema; câncer de pulmão, boca, laringe e estômago; derrame cerebral e infarto.

Laura (nome fictício), 63 anos, aposentada, parou de fumar há 28 anos devido a um susto na saúde do marido. "Eu parei de fumar por causa do infarto do meu marido. Ele fumava três 'carteiras' (maços) de cigarro por dia, aí ele infartou ficou internado três dias em coma, cinco dias na UTI, mais 15 dias no hospital. Foi seríssimo. E ali mesmo na Santa Casa eu joguei a 'carteira' de cigarro que eu tinha e nunca mais fumei. Nem eu e nem ele", relata.

Porém, mesmo não fumando mais, o marido de Laura ainda sentiu as consequências do vício. "Ele parou de fumar e viveu mais 23 anos. Depois, ele teve um câncer no pulmão e os médicos foram unânimes em dizer que aquele câncer foi consequência do cigarro. Apesar de ele ter parado há muito tempo ficou aquela 'sementinha'". O vício do marido acabou influenciando um dos filhos de Laura. Quando criança, a mãe chegou a flagrá-lo com um cigarro na boca, tentando imitar o pai. O rapaz fumou até os 19 anos. Hoje com 31, ele está livre do vício.

Atualmente, oito em cada dez homens que morrem por doença respiratória crônica no Brasil são fumantes. Entre as mulheres são seis óbitos a cada dez. Pesquisa realizada pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) mostra que esses números estão acima da média mundial, que é de cinco em cada dez mortes entre os homens e duas em cada dez entre as mulheres.

TOXINAS
Que o cigarro faz mal à saúde todo mundo sabe. O que pouca gente sabe é o que faz do cigarro uma droga. No cigarro são encontradas toxinas que estão no dia a dia, só que em outros formatos. Uma dessas toxinas é a acetona, comumente utilizada para retirar esmaltes.

A amônia, encontrada em produtos de limpeza como desinfetantes para pisos, azulejos e privadas é outro 
componente. Assim como a terebintina, que dilui tinta a óleo, a naftalina, repelente de baratas, o formol, usado para conservar cadáveres, fósforo P4/P5, usado em veneno de rato, polônio 210, um componente nuclear, butano, combustível de isqueiro, metopreno, um inseticida, benzeno, um solvente químico e cádmio, usado em baterias de carro.

PROPAGANDA
Boa parte da popularização do cigarro no Brasil se deveu à veiculação de propagandas sobre o produto que apresentavam situações e ambientes luxuosos e incrivelmente bonitos. A imagem de artistas fumando em filmes era praticamente obrigatória no século 20 e muitas pessoas adquiriram o hábito de fumar por considerá-lo símbolo de status.

"Naquele tempo achava-se bonito. Quem fumava era artista de Hollywood. Todos os meus amigos fumavam, pois era moda. Naquele tempo, quando a televisão começou a 'pegar fogo', o cigarro era Hollywood. Quem fumava Hollywood tinha carrão, era importante, era o máximo", conta Laura, referindo-se ao período em que começou a fumar, quando tinha 18 anos.

Assim como Laura, seu marido passou a ser fumante para não se sentir deslocado. "Ele começou a fumar com 22 anos porque fazia faculdade e na sala dele tinha umas 20 mulheres e dois homens, e só os homens não fumavam".

Sabendo da influência da publicidade no hábito do consumidor, o governo sancionou em julho de 1996 a Lei nº 9.294, que proibiu aos comerciais atribuir ao fumo "propriedades calmantes ou estimulantes, que reduzam a fadiga ou a tensão, ou associar ideias ou imagens de maior êxito na sexualidade das pessoas, insinuando aumento de virilidade ou feminilidade de pessoas fumantes".

Para alertar e reforçar sobre os riscos que as toxinas do cigarro trazem para a saúde de quem fuma ou vive próximo a fumantes (os chamados fumantes passivos), o governo estabeleceu que em cada embalagem deste tipo de produto houvesse uma advertência acompanhada de imagens.

São fotos que chocam, mas que mostram a realidade de quem sofre dos males do cigarro. "Acho que as pessoas já não ligam mais para as fotos. Já banalizou, não é mais tão impactante", ressalta a ex-fumante Laura.

CAMPANHA
Amanhã, aproveitando a mobilização nacional, o Poupatempo de Araçatuba vai realizar uma campanha para alertar a população sobre os males do cigarro. No período entre 9h e 12h, uma equipe do Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) estará na unidade para dar orientações sobre tabagismo, distribuir material informativo e ministrar palestras de 15 minutos nas áreas de espera.

A Prefeitura informou que o Programa Nacional de Controle ao Tabagismo está em processo de viabilização no município, por isso ainda não haverá ações sobre o tema nesta data. No entanto, ações de conscientização e combate ao fumo estão previstas para 2012.

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