quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Crítica social e sátira vencem o Prêmio São Paulo de Literatura

Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni, vencedores da
edição 2011 do Prêmio São Paulo de Literatura
 Fabio Victor e Marco Rodrigo Almeida - Folhapress

Os escritores Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni venceram, na noite de anteontem, o Prêmio São Paulo de Literatura.

Cada um vai receber R$ 200 mil. O valor, pago pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, que patrocina o evento, é o maior entre as premiações literárias no país.

O carioca Figueiredo, 55, levou o principal prêmio, o de melhor livro do ano, por "Passageiro do Fim do Dia" (Companhia das Letras). O romance narra a viagem de ônibus de Pedro a um bairro de periferia.

Um dos principais tradutores da literatura russa, ele diz ter sido influenciado por livros como "Ressurreição", de Tolstói, ao abordar as contradições sociais brasileiras. "Quando veio a ideia do livro, percebi que era uma forma de tocar em coisas relevantes, como a opressão."


Figueiredo é professor, já traduziu cerca de 80 livros e, nas horas vagas, escreveu cinco romances e três coletâneas de contos.

Mesmo com os R$ 200 mil, diz que não pretende ampliar o tempo dedicado à ficção. "Nunca escrevi pensando em gerar receita. Não penso em largar as traduções. Está bom assim, não quero viver de outro jeito."

Já o paulista Ferroni, 37, ganhou como autor estreante pelo romance "Método Prático da Guerrilha" (Companhia das Letras), no qual recria, de modo fantasioso, os últimos passos de Che Guevara como guerrilheiro na Bolívia. "Tentei fazer uma linguagem clara, mas trabalhada. Levei muito tempo para encontrar a voz do livro", disse.

Ao ser anunciado como vencedor, Ferroni brincou que o prêmio veio em boa hora. "Terminei o livro dez dias antes de meu primeiro filho nascer, em 2009, e agora ganho o prêmio dez dias antes do meu segundo nascer."

Editor da Alfaguara, selo da Objetiva, ele já trabalha no próximo livro, desta vez no gênero policial.

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