quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Angela Hewitt, maior intérprete de Bach, apresenta-se no Brasil

Por João Luiz Sampaio

No final da semana passada, pouco antes de embarcar para o Brasil, a pianista canadense Angela Hewitt estava preocupada. Recebeu uma ligação de São Paulo com uma notícia preocupante: o hotel em que ficaria hospedada não autorizou a colocação em seu quarto de um teclado onde ela pudesse estudar. Estavam preocupados com o barulho. "Eu falei para eles colocarem o maestro no quarto ao lado, mas acho que eles não gostaram da brincadeira", escreveu ela no sábado em seu blog.

A solução seria um teclado com fone de ouvido - e Angela resolveu acionar todos os conhecidos brasileiros para a tarefa. A tática deu certo? "Parece que amanhã de manhã vão me entregar um teclado, bem cedinho", diz ela já em São Paulo, na tarde de segunda, quando conversou com a reportagem. No domingo, não teve jeito, usou o piano do bar do hotel. "O gerente disse que bastante gente comentou que o som estava agradável", brinca. "Eu sei que parece chatice de pianista, mas não é. Tenho muito repertório a preparar e é importante ter um piano à disposição", explica.


De hoje a sábado, a pianista toca Schumann e Mozart com a Osesp regida por Hannu Lintu; e, no domingo, sobe ao palco da Sala São Paulo para um recital solo que está entre os mais aguardados do ano, no qual vai interpretar as Variações Goldberg, de Bach.

A euforia que ronda a passagem de Angela Hewitt pelo Brasil está no recital que ela faz domingo. A expectativa é justificada. Em 1994, Hewitt começou a gravar a obra completa de Bach para teclado para o selo Hyperion. Onze anos depois, o projeto chegava ao fim - e ela recebia a alcunha de grande intérprete, em nossa época, da música do compositor. Ela não aceita ou nega o veredicto, prefere falar da relação pessoal que desenvolveu com Bach - o que nos leva ao início de seu contato com a própria música. "Com ele eu fiz minha carreira, com ele, eu fiz a minha vida."

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