terça-feira, 30 de agosto de 2011

Alunos viram repórteres e produzem Jornal da Hora


Há cada vez mais oportunidades de formação, entretenimento e desenvolvimento pessoal, em cidades grandes, médias e pequenas de todo o mundo. Lançamentos de livros, novos cursos, acesso gratuito à internet, participação em rádios comunitárias, elaboração de veículos impressos de comunicação e festivais de cinema se multiplicam desde os grandes até os pequenos povoados do Brasil.

É uma tendência emergente, que muitas vezes se manifesta em iniciativas individuais ou de grupos, mas que não se preocupa com o viés profissionalizante, mas sim de formação integral do cidadão. Alguns governos já transformaram estas iniciativas em políticas públicas.

Em Nova Luzitânia, uma ação para tornar o jornal um mediador entre a escola e a comunidade partiu da Escola Municipal José Augusto Gama de Souza, que desenvolveu a produção de um jornal com alunos da 4ª série do ensino fundamental.
Aproximadamente 25 estudantes trabalharam com atividades de leitura dos gêneros jornalísticos durante as aulas. Leram notas, notícias, reportagens, colunas e seções de forma diversificada, coletiva, interativa, dialogada e prazerosa. O projeto foi desenvolvido pelas professoras Aparecida Regina da Silva Dias, Ione Souza Nascimento Santiago e Nice Milare Tirapelli, que participaram de um curso de formação continuada do Ler para Crescer em junho. Elas ficaram muito satisfeitas com o resultado do trabalho.
 
COMO FAZER
Após as leituras, os estudantes foram divididos em equipes, sendo que cada uma delas teve sempre à disposição exemplares de um mesmo jornal para analisar. Cada grupo escolheu assuntos que gostaria de pesquisar. As educadoras explicaram os objetivos da atividade e forneceram sugestões de como o trabalho poderia ser feito.

Os alunos discutiram os conteúdos, tiveram ideias e formaram opiniões sobre tudo o que foi lido. Em outra etapa, eles classificaram o conteúdo do jornal e destacaram o que era interessante - ou não - e justificaram suas posições e escolhas. Cada grupo foi responsável por apresentar suas conclusões. Eles também elaboram perguntas para possíveis entrevistados e escolheram o nome do veículo: Jornal da Hora.

PRODUTO FINAL
Depois de muito estudo e dedicação, o jornal da 4ª série ficou pronto no prazo de um mês de atividades. Ele tem uma característica muito especial: é único porque foi feito a mão pelos alunos. O exemplar tem o formato tabloide, feito em folha de papel cartolina. Por isso, pôde ter nove páginas (diferente dos veículos impressos tradicionais cujo número de páginas deve ser múltiplo de 4). As páginas do Jornal da Hora são agrupadas por uma presilha.

A linha editorial traz matérias sobre educação, leitura, poesia e festividades. A capa é colorida e chamativa com letras garrafais. A manchete desafia os estudantes à prática da leitura. Há chamadas para as matérias internas e fotos grandes, coloridas, que mostram os repórteres em ação, pesquisando e fazendo entrevistas.
Na páginas seguintes aparecem alunos e seus livros preferidos com depoimentos que destacam a importância de conhecer mais sobre a literatura.

Também há matérias sobre a biblioteca municipal, o centro de educação infantil e um novo galpão daquela cidade. Há anúncios produzidos pelos estudantes e até histórias em quadrinhos, criadas, desenhadas e produzidas pelos autores de 10 anos.

Mas o grande diferencial do Jornal da Hora é que os autores se preocuparam em exemplificar, de maneira muito própria, todos os conteúdos veiculados nos jornais convencionais, como na seção Classificados: 
"Vende-se um terreno cheio de magia e felicidade".

Seguindo a tendência mundial de valorizar a opinião do público, o jornal da escola de Nova Luzitânia 
reservou um grande espaço destinado a poesias e histórias contadas pelos leitores.
Por fim, mas de forma não menos criativa, os signos do horóscopo foram classificados destacando a prática do bem e atitudes para um mundo melhor.

“Essas professoras conseguiram atingir todos os objetivos do Ler para Crescer, que é incentivar a leitura e a produção de textos, que podem se transformar em conteúdo midiático e melhorar a comunidade onde vivem”, declarou a jornalista Ayne Regina Gonçalves Salviano, coordenadora do programa da Folha da Região, que esteve em Nova Luzitânia para capacitar as professoras.

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