quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aluna do ensino médio já faz engenharia

Por Hélton Souza

A estudante Bianca Barroso Torquato Cunha, 17 anos, ganhou na Justiça o direito de cursar engenharia elétrica na Unesp de Ilha Solteira sem concluir o terceiro ano do ensino médio.
A liminar, inédita no Estado de São Paulo, foi concedida na última semana pelo juiz Fernando Antônio de Lima, do Fórum de Ilha Solteira. Hoje será o terceiro dia de aula na universidade.

Agora, a adolescente está conciliando as aulas da Unesp com o segundo semestre do terceiro ano em uma escola particular da cidade. "Os horários são diferentes e estou muito feliz, porque estou fazendo o que gosto e sem comprometer a qualidade do ensino", disse. Ela, que era de Rancharia, região de Presidente Prudente, se mudou para Ilha Solteira com uma irmã. Os pais são de Santa Maria do Suaçui-MG.


SURPRESA
Bianca prestou vestibular de inverno na Unesp e não chegou a ser classificada para a primeira chamada. No entanto, devido a mais de 80 desistências, ela conseguiu uma vaga. "Quando fiquei sabendo da chamada fiquei assustada e muito surpresa, porque nunca imaginei que poderia fazer faculdade sem terminar o ensino médio."

Segundo ela, as cerca de quatro horas de estudos diários foram fundamentais para conseguir uma vaga na universidade estadual. "Eu sempre tive desejo em fazer engenharia elétrica e sempre me dediquei a isso. Agora estou realizando um sonho."

A mãe da estudante, a comerciante Edileusa Alves Barroso Torquato Cunha, 41, procurou um advogado da família e decidiram entrar na Justiça com um mandado de segurança com pedido de liminar para garantir o ingresso de Bianca na faculdade. "No mesmo dia já demos entrada nos documentos e o juiz autorizou, porque se demorasse muito ela poderia perder a vaga."

SENTENÇA
Na decisão, o juiz reforça que Bianca é excelente aluna e foi aprovada em vestibular bastante concorrido, além do acesso aos níveis mais elevados do ensino ser medido pela capacidade de cada um. "Se a aluna, antes mesmo de terminar o ensino médio, logrou aprovar-se em vestibular concorrido, já faz jus a cursar a universidade que tanto sonhou."

Para o magistrado, não deliberar pela matrícula de Bianca na Unesp poderia prejudicar sua autoestima, "já que o desenvolvimento da personalidade exige que o aluno encontre, na escola, um ambiente incentivador, em que os alunos são reconhecidos publicamente pelo desempenho escolar"

MÉRITO
Por ser uma decisão em caráter de urgência, a matrícula da aluna foi feita em sistema provisório e o juiz ainda deu prazo de 10 dias para que a reitoria da Unesp se manifeste sobre o episódio.

O PRAZO VENCE AMANHÃ
Com a resposta da universidade, a Justiça irá decidir o mérito da ação, podendo confirmar a decisão ou então derrubar a liminar. "Estou bastante confiante. Não estou tendo problemas na faculdade e o pessoal é bem receptivo", disse Bianca, que é a aluna mais nova de sua turma.

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