quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Educação a distância no Japão

Por Erika Tamura

Em maio deste ano, prestei vestibular para o curso de Administração de Empresas, e para a minha surpresa fui aprovada! O curso é a distância, via internet.

Até aí tudo bem, fui da euforia à ansiedade nesses dois meses. Na semana passada aconteceu o primeiro encontro presencial. Confesso que é uma experiência acadêmica única, diferente de todas de que já participei.

A começar pelo material didático que restringe-se a computador e internet, e o mais importante é a necessidade de disciplinar um tempo para os estudos, os horários dependem apenas de nossa adequação de tempo.


No começo pensei que poderia tirar de letra a conclusão dessa faculdade, mas pelo que pude perceber, será uma tarefa muito difícil.

Pude comprovar que o ensino a distância é só no nome, pois o curso é bem mais participativo do que a faculdade presencial. E em especial a Aiec (nome da faculdade em que estou matriculada) possui um sistema didático muito interessante, no qual a preocupação maior é na formação de profissionais competentes e que saibam colocar em prática todos os ensinamentos acadêmicos, e prática faz-se presente em todos os módulos do curso. Interatividade é uma característica imprescindível nessa instituição, a comunicação está acima de qualquer atitude. E os requisitos no mercado de trabalho atual consistem em adaptação, evolução, comunicação e atitudes.

Percebi que é assim que o mundo gira hoje em dia, tudo muito ágil e em evolução frequente, e quem não se adaptar certamente estará fora do mercado de trabalho atual. Como o enigma da esfinge, ou deciframos ou seremos devorados, pois a presteza atual exige que sejamos assim.

Mas como tudo o que é bom e evolutivo nessa vida atrai a atenção de invejosos e pessimistas, o meu ingresso na faculdade foi alvo dessas pessoas. Ouvi muitos absurdos, como um senhor que falou que curso a distância não tem crédito no mercado de trabalho, e que nenhum empregador daria um emprego de administrador para um profissional formado via internet. Ora se isso fosse verdade, os cursos a distância estariam com os dias contados, ou nem mesmo existiriam mais, porque uma instituição como a Aiec não colocaria no mercado de trabalho, todos os anos, uma quantidade considerável de profissionais, durante tanto tempo, se estivesse fadada ao fracasso.

E o que acontece é exatamente o contrário, o ensino via internet é uma tendência que a cada dia cresce mais devido às vantagens proporcionadas. Isso é evolução e um exemplo claro de globalização virtual e pedagógica.

Um detalhe importante é que esse senhor que fez esse infeliz comentário está desempregado. Coincidência? Claro que não, coincidências não existem, isso prova claramente que para uma pessoa com um pensamento desatualizado não há espaço no mercado de trabalho. E eu, muito educadamente, respondi que tenho dois empregos, sustento-me sozinha e sou feliz, e o senhor o que tem? Silêncio absoluto... Não acredito em sorte, acredito em competência, trabalho e esforço, o resto é consequência.

Outra expressão que ouço muito refere-se à duração do curso, de quatro anos. E educadamente também respondo que já estou há 14 anos no Japão e não fiz nada para a minha evolução. Chegou a hora de lutar por algo para mim, e quatro anos tiro de letra.

E só para deixar claro, estou nesse curso porque eu quero, resolvi estudar por iniciativa própria, por isso qualquer motivo apresentado para tentar desestimular-me será em vão! Tenho a pretensão de prosseguir com o curso e ir até o fim.

Recomendo a todos que tenham interesse em ingressar em qualquer estudo a distância. É uma experiência nova e desafiadora, na qual utiliza-se o que há de mais moderno na atualidade. Podemos considerar uma quebra de barreira para a inclusão digital, tão necessária em dias atuais.

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